O maior desafio, em se tratando de pessoas com algum tipo de necessidade especial, é vencer o preconceito. Ser tratado com respeito, amabilidade, dignidade. Ter educação, os direitos assegurados e uma vida cheia de possibilidades mesmo na limitação.
Confesso que, como tanta gente, tenho certa aflição ao lidar com pessoas que tenham algo diferente do "comum". Percebo o quanto não estamos preparados para isso, pois é algo que aflige mais pessoas, por desconhecimento ou simplesmente por pouca convivência. Temos, vergonhosamente, uma certa dose de "compaixão", nos colocamos no lugar deles e entendemos as dificuldades que tem e o "trabalho" de seus familiares. Porém, o portador de alguma necessidade especial quer exatamente o contrário: não quer ser visto como alguém descomunal, digno de pena e muito menos gerador de transtornos e peso para os seus, mas como ser humano, igual a todos em direitos e respeito.
Historicamente, é relativamente recente esta visão no Brasil e no mundo. Ora, como devia ser horrível viver na Idade Média, por exemplo, onde a escuridão das mentes pairava sobre a humanidade! E não somente em relação aos deficientes físicos ou mentais, mas para inúmeras questões, de saúde, higiene, religião, sexo, etc. Nos tempos das fogueiras, da inquisição, do desconhecimento e do preconceito. Mais adiante, com os avanços da Ciência, e falando em religião, com o cristianismo, começou a surgir uma luz para a humanidade.
No século XIX começaram os estudos mais profundos da mente humana, da psiquiatria, da genética. As diferenças começaram a ser vistas com outros olhos, para alívio e consideração a tantas pessoas acometidas por mazelas diversas, síndromes, distúrbios, transtornos e deficiências. Passou a haver a possibilidade de educação, de inserção social, de convívio sem preconceito, de formas de tratamento. Pasmem, até despojados de alma eram vistos em outros tempos!
Grandes avanços e vitórias foram surgindo e a maior delas, vencer o preconceito, que ainda existe, mas em reduzida escala. Os portadores de necessidades especiais passaram a ser amparados por lei, assistidos e ouvidos. Hoje vemos deficientes no mercado de trabalho, se comunicando por sinais, lendo em braile, participando ativamente da vida em sociedade. E não mais merecedores de compaixão, mas sim, de admiração e respeito, como todo ser humano.
Em termos de escola, a educação deve ser inclusiva, onde o portador de necessidades educacionais especiais possa conviver com todos, aprender junto, apesar das dificuldades e limitações.
"Ao invés de o aluno ajustar-se aos padrões de “normalidade” para aprender, a escola deve ajustar-se à “diversidade” dos seus alunos. Pessoas com deficiência mental são as que mais necessitam de apoio educacional porque esse tipo de deficiência é o mais frequente na população, requerendo, portanto, uma atenção maior do sistema escolar. A educação inclusiva é um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos." (Rodrigues)
Portanto, como professores, o desafio se torna maior ainda: além de vencermos os próprios desafios, fomentar a convivência respeitosa entre os alunos e proporcionar ao portador de necessidades educacionais especiais, um aprendizado coerente, dentro de suas potencialidades.
Referencias:
Rodrigues, Olga Maria Piazentin Rolim. Educação especial: história, etiologia,
conceitos e legislação vigente / Olga Maria Piazentim Rolim Rodrigues, Elisandra
André Maranhe. In: Práticas em educação especial e inclusiva na área da deficiência
mental / Vera Lúcia Messias Fialho Capellini (org.). – Bauru: MEC/FC/SEE, 2008.
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