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terça-feira, 24 de maio de 2016

Estabecendo relações e compreendendo o mundo


      Para a criança conseguir estabelecer relações e compreender o mundo à sua volta, necessita fazer associações, interações e utilizar símbolos que representem o mundo real. Faz por meio da brincadeira, dos jogos de exercício, seguindo jogos normatizados, reproduzindo o mundo real, simbolicamente, pela sua imaginação, e por fim faz sua interpretação de mundo, conforme o seu grau de desenvolvimento e faixa etária.


    A criança nasce ligada à mãe e, aos poucos, começa a manter contato com outras pessoas, cuidadores, membros da família, outros bebês. Começa a interagir no espaço físico e estabelece relações. Inicialmente, a interação se dá por imitação, depois começa a indicar o que deseja e cria estratégias para obter. Esta relação com o outro e o mundo em volta, sejam objetos, alimentos ou pessoas, começa a ser divertida e a criança brinca com as situações. Um bebê que tapa os olhos e acredita que assim estará ausente, cria um jogo de aparição e esconderijo. O adulto, ou mesmo criança, entrando no jogo,  tornará a brincadeira ainda mais interessante e enriquecedora em termos de aprendizagem. Esta criança brinca, mas na verdade, estabelece relações com o exterior através destes jogos de exercício, repetição e imitação.

     Com o passar do tempo a criança começa a jogar simbolicamente, criando e incorporando personagens, fazendo de conta que suas brincadeiras são reais, pois em sua mente acredita que sim, em vista de seu desenvolvimento e compreensão. A criança em torno de dois anos de idade utiliza-se de símbolos que representem o mundo real, que por sua imaturidade, não compreende completamente. Vamos supor que a criança foi ao dentista e impressionou-se com a experiência. Será bastante possível que ao chegar em casa, suas impressões se transformem em uma brincadeira, muitas vezes com inversão de papéis, como ela ser o profissional e uma boneca ou ursinho o paciente, que necessita ficar quieto e se sujeitar às intervenções do dentista. Do mesmo modo, percebemos nas escolas as crianças reproduzindo situações vivenciadas em casa, opressões ou mesmo traumas.
     Conforme avança em idade e desenvolvimento, a criança passa a se interessar por desafios maiores, que integrem outros grupos, com jogos onde regras determinam o bom andamento da brincadeira. Gostam de jogos ao ar livre, envolvendo equipes, com bola, corda e outros recursos, desenvolvendo, assim, as capacidades físicas e outros aprendizados importantes da vida em sociedade, como ganhar e perder, esperar a vez, ter honestidade e respeito para com os demais. Os jogos de tabuleiro, dados, cartas, cartelas e blocos fazem, igualmente, parte do repertório que abrange o aprendizado infantil neste sentido.
     Posteriormente, o então adolescente, irá se interessar por jogos ainda mais desafiadores, como palavras cruzadas, por exemplo, pois desenvolve simultaneamente a memória e o raciocínio, como exige acertar a resposta associando com o encaixe das letras na grade, indicada no jogo. Os jogos tecnológicos também desafiam e fazem parte do cotidiano dos adolescentes.

     Todo jogo e brincadeira, desde a primeira infância até a fase adulta serve para entreter, divertir, estimular os aspectos cognitivos ou motores - conforme a fase de desenvolvimento, socializar, aprender regras e principalmente promover aprendizados de forma lúdica e prazerosa.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Reflexões sobre a INCLUSÃO


