quarta-feira, 11 de maio de 2016

Reflexões sobre a INCLUSÃO


     Voltamos a discutir, em aula presencial, uma questão que está em voga nos dia atuais, tanto em nossas escolas, como na sociedade em geral: a INCLUSÃO.
   Como, de fato, ocorre a inclusão no ambiente escolar? Apenas introduzir alunos com necessidades especiais em sala de aula convencional ou proporcionar atendimento qualificado e com a estrutura adequada? Como excluímos, mesmo sem querer, algumas pessoas? Será que não ocorre uma EXCLUSÃO dentro da INCLUSÃO?
     Estas questões nos levam a refletir sobre o termo INCLUSÃO, no sentido amplo: incluir significa abranger, introduzir, colocar dentro. Vamos pensar em nosso círculo de amigos: como escolhemos nossas amizades? Certamente a resposta será "por afinidade"ou "por projetar a sensação de segurança ou de conhecimento". Então significa que fazemos uma seleção inconsciente e imediata do que queremos próximo a nós. O que difere deste parâmetro nos assusta e refutamos para não abrir um espaço ameaçador neste círculo. 
      Vamos pensar em um ambiente coletivo, como a escola. Entre as centenas de alunos que se cruzam diariamente nos corredores e nas turmas, divididas por faixa etária e nível de aprendizado, existem diferenças de cor de pele, etnia, condição econômica e social, hábitos de higiene, fora os padrões estéticos "exigidos pela indústria da beleza e da moda", como alunos com sobrepeso, por exemplo. Entre tantas diferenças, existe uma convivência que é aprendida, que se baseia na tolerância e no respeito. Neste ambiente escolar, de socialização e convívio de diferentes, acontece, ou deveria acontecer, a INCLUSÃO, no sentido restrito, envolvendo indivíduos com necessidades especiais de todo tipo, sejam estas limitações físicas ou cognitivas.
     Mas será que o aluno com alguma necessidade especial recebe, realmente, a atenção que necessita? Nossas escolas estão equipadas adequadamente e com profissionais qualificados para atender a demanda? Ou o aluno diferente, assim dizendo, fica à margem da turma, ou mesmo à deriva no aprendizado? Imaginemos uma sala composta por 35 alunos e uma professora para atender a todos, incluindo um ou mais portadores de necessidades especiais, mas sem suporte para atender bem, ou seja, sem monitor auxiliar, sem banheiros próximos à sala, sem acompanhamento psicológico para ela, se necessitar, e para o aluno, muitas vezes sem o apoio da família e/ou entidades assistenciais. Será que a professora irá dar conta? E este aluno, receberá um atendimento qualificado que merece e necessita? Torna-se óbvia a resposta, pois para que a inclusão aconteça de verdade, precisa estar sustentada em pilares maiores do que apenas boa vontade e dedicação.
     Penso que é nobre, humano e politicamente correta a consolidação da ESCOLA INCLUSIVA, porém torna-se fundamental o planejamento de como se dará esta inclusão, para a garantia de que este aluno receba a atenção que precisa, se socialize saudavelmente e acompanhe, a seu ritmo e capacidade, os conteúdos e aprendizados da turma. Ainda estamos um pouco longe do ideal que esperamos, pois incluir não é só colocar dentro da escola o aluno especial, mas é inserir com a certeza de que será o melhor para a integralidade do seu desenvolvimento.
     

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