Como professores, e como não dizer, como pessoas, temos hábitos não muito condizentes com o que pretendemos: que nosso aluno aprenda, elabore hipóteses, resolva conflitos, raciocine logicamente e ainda que seja muito criativo.
Estou falando dos rótulos que tantas vezes colocamos em nossos alunos: "não serve para isto", "tem histórico familiar fraco", "está longe do que queremos", "aluno problemático", fora outros. Fernando Becker fala bem disso, analisando relatos de professores:
"...tu consegues ensinar (matemática) se a pessoa tem talento.”(BECKER)
“[A inteligência] nasce com o homem, eu acho. Ela pode ser
desenvolvida, mas ela não pode ser, digamos, adquirida. [...]. Acho que ela nasce, uns com mais, outros com menos; ela pode ser desenvolvida, mas acho que ela já vem, acho que a gente já vem com isso”.(BECKER)
Este pensamento está presente em nosso fazer pedagógico, dadas as concepções epistemológicas que existem sobre o aprendizado. Porém, temos que pensar em nosso aluno como um ser integral, com sim, histórico familiar, experiencias diversas, estímulos em maior ou menor grau, acompanhamento especializado ou a margem do processo de aprendizagem, por sua realidade ou dificuldade.
Portanto, devemos pensar na construção de conhecimento que nosso aluno está fazendo, a partir de premissas anteriores e no caminho que vai trilhando e ajuda que necessita. Como se cada informação e experiencias fossem tijolinhos de sua construção, onde ele vai levantando as paredes em sua mente. Fernando Becker mostra este processo construtivista, a partir de exemplos práticos:
"Quando tu abraças uma árvore, tens a noção perfeita do que
será futuramente um cilindro, aquele tronco, [noção] do que seja uma circunferência; [...] a árvore serrada te dá o contorno de uma esfera... Creio que a criança pode ter muita facilidade para a matemática quando ela tem experiências desse tipo”. (BECKER)
Com certeza, com experiencias assim ela poderá entender melhor e fundamentar o aprendizado. Nossa função é instrumentalizar este processo, fornecendo os "tijolinhos" e orientando sua construção, sem rótulos que bloqueiam, mas percebendo as reais dificuldades.
Referências:
BECKER, Fernando. Epistemologia do professor de matemática. Ed. Vozes


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