     Voltamos a discutir, em aula presencial, uma questão que está em voga nos dia atuais, tanto em nossas escolas, como na sociedade em geral: a INCLUSÃO.
   Como, de fato, ocorre a inclusão no ambiente escolar? Apenas introduzir alunos com necessidades especiais em sala de aula convencional ou proporcionar atendimento qualificado e com a estrutura adequada? Como excluímos, mesmo sem querer, algumas pessoas? Será que não ocorre uma EXCLUSÃO dentro da INCLUSÃO?
     Estas questões nos levam a refletir sobre o termo INCLUSÃO, no sentido amplo: incluir significa abranger, introduzir, colocar dentro. Vamos pensar em nosso círculo de amigos: como escolhemos nossas amizades? Certamente a resposta será "por afinidade"ou "por projetar a sensação de segurança ou de conhecimento". Então significa que fazemos uma seleção inconsciente e imediata do que queremos próximo a nós. O que difere deste parâmetro nos assusta e refutamos para não abrir um espaço ameaçador neste círculo. 
      Vamos pensar em um ambiente coletivo, como a escola. Entre as centenas de alunos que se cruzam diariamente nos corredores e nas turmas, divididas por faixa etária e nível de aprendizado, existem diferenças de cor de pele, etnia, condição econômica e social, hábitos de higiene, fora os padrões estéticos "exigidos pela indústria da beleza e da moda", como alunos com sobrepeso, por exemplo. Entre tantas diferenças, existe uma convivência que é aprendida, que se baseia na tolerância e no respeito. Neste ambiente escolar, de socialização e convívio de diferentes, acontece, ou deveria acontecer, a INCLUSÃO, no sentido restrito, envolvendo indivíduos com necessidades especiais de todo tipo, sejam estas limitações físicas ou cognitivas.
     Mas será que o aluno com alguma necessidade especial recebe, realmente, a atenção que necessita? Nossas escolas estão equipadas adequadamente e com profissionais qualificados para atender a demanda? Ou o aluno diferente, assim dizendo, fica à margem da turma, ou mesmo à deriva no aprendizado? Imaginemos uma sala composta por 35 alunos e uma professora para atender a todos, incluindo um ou mais portadores de necessidades especiais, mas sem suporte para atender bem, ou seja, sem monitor auxiliar, sem banheiros próximos à sala, sem acompanhamento psicológico para ela, se necessitar, e para o aluno, muitas vezes sem o apoio da família e/ou entidades assistenciais. Será que a professora irá dar conta? E este aluno, receberá um atendimento qualificado que merece e necessita? Torna-se óbvia a resposta, pois para que a inclusão aconteça de verdade, precisa estar sustentada em pilares maiores do que apenas boa vontade e dedicação.
     Penso que é nobre, humano e politicamente correta a consolidação da ESCOLA INCLUSIVA, porém torna-se fundamental o planejamento de como se dará esta inclusão, para a garantia de que este aluno receba a atenção que precisa, se socialize saudavelmente e acompanhe, a seu ritmo e capacidade, os conteúdos e aprendizados da turma. Ainda estamos um pouco longe do ideal que esperamos, pois incluir não é só colocar dentro da escola o aluno especial, mas é inserir com a certeza de que será o melhor para a integralidade do seu desenvolvimento.
     

terça-feira, 26 de abril de 2016

Musicalidade


  Gosto muito do filme de animação "Shrek", onde o personagem do burrinho começa a cantar (embora desafinado): "...para quem tem um amigo...", na intenção de agradar o Shrek, um tanto sisudo e solitário. Até que, lá pelas tantas, Shrek dá um grito: "Para de cantar!!!", mas o burrinho não desiste de tentar chamar a atenção. 

  Esta passagem pitoresca do filme faz pensar na música como forma de elevar o espírito, de melhorar o humor, de aproximar as pessoas, de dizer algo que somente por ela conseguimos revelar, ou seja, uma riquíssima expressão da linguagem.
  A musicalidade é inerente ao ser humano, acompanha desde os primórdios da humanidade, agrada aos ouvidos e a alma. Quem nunca presenciou uma gestante colocando música próximo ao ventre para o bebê escutar? Ou, depois do nascimento, cantarolar doces canções de ninar para ele? Ou ensinar  os números com uma cantiga folclórica? 
  Pensamos, geralmente, que é necessário pleno conhecimento de partituras, ter um dom especial ou compreender conceitos específicos, para fazer música. Claro que buscar o conhecimento e a harmonia irão produzir uma composição agradável, mas podemos fazer música espontaneamente, com os dedos, com pequenos objetos ou mesmo assobiando, com ritmo e beleza. 
   A música e a leitura andam juntas, neurologicamente falando, por isso podemos associar as duas para um melhor aprendizado em nossas escolas. Na Educação Infantil fazemos uso, com frequência, de histórias cantadas para trazer musicalidade à Hora do Conto.
   Podemos perceber a musicalidade no ritmo dos pingos da chuva, no compasso turbulento das ondas do mar, no vento que açoita as palmeiras... A musicalidade está na alma de quem deseja elevar o pensamento, ter prazer ao ouvir e transformar, com sensibilidade, sons e palavras em belas melodias.


