Encontrei-me, semana passada, em uma situação que me deixou pensativa: o que fazer de atividade para o Dia da Independência, com crianças de dois anos de idade?
A dúvida nem era a atividade em si, mas o contexto em que se encontra o país nos dias atuais. Como iria retratar o Brasil, o verde-amarelo, o patriotismo, a mensagem que iria passar. O que eu diria aos pequenos sobre ser brasileiro.
Passadas as Olimpíadas, o que refere ao país é, de modo geral, controverso, obscuro, crítico e até grotesco. Como irei fomentar na nova geração o orgulho pela Pátria? Como explicarei que o país é um "impávido colosso", ou que "um filho teu não foge à luta", como nos diz o Hino Nacional, pois qual é a luta? Qual a grandeza deste país em que vivem e nasceram?
Os valores em relação ao patriotismo e ao orgulho nacional há muito mudaram, frente as turbulências dos últimos meses, ou anos. Como relacionar as cores do país às riquezas, sem ser hipócrita ou levantar bandeiras? Limitar o verde-amarelo à jogos da Seleção ou Olimpíadas é, no mínimo, ofuscar o povo, a cultura, as regiões e a história.
Em meio à estes questionamentos, surgiu a ideia de começar do zero, levando em consideração a pouca idade e desconhecimento das crianças sobre os problemas sócio-econômicos ou políticos do país.
Fiz, então, um quadro mural com a bandeira do Brasil e sobre ela, fantoches de meninos e meninas, vestindo roupinhas verde-amarelas e com a foto do rosto de cada um. A frase que torna o mural objeto de questionamento: NÓS SOMOS O FUTURO DO BRASIL!
E agora? A quem cabe definir o Brasil que começa agora, nos berçários deste país?
A frase levou à outra, que pintei na porta de vidro que dá entrada ao hall da escola: O FUTURO PASSA POR AQUI: FORMANDO O PAÍS DO AMANHÃ!


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