domingo, 22 de novembro de 2015

Ser criança na segunda modernidade

 
A simplicidade de ser apenas
 uma criança
 A infância é a etapa inicial na vida do ser humano, de desenvolvimento biológico, emocional, neurológico, social, cognitivo, motor, entre outros aspectos. Como tal apresenta-se como uma fase prévia à inserção no mundo adulto, na vida em sociedade e toda normatização envolvida. Portanto, independente da cultura e do contexto histórico, a infância sempre existirá em sua essência, muito embora haja atualmente um encurtamento da mesma, infelizmente.

Minha infância nos anos 1970

  O que ocorre é uma administração simbólica do período denominado infância, onde socialmente são estipulados locais próprios para "exercer" e "manifestar" a infância, como se fosse um produto. Estes locais para viver a infância são as escolas, os parquinhos, as áreas de recreação dos centros comerciais, por exemplo. Da mesma forma, a padronização de produtos destinados ao público infantil (público alvo), como bonecas e demais brinquedos industrializados, como se brincar efetivamente fosse só com objetos, em vez de com outras crianças. Nesta visão também se incluem lanches da moda e alimentos destinados exclusivamente ao "consumidor" infantil. Assim é administrada a infância, como um período simbólico onde as crianças podem "ser" apenas crianças.

  A modernidade está sendo moldada por situações e realidades muito diferentes, em uma sociedade em constante transformação, nas esferas econômica, social, familiar e mesmo global, pois o mundo apresenta um contexto de guerras, desemprego, novos arranjos familiares, economia voltada a prestação de servços, por exemplo. Está ocorrendo uma ruptura das ideias fundadoras da modernidade, com isso ocorrendo uma reinstitucionalização da chamada segunda modernidade, refletindo no que é "ser criança" nestes novos tempos e parâmetros.
  
 Acredito que a infância ainda vive e reina, prova disso é nosso encantamento e responsabilidade sobre nossas crianças nas escolas que atuamos. Vemos todos os dias crianças exercendo plenamente o seu direito de "ser criança". Uma fase passageira, breve, porém intensa e significativa na elaboração do caráter, da cidadania, dos valores que levarão para a vida toda.

 Embora existam realidades hostis de violência, abusos, miséria, desamparo e negligência, cabe a nós, adultos, lutar e defender a infância, como período essencial na vida de todo ser humano.



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