Referências: 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Literatura para a responsabilidade social


    Nos dias atuais, ser professor não é somente repassar conteúdos pré-estabelecidos, aplicar provas ou redigir pareceres descritivos. Ser professor é, pela ótica social, incutir valores que irão constituir a sociedade do futuro, fomentar um olhar crítico nos alunos e conscientizar para a responsabilidade de cada cidadão.
   Neste argumento entra um aspecto que pode contribuir, e muito, para a conscientização que almejamos: fazer uso da literatura para introduzir temas sociais em sala de aula. Para os menores ocorrerá de maneira lúdica, porém eficaz.
   Tomando como exemplo o livro "O Mundinho sem bullying", de Ingrid Biesemeyer Bellighausen que chama a atenção para apelidos, brincadeiras de mau gosto (embora inocentes) ou zombarias que colegas fazem para outros, seja por um ou outro motivo. Na história, o menino ficou muito triste ao sofrer bullying, a ponto de não querer mais ir à escola. A lição se dá quando os colegas do menino se conscientizam, pedem desculpas e confeccionam cartazes para reflexão.


    
    O mesmo ocorre com temáticas indianistas ou escravocratas, por exemplo, de valorização das diferenças e que trazem em sua essência, história, conhecimento e o despertar do pensamento para a cidadania, manifestadas em atitudes positivas.
     Para o docente, torna-se muito gratificante ver seus alunos abertos para o diferente, cientes de um mundo que precisa melhorar, com justiça, respeito, solidariedade e no final das contas, tudo remete à educação.

Referências da imagem: 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Winnicott, Piaget e Vygotsky - fazendo comparativos com a realidade escolar


     Trabalho com Berçário 2, crianças entre 18 meses e 2 anos de idade, e lendo o texto “Concepções do brincar na psicologia” de autoria de Therezinha Vieira, Alysson Carvalho e Elisabeth Martins, da Interdisciplina LUDICIDADE E EDUCAÇÃO, pude confirmar  e compreender melhor a etapa em que elas se encontram em seu desenvolvimento, em relação ao brincar.
     No texto, as autoras fazem uma menção importante ao pensamento de Donnald Winnicott, que afirma que a partir de um momento, a criança deixa de se sentir unida à mãe, literalmente, para começar a ser independente e explorar o mundo em volta, experimentando sensações novas, em um processo que vai da insegurança, frustração e medo à confiança.
     Os laços que unem mãe e filho, aos poucos deixam de ser físicos para um relacionamento afetivo entre dois seres independentes, que têm sentimentos, angústias e necessitam de todo um tempo de adaptação.  Neste período a criança aprende que a mãe vai, mas retorna. Faço o comparativo com as crianças da EMEI, que no começo do ano, ao ingressarem na turma nova de Berçário 2, ainda são pequenas, com vínculo muito forte à mãe. Com o passar do tempo a criança se acostuma com a rotina de chegar à escola, ser acolhida pela professora, que lhe dá afeto e atenção durante o dia, e à tardinha volta para a mamãe, em grande felicidade, no estabelecimento de uma afetuosa parceria e confiança. Este processo é chamado de espaço potencial ou transacional, segundo Winnicott. Muitas vezes a criança precisa de uma referência simbólica para transpor esta fase de insegurança, como um paninho, um travesseiro ou um bichinho de pelúcia, absolutamente normais e desejáveis para facilitar essa travessia.

