quinta-feira, 2 de maio de 2019

Rótulos e tijolos

      Quantas vezes rotulamos pessoas, colegas de trabalho e mesmo alunos, por serem de um ou outro modo, enquanto estão aprendendo e interagindo.
    Tenho alunos entre dois e três anos de idade, no Maternal, e há muita diferença entre eles, tanto do desenvolvimento biológico (alguns nasceram prematuros, por exemplo, ou com possível autismo), sociais (os pais são surdo-mudos ou adolescentes ainda) e comportamentais (alguns carecem de limites em casa, ou bons exemplos), além de diferenças cognitivas evidentes. Mas não será por estas diferenças que posso rotular os alunos, impedindo o aprendizado.  Dizer que um aluno não terá êxito em alguma área do conhecimento é precipitado, e mesmo anti ético. Este aluno poderá, ao longo do tempo, se destacar em outra área do conhecimento, ou mesmo em várias. 
     O que posso afirmar, nestes anos de trabalho docente, é que toda criança tem um potencial latente dentro de si, que mais cedo ou mais tarde, ira se manifestar, quanto mais com paciência e boa dose de afeto. Como escrevi no blog Aprendizados, em 2017: 
     “...temos que pensar em nosso aluno como um ser integral, com sim, histórico familiar, experiencias diversas, estímulos em maior ou menor grau, acompanhamento especializado ou a margem do processo de aprendizagem, por sua realidade ou dificuldade. Portanto, devemos pensar na construção de conhecimento que nosso aluno está fazendo, a partir de premissas anteriores e no caminho que vai trilhando e ajuda que necessita. Como se cada informação e experiencias fossem  tijolinhos de sua construção, onde ele vai levantando as  paredes em sua mente. “(Aprendizados)

     O professor Fernando Becker nos revela:
     “[A inteligência] nasce com o homem, eu acho. Ela pode ser desenvolvida, mas ela não pode ser, digamos, adquirida. [...]. Acho que ela nasce, uns com mais, outros com menos; ela pode ser desenvolvida, mas acho que ela já vem, acho que a gente já vem com isso”.(BECKER)

    Por isso, ao planejar minhas aulas, ou realizar um projeto, tenho que levar em conta diversos fatores do desenvolvimento dos alunos, prestando atenção para que abranja a todos em suas diferenças, usando diferentes linguagens e experiências sensoriais que cheguem ao entendimento de todos.
   Cabe ao professor perceber as diferenças entre os alunos e sem impor rótulos, oferecer diferentes técnicas para levar o conhecimento ao seu aluno, com sensibilidade.
  “Nossa função (professor) é instrumentalizar este processo, fornecendo os "tijolinhos" e orientando sua construção, sem rótulos que bloqueiam, mas percebendo as reais dificuldades.” (Aprendizados)

Referências: 

BECKER, Fernando. Epistemologia do professor de matemática. Ed. Vozes
KERBER. Cláudia Simone. Rótulos e concepções epistemológicas. Aprendizados. 2017.

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