Somos seres finitos e inacabados e a consciência disso nos faz buscar constantemente um algo mais, um educar-se. Sem esta consciência seríamos como animais adestrados ou como plantas, cultivadas. O saber-se finito e inacabado permite que sejamos educados. Aí também reside a esperança, fundamental no processo deste projeto de educar-se como ser humano.
A curiosidade se apresenta como elemento fundamental neste processo, pois move a pessoa a conhecer, compreender e buscar a razão de ser das coisas. Pela curiosidade somos seres disponíveis a indagação e a perguntas que expressam a possibilidade de conhecer. Com esta base fica difícil compreender a memorização forçada que se aplica em sala de aula. A mera curiosidade espontânea, em sala de aula, pode tornar-se epistemológica, pela reflexão crítica e metodologia que converterá o conhecimento comum em conhecimento científico.
O papel do educador é lançar desafios à curiosidade dos alunos, fazendo valer inúmeros recursos em sala de aula, no contexto escolar, onde se desvelam verdades escondidas a partir desta provocação.
O pensamento “as coisas são assim porque não podem ser de outra maneira” vai na contramão da curiosidade, da criticidade, da liberdade de buscar informação e conhecimento. Historicamente, governos dominadores preferem podar o cidadão, com indivíduos passivos, que não pensam nem contestam, treinados nas escolas, em vez de formar para a democracia, protestando e transformando o mundo.
Referências:
Freire, Paulo. À sombra desta Mangueira. Livro. Editora Olho D água. São Paulo, 2000. Pg. 74-82.

Nenhum comentário:
Postar um comentário