    Quando, na escola, a criança passa a se sentir segura, naturalmente começa a interagir com os colegas de turma, explorar o espaço físico e brincar. Ela também começa a enfrentar desafios, importantes para seu desenvolvimento. Ela começa a resolver problemas, criando estratégias para obter o que deseja. Daí a importância de deixar a criança livre e não facilitar demais, pois se tirou o chinelo, por exemplo, ela poderá aprender a colocá-lo novamente, considerando as devidas limitações motoras. Assim também com outros aspectos, como alimentação ou buscar um brinquedo no outro lado da sala, por exemplo.
     Surgem aí os conceitos de adaptação, assimilação e acomodação, que Piaget introduziu no estudo do desenvolvimento das estruturas cognitivas. No caso das crianças da minha turma, já passaram pela adaptação, estão modificando a realidade na assimilação, e estão, gradualmente construindo suas estruturas cognitivas  com a prática do brincar, que consequentemente vai  estabelecendo a acomodação destas estruturas, ocorrendo o que Piaget chama de adaptação inteligente.
 
    Com o passar do tempo, as crianças irão elaborar cada vez mais suas brincadeiras, entendidas como processos de construção de estruturas mentais. Através do faz de conta a criança faz experimentos da realidade, ela manifesta o que há de ser e reproduz situações vividas, muitas vezes trocando os papéis. Ela, brincando de professora na sala, passa mentalmente a ser a professora e os colegas seus alunos, até mesmo a educadora pode assumir o papel de aluna, para ela.
    Surgem, então, os conceitos como a zona de desenvolvimento proximal, como Vygotsky sugeria. A criança que resolve sozinha seus problemas encontra-se na zona de desenvolvimento real, a que ainda necessita de ajuda de um adulto, embora seja potencialmente capaz, na zona de desenvolvimento potencial e finalmente,  a fase intermediária que liga uma à outra, chama-se zona de desenvolvimento proximal. Na zona de desenvolvimento proximal encontram-se as brincadeiras, que irão contribuir para sua evolução, com a orientação de um adulto que a conduzirá a solucionar seus problemas.

     Lendo este texto, “Concepções do brincar na Psicologia”, consegui estabelecer uma relação precisa entre a realidade da faixa etária de meus alunos, com seus medos e avanços, com os fundamentos da Psicologia, que explicam as situações vividas na realidade de minha turma.


Referências: 

Concepções do brincar na psicologia.pdf 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Brincando com as palavras


   O que significa brincar com as palavras?

   Brincar com as palavras é usá-las de tal forma que delicie os ouvidos de quem escuta, ou de quem lê. Brincar com as palavras é saber empregá-las de tal modo que provoque um sentimento estético em sua composição. Brincar com as palavras é conseguir harmonizar o que se quer dizer com um entendimento agradável e prazeroso por parte do leitor ou do ouvinte.
   Os poetas e grandes escritores sempre souberam, ao longo dos séculos, como tocar o coração das pessoas, produzir imagens mentais de grande riqueza, estimular a mente crítica ou simplesmente, passar com esmero sua mensagem. A literatura sempre serviu para ir além do que este mundo palpável pode nos oferecer, ir mais longe do que a realidade nos permite, e como disse Fernando Pessoa: "A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta."

      Conduzindo... 

   Engenhar um texto, brincando com as palavras, é saber construir  uma poesia, um conto, ou qualquer outra forma literária, com beleza, coerência e deleite.
   Esperamos que sempre surjam novos engenheiros da linguagem, que irão adquirir o gosto pelas letras mediante boas leituras, com o uso da língua não somente para a grafia correta, mas para fins mais elevados e, é claro, semeando sonhos. 
   Neste contexto entra o professor, que com paixão pela leitura, em si somente, poderá conduzir o aluno nos caminhos da imaginação e do rico prazer de simplesmente brincar com as palavras.
     



domingo, 10 de abril de 2016

Nada mais sério que o brincar


     "Nada mais sério que uma criança brincando." (Claparede)

     Gosto muito desta frase, que expõe a importância do BRINCAR na infância. Iniciando as discussões no Fórum, da Interdisciplina Ludicidade e Educação, nos foi perguntado: "O brincar é importante? Por quê?", e transcrevo, aqui, meu raciocínio sobre a questão.

