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domingo, 9 de julho de 2017

Cultura da desvalorização

  Um tema que seguidamente vem à tona no círculo de professores é a "Cultura da desvalorização docente".    
    Desde que me lembro os professores tem lutado por valorização: dos salários, do respeito à classe, pela carga horária, pelo sistema em si, entre outras reivindicações. Historicamente, como bem estudamos no ano passado, sabe-se da desvalorização do trabalho docente no Brasil, como uma mera "ocupação" das moças solteiras ou como ofício de religiosos ou homens sem habilidade para outros ofícios maiores.
     Não é de se estranhar que atualmente ainda sejamos tratadas como professorinhas, tias de creche ou decidam por horários absurdos de trabalho. E veja que entre nós existem ideias que nos deixam perplexas, como um comentário que ouvi de uma estagiária: "As professoras reclamam de seu salário mas todas tem carro estacionado no pátio da Escola." Como se ser professor fosse sentença de receber pouco, ser "menos" na sociedade consumista, ou pertencer aos que  "trabalham por vocação." 
    É claro que temos que amar nosso trabalho, caso contrário, não suportaríamos de pé as dificuldades encontradas. É por amor à profissão que levantamos todo dia e enfrentamos triplas jornadas, mas queremos condições dignas de trabalho, horários coerentes, horas de planejamento, salário justo e condizente com outros de mesma exigência de escolaridade. Porque um dentista da rede municipal, por exemplo, tem vencimentos maiores que de um professor, se ambos fizeram curso superior? Porque é esperado do professor que seja "pobre"? Que ande de ônibus ou não tenha condições de melhorar sua vida? Parece que esta ideia está profundamente enraizada em nossa sociedade.
     O que fazer frente a esta "Cultura da desvalorização"? Continuando nosso trabalho e lutando por respeito. Acredito que a mentalidade das novas gerações, que estão em nossas mãos nas escolas, é que irá revolucionar a Educação, com valorização e respeito aos professores. Portanto, vale lembrar que somos semeadores de novas mentalidades.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Avaliação na Educação Infantil

     Na próxima semana haverá entrega de pareceres descritivos na EMEI em que trabalho, que é realizada duas vezes por ano. Atuo como docente em turma de Berçário 2, crianças em torno de 2 anos de idade. 
     Como avaliar crianças tão pequenas? Que critérios utilizo? O que considero na escrita dos pareceres?

     A função do professor de Educação Infantil é acompanhar o desenvolvimento das crianças, observando sua evolução, seja física,  cognitiva ou psicomotora. A criança pequena se desenvolve espontaneamente, porém se amplia com a estimulação, que é oferecida pelo professor. Este pode dar condições e oportunidade da criança expandir suas potencialidades e observará em que estágio está seu desenvolvimento, promovendo novos desafios. Poderá constatar dificuldades em seu processo de desenvolvimento, e orientará, com propostas, para que consiga ajudá-la da melhor forma.


     Torna-se  importante que o professor tenha a sensibilidade de perceber os interesses das crianças, pois muitas vezes direcionamos nossas atividades para fins específicos e acabamos por descobrir outros caminhos, todos, embora diferentes, contribuem para o desenvolvimento, pois sinalizam, a toda hora, o que querem aprender.

     Durante os meses que acompanhei as crianças, percebi avanços, diferenças de desenvolvimento entre elas, constatei o quanto mudaram através da estimulação orientada, suas preferências, características pessoais e dificuldades diversas.
     Estas observações estão sendo registradas de forma escrita, juntamente com atividades realizadas e com o recurso da fotografia. Deste modo ocorre a avaliação das crianças, que será passada aos pais em portfólio e conversaremos individualmente sobre o desenvolvimento de cada uma delas, sempre visando o melhor para elas.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Fatores da Educação de qualidade

     A concepção de Escola vai muito além do espaço físico que ocupa, ou da sala de aula, onde, comumente, transmitem-se conhecimentos.
     O termo Escola refere-se a algo mais. E espera-se muito mais. Espera-se da Escola educação de qualidade, socialização, mudança. A Escola é esperada como agente de transformação social. Porém não se faz Escola apenas com o professor – que ensina, e o aluno – que aprende. Na Escola existem pessoas, funcionários, pais, salas, laboratórios, biblioteca, espaços de esporte e lazer, histórias pessoais, realidades adversas de ordem socioeconômica, familiar, divergências e dificuldades de todo tipo. Mas também existem ideais, esperança, superação, paciência, tolerância e solidariedade. Além da vontade de aprender, de ensinar, de compartilhar, de inovar, de descobrir, de inventar.
     A Educação está centralizada na Escola – eixo de apoio familiar e social. Ao pensarmos em Escola devemos adentrar em fatores essenciais a educação:

- Lugar de socialização com idades, famílias e ideias diferentes.
- Lugar de descobertas: do eu, do outro, dos saberes, das regras sociais.
- Lugar para expressar-se, descobrir habilidades e desenvolver potencialidades.
- Lugar para ouvir o outro e para ser ouvido.
- Lugar de fomentar ideias que permitam uma vida melhor e transformem toda comunidade, que possibilitem acreditar.

