quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Gaiolas ou asas


     Rubem Alves, professor e escritor mineiro, deixou-nos a célebre frase: "Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas", e a partir desta máxima, começamos a observar melhor nossa forma de ensinar, com pensamento crítico sobre nosso papel na educação.


      Surge o questionamento: somos aqueles (professores) que armam o alçapão para pegar os "pássaros" afim de colocar em gaiolas para aprenderem somente o que queremos que aprendam e se "comportem" adequadamente, sem sair das grades imaginárias que traçamos? Ou propiciamos que abram as asas, gradativamente, e lancem voo, para conhecerem o céu do conhecimento, com a liberdade de pensarem por suas próprias mentes, interagindo e questionando o mundo em volta?
     Quem e como somos, afinal? Como é minha postura frente aos conteúdos que tenho que passar, quanto permito a manifestação em sala de aula, quanto possibilito que descubram por eles mesmos as verdades deste mundo? O quanto estimulo os menores, na educação infantil, para que acreditem em si, nas suas capacidades e desenvolvam seu potencial, a autonomia, a descoberta de suas possibilidades, sem podar iniciativas, por mais corriqueiras que pareçam?
      Penso que a partir da percepção de "ser gaiola" ou de "ser asa", como comparou Rubem Alves, cada professor, em sua escola, deve refletir sobre sua prática e buscar, ao máximo, aproximar-se do ideal de dar asas aos seus alunos, para que aprendam por si mesmos, com a figura do decente como um orientador amoroso, ensinando manobras, rotas, mapas e propondo atividades que permitam ao aluno fazer suas próprias descobertas e construções.

Referências:
ALVES, Rubem. Gaiolas ou asas. In: ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 29-32.


                                                                                                                                                                                                                    

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