     "Penso que o brincar é importante, pois a infância é a fase da vida do ser humano em que as conexões cerebrais são estruturadas, o corpo começa a movimentar-se com desenvolvimento físico e motor, a socialização e a relação com o mundo externo (deixa de ser e de sentir-se ligado à mãe) acontece. Do mesmo modo, nos primeiros anos de vida o emocional se molda conforme as experiências, afetos ou situações negativas que a criança vivencia.
     Com todo esse despertar, através de "ensaios", exploração, curiosidade e muita imaginação, o brincar, propriamente falando, é a possibilidade de realizar todas estas conexões, habilidades, avanços e desenvolver-se plenamente, dentro das limitações biológicas, porém em intensa, mas gradativa extensão.
     Enfim, brincar é importante por que o mundo "de continha", o fazer de conta, é o mundo real em processo de amadurecimento. É desenvolver tudo que pode e haverá de ser, uma pessoa completa e potencialmente capaz." Postagem encontrada em:
moodle.ufrgs.br/mod/forum/view.php?id=975257
     Desta forma, reafirmo a frase de Claparede, dando a devida seriedade e valor ao brincar na infância, na fase mais importante da vida do ser humano.

terça-feira, 5 de abril de 2016

O lúdico na infância


      O termo lúdico remete ao brincar, ao jogo, com o divertimento sobrepondo-se às outras propostas. A ludicidade permite o desenvolvimento e o aprendizado de forma prazerosa, participativa, e assim, estimulando a criatividade.


  Trabalho com Educação Infantil há treze anos, inicialmente como atendente e depois como professora, porém o termo lúdico sempre foi uma incógnita para mim. Procurei compreender o termo através de pesquisa e constatei que meu fazer pedagógico e minha linha de pensamento sobre a infância sempre estiveram assentados neste termo até então desconhecido.

   Depois que compreendi o termo, passei a usá-lo para defender meu pensamento a respeito de minhas práticas educativas. Trabalho com crianças entre 18 meses a 2 anos de idade e acredito que a melhor forma de chegar até elas é através da ludicidade. Cada momento da rotina pode ser permeado por brincadeiras, ora sutis, ora elaboradas. A troca de fraldas não é um momento de higienização somente, mas de troca afetiva, risadas, cócegas, massagem, olhares, conversas, por exemplo. A ida ao refeitório para o café da manhã ou almoço pode vir acompanhada por doces estratégias, como a canção da Branca de Neve e os 7 anões: "Eu vou, eu vou, almoçar agora eu vou, pararatimbum, pararatimbum...", trazendo uma proposta lúdica e prazerosa para o momento.
     Defendo a ideia de que o educador precisa se aproximar da criança sendo também criança, ou seja, adentrar e compreender a infância e o mundo dos pequenos, para depois, e através da ludicidade, fomentar iniciativas, curiosidade, integração, ou quais que sejam os objetivos a que se propõe.
      Sempre que eu falar sobre o meu fazer pedagógico, ouvirão o termo lúdico, pois esta é a base de meu trabalho, de meu convívio com as crianças, é o modo como eu acredito que deva ser o dia a dia em escola infantil, que estimula e promove tantas descobertas e aprendizados.


domingo, 20 de março de 2016

Quando a mente se abre

  Após um ano de estudos no curso de Pedagogia EAD, muitas foram as aprendizagens, e por isso posso citar o que o célebre físico Albert Einstein já nos dizia:

"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original."

     Penso que a mente, e porque não dizer, o ser interior, se expande a medida que se determina a assimilar o novo e não está do mesmo tamanho de um ano atrás. Os conhecimentos adquiridos ocuparam espaço, nortearam ações, conduziram o dia a dia e fez surgir uma vontade enorme de saber mais. Este desejo é o que, na interdisciplina Psicologia, aprendemos como sendo "o desejo de saber", que o psicanalista Sigmund Freud definiu nas suas teorias, através da empatia com os professores, o estímulo da mente criativa e o hábito de estudar.

