Trabalhar com projetos envolve um aprendizado mais significativo, assim como compartilhar ideias e ações que fazemos com nossas colegas professoras.
Ao trabalhar com as crianças em nossas escolas temos muitas ideias, possibilidades de temas e assuntos pertinentes a realidade da turma, do entorno da escola ou contexto onde vive nosso aluno. Mas torna-se mais importante, e até democrático, que os temas sejam escolhidos por quem é o beneficiado direto: o próprio aluno. Não se toma como ideal temas escolhidos pelo corpo docente, gestores ou esferas superiores, como Secretarias de Educação ou de Saúde, por exemplo. Evidente que somos induzidos a trabalhar certos assuntos de interesse coletivo, por causa maior, como epidemias, consciência negra ou semana do município, por exemplo.
Mas, paralelamente as sugestões, ou mesmo imposições, podemos desenvolver projetos, curtos ou extensos, sobre assuntos que contemplem dúvidas e curiosidades de nossos alunos e justifiquem todo esforço fomentado.
A concepção de trabalhar por projetos esbarra em outra realidade, especialmente sentida nas turmas iniciais da Educação Infantil, onde me encaixo, com responsabilidade sobre o Berçário 2. A realidade consiste em tais crianças tão pequenas, já consideradas alunos, não demonstrarem ou relatarem seu próprios interesses, dada a imaturidade biológica e cognitiva. Pensamos, então: Como criar um projeto que contemple tão tenra idade, em seus interesses e necessidades?
Creio que a resposta seja elaborar um projeto que se adapte a faixa etária e faça sentido aos pequenos, e nós, professoras, somos procuradoras que, supõe-se, saibam efetivamente o que as crianças gostam ou necessitem. Podem ser temas simples, envolvendo afetividade, socialização, amizade, pequenos animais ou alimentação, por exemplo. No ano passado passei por tal desafio e escolhi, em nome dos alunos, trabalhar o tema descobertas do eu, como pessoas conhecendo e experimentando o mundo e suas capacidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais.
Para os próximos dias terei que definir um tema a ser desenvolvido novamente com os pequenos alunos e terei que ter um olhar bem aguçado e carinhoso sobre a turma, para fazer a escolha ideal.
Como aluna no Pead, pretendo compartilhar minhas expectativas, experiencias e aprendizados com minhas colegas que vivenciam situações semelhantes, ou até diferentes, em seu dia a dia. Suponho fortalecer meu trabalho docente e discente com esta prática e produzir bons frutos nesta empreitada pedagógica.
Talvez Paulo Freire expresse vivamente o que seja trabalhar com projetos, na alegria de trabalhar temas que nos inquietam: "Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A
esperança de professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos,
produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa alegria."
Espero que todas consigamos aprender e ensinar efetiva e significativamente, nos inquietando e buscando respostas.
Referencias:
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. 43. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2011
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