    Sempre admirei as mentes brilhantes, pessoas que amam ler, aprender coisas novas, mantendo conversação sobre diversos assuntos. O retorno aos estudos, após longo período, foi imensamente significativo, pois a mente se expandiu e não mais voltará a seu tamanho original.

      O ser humano facilmente se acomoda, pois é muito confortável permanecer em seu território de saberes já adquiridos, mas algo inconsciente rompe a atrofia e gera uma perturbação necessária e altamente positiva. O movimento de "levantar da cadeira" faz toda diferença, pois sempre relutamos justamente com o que mais necessitamos e que, geralmente, nos proporciona as maiores lições, uma delas, a felicidade de abrir a mente e vislumbrar novos horizontes!


Referencias:



-  Kupfer, Maria Cristina -Freud e a educação. O mestre do Impossível
 https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1360769/mod_resource/content/1/Freud%20e%20a%20educa%C3%A7%C3%A3o%20de%20Maria%20Cristina%20Kupfer.pdf

   Esta postagem necessitava ser qualificada, com a ideia principal fundamentada, colocar referencias e utilizar uma linguagem mais formal, passando certeza nas minhas afirmações, deixando de ser apenas a minha opinião em uma reflexão compartilhada, mas a explanação de um argumento que necessita ser evidenciado e defendido.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Finalizando...

   Chegamos ao final de mais um semestre no Pead, com o envio da Síntese Reflexiva e a elaboração da apresentação oral no Workshop de aprendizagens. Mais uma semana e compartilharemos nossos trabalhos com o grupo.
   Acredito que o ponto alto do Pead seja sempre a Síntese Reflexiva, que exige propriedade sobre os conteúdos, clareza de pensamento, capacidade de síntese e produção textual. A apresentação oral exige os mesmos requisitos, mas de outra forma, mais leve e conclusiva, bem como nos desafia a apresentar em tempo mínimo, o que é um tanto difícil.
  Penso que cada interdisciplina teve enorme importancia em nossa prática diária nas escolas, e algumas foram mais densas que outras, mas todas significativas. Os conteúdos da interdisciplina Fundamentos da Alfabetização foram passados de forma bem objetiva e prática, esclarecendo dúvidas e sugerindo atividades. Em Psicologia tivemos muitos conhecimentos a respeito da mente humana, que terá aplicação em nossa rotina diária com os alunos, compreendendo atitudes e comportamentos. Em História aprendemos sobre o processo de escolarização e em Infancias, uma nova visão sobre as crianças e suas diferentes concepções. 
  No Seminário Integrador, superamos as dificuldades com o uso das tecnologias, nos habituamos a postar no blog, facilitando a organização dos aprendizados e com isso, fixando os conhecimentos adquiridos. Da mesma forma, a Escrita Coletiva nos fez trabalhar em equipe, cada uma respeitando a ideia do outro e sendo coerente com o texto inicial.
   Um ano de Pead chega ao final e espero que os próximos sejam de muito aprendizado e superação dos novos desafios, que certamente virão. Mas com boa vontade e disciplina nos estudos, tudo poderemos vencer!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Alegria na Escola


A Escola é um local onde passamos boa parte de nosso dia, tanto nós, professoras, como nossos alunos e demais funcionárias ou direção. Se ficamos tanto tempo na Escola, boa parte de nossa vida acontece lá, onde são vivenciados momentos bons, outros nem tanto e alguns pesarosos, inclusive.

Segundo alguns fundamentos, a Escola é lugar de alegria, de cultura e de convivência. Vou relatar duas experiências escolares, de momentos vivenciados que, embora um deles triste e outro gratificante, enriquecem o aprendizado que se dá fora da sala, propriamente dita, mas na Escola.

 AÇÂO DE GRAÇAS

       O mês de novembro estava quase terminando e chegamos ao DIA DE AÇÂO DE GRAÇAS. Gosto muito deste momento de agradecer e sempre procuro fazer alguma atividade relativa ao tema com os pequenos. Neste ano, para todas as turmas, promovemos um momento ecumênico de agradecimento: chamamos um Padre para conversar com as crianças e a Pastora Luterana da comunidade local para dar uma benção. As poucas crianças evangélicas não se opuseram a vinda deles, em prévia conversa com os pais.
Convivemos em um lugar pequeno e as pessoas de diferentes religiões se relacionam amigavelmente, como deve ser. Assim, com o intuito de unir a todos, promovemos o encontro. O jovem Padre surpreendeu, tomando rumo do encontro, solicitando uma grande roda e conversou com todos. Demonstrou uma ótima empatia com as crianças, fazendo perguntas que induziam a pensar e buscar respostas. Perguntou, por exemplo, quem criou os bichos, e eles, ingenuamente, responderam: “eu”. Da mesma forma, perguntou “onde está o Deus”, e uma menina respondeu: “no céu, como a vovó”. Aprenderam uma canção gesticulada e uma oração de agradecimento, onde repetiam os versos. As crianças maiores pediram muito para poderem cantar uma canção que sabiam, “Deus está em toda parte”, para mostrar ao padre o que também sabiam. No final, receberam uma bênção da Pastora Luterana.
As crianças ficaram muito felizes com as visitas, pois foi um momento descontraído, com pessoas diferentes e com um referencial masculino dentro da Escola. As crianças não se importaram se era Padre, Pastor ou outro representante religioso, mas adoraram a integração entre as turmas e o momento especial que vivenciaram.

   A PEQUENA LUISE

Com muito pesar chegamos à Escola, um dia pela manhã, mês passado, com a notícia que a pequena Luise havia falecido. Luise estava com seis meses, e há um mês veio para a Escola, no Berçário I.
Luise nasceu com um problema no coração, que lhe causava taquicardia frequente, estava em tratamento e pegou uma pneumonia dupla. Estava internada no hospital e quando recebeu alta, ao ir para casa, teve um infarto.
Todos ficaram extremamente abalados, encomendamos um arranjo de flor em forma de berço e algumas colegas foram no velório. Conversamos com as crianças a respeito e foi um dia muito triste para todos, que tivemos que enfrentar.

domingo, 22 de novembro de 2015

Trabalhos em grupo


   Sempre tive dificuldade de fazer trabalho em grupo, preferindo fazer sozinha, ou utilizando alguma contribuição dos colegas e no final, novamente fazendo eu mesma, por gosto. 
  Talvez isso se deva a achar mais prático, rápido e sem humildade (que feio), eficiente. Sempre gostei de trabalhar com pessoas passivas, que não se importavam em apenas assinar o nome ou comprar o material. Um certo egocentrismo de minha parte. Detestava quando no meu grupo havia alguém que também defendia suas ideias e o trabalho se tornava mais lento e complicado. Era preciso ouvir, fazer conexões, síntese e encadeamento das ideias, o que exigia paciencia e demandava tempo.
   Nos trabalhos em grupo do Pead também senti dificuldade: como expressar o que penso, á distancia, e juntar com as ideias dos outros?
  Tanto nas interdisciplinas como no Seminario Integrador tive que enfrentar este desafio. A Escrita Coletiva foi um exemplo de superação, pois tive que aprender a aguardar a vez da colega, respeitar seu pensamento e valorizar o outro, pois todas tem ideias incríveis, porém diferentes das minhas.
  Nas interdisciplinas, citando o exemplo da recente atividade "Manifesto da educação do século XXI", tive que constantemente manter contato com as integrantes do gupo, via email e redes sociais, expondo minha ideia, juntando com a parte das colegas, organizando e reapresentando ao grupo, para análise. 
   Em vista disto, sempre surgem novos desafios a enfrentar, na superação de nossas capacidades.  Claro que seria mais simples fazer sozinha, mas estamos juntos nesta empreitada e a colaboração enriquece o aprendizado.