     As políticas de gestão se voltam para a descentralização e dá ouvidos a toda comunidade escolar, interessada em uma Escola acessível, para todos e, justamente, promotora de mudança social. 
     Os programas do Governo Federal, como o PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), vem de encontro com os anseios da população, pois mediante censo, a Escola recebe verbas que são utilizadas em material necessário, escolhidos com aval do CPM e favorecendo em diversos sentidos, tanto financeiro ou pedagógico, visando a qualidade da educação.
     Portanto, Escola é bem mais que um espaço de transmissão de conhecimento ou socialização, mas é agente de transformação social.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      












sábado, 1 de julho de 2017

Valorizando a Educação Infantil

    Analisando a Educação Infantil em meu município, carinhosamente chamado de "Pequeno Paraíso".
     Moro em São Vendelino, a 90 km de Porto Alegre, e temos menos de 2 500 habitantes, mas a Educação é valorizada. Em 2016 fiz parte da elaboração do PME (Plano Municipal de Educação), com metas para os próximos 10 anos. Confira dados oficiais do Tribunal de Contas sobre a Educação Infantil:
Escola em que atuo atualmente, como docente no Berçário 2


   "Pequeno Paraíso é pela 2ª vez o que mais atende a Educação Infantil no Estado 08/12/2016

      
      Em uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 6 de dezembro, o Tribunal de Contas     do   Estado (TCE) apresentou a Radiografia da Educação Infantil no estado com base nos dados do      ano de 2015.
      Pelo Segundo ano consecutivo, São Vendelino é o grande campeão, ficando em 1º lugar          no   Atendimento às crianças na Educação Infantil em idade de creche (0 a 3 anos) e          Pré-Escolas (4   e 5 anos) em turno integral.
   De acordo com a Prefeita Municipal Marlí Lourdes Oppermann Weissheimer, "É o     reconhecimento do trabalho desenvolvido na área da Educação, que foi umas das grandes prioridades nos meus dois mandatos como Prefeita Municipal. Investimos desde 2009 mais de 30% do orçamento em Educação, construímos uma Escola de Educação Infantil que foi inaugurada em 2012, passando a ter duas EMEIS, dobrando a capacidade de atendimento de nossas crianças. Realizamos concurso público, contratamos pessoal, investimos na qualidade do atendimento para que todas as crianças em idade de creche e pré-escola".
     Na prática, o Município já cumpre integralmente as metas previstas nos Planos Nacional e Municipal de Educação, mostrando que através do planejamento é possível ser exemplo de boas Administração.
     "Qualificamos nossa equipe que atua nas Escolas com formação continuada desenvolvida durante este tempo que estamos à frente da Educação no Município. Construímos o Plano de Carreira do Magistério e o Plano Municipal de Educação (PME), dois importantes instrumentos de planejamento da Educação, sendo que o PME planejou as ações para o período 2015/2025. Pelo segundo ano consecutivo somos o Município que mais atende a Educação Infantil e este resultado nos motiva a manter o trabalho desenvolvido e nos desafia a continuar melhorando ainda mais a Educação municipal. Embora sejamos um dos menores municípios do RS, mostramos que é possível fazer um bom trabalho", destaca o Secretário Diego Lutz, que é professor efetivo da rede municipal.
 Já a Radiografia completa pode ser acessada no endereço https://portal.tce.rs.gov.br/?/radiogr?/Radiografia_2015.pdf"
     Acesso:


Referências:
Site oficial da Prefeitura de São Vendelino



domingo, 25 de junho de 2017

Conselhos escolares x realidade


       Percebo em meu município, São Vendelino (no vale  do Caí), uma tentativa de cumprir a legislação que propõe o funcionamento de CEs nas escolas, mas que, na prática, está aquém do que poderia ser. Na realidade existe apenas um Conselho Municipal de Educação, com dois representantes de cada escola, considerando ser uma cidade muito pequena.
Os princípios do Conselho Escolar fundamentam-se na igualdade, na paridade e na transparência das ações.  Segundo o site da Secretaria Estadual da Educação (SEDUC):

O Conselho Escolar mobiliza, opina, decide e acompanha a vida pedagógica, administrativa e financeira da escola, exercendo o controle social da educação e desempenhando as seguintes funções: normativa, consultiva, deliberativa, fiscalizadora, mobilizadora e de unidade executora. (CURY, 2005)

Há problemas estruturais e irregularidade no cumprimento das reuniões. Desde dezembro do ano passado não há mais reuniões, com o cargo de presidente em aberto, pois a mesma se aposentou, estão à espera de novo chamamento da Secretaria de Educação para nomear novos representantes, dois de cada escola. Ou seja, não está cumprindo seu papel ativo na educação.
Uma questão fundamental sobre a Gestão democrática, afirmada pela Lei n. 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), se confirma em meu município e pergunto: "Porque somente professores fazem parte do Conselho Escolar?” Anos atrás os pais que foram indicados não conseguiram conciliar trabalho com o horário das reuniões, em terças-feiras, às 8 horas da manhã. Não me parece nada democrático estipular, verticalmente, quem fará parte do Conselho e quando serão as reuniões, favorável somente aos professores, que participam em seu horário de trabalho. Do mesmo modo, passado um semestre inteiro, ocorre a famosa procrastinação, pois uma esfera espera pela outra para retomar os trabalhos e definir a nova estruturação do CE, tendo como justificativa a troca de administração municipal (em São Vendelino, duas vezes em três meses, pois houve eleição suplementar) e consequente troca de gestores escolares.
Sei da importância de ter Conselho Escolar em meu município, pois há uma interligação entre as escolas, sejam de Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Médio, pois o que ocorre no maternal, por exemplo, pode refletir mais adiante nos anos iniciais, e assim por diante. Considero muito válido que as decisões sejam conjuntas e compartilhadas, pois em um passado nem tão remoto, não se tinha voz para nada na escola, apenas era preciso acatar o “pacote” que vinha pronto, seja do Governo Federal, Estadual ou da Prefeitura. Há pouco tempo ainda se falava na necessidade de adaptar a educação a realidade do aluno, ou do contexto em que a escola está inserida, e agora já se pode dizer que muitas decisões e diretrizes importantes são pensadas em reuniões periódicas de segmentos-base da educação, como os professores, e se possível, que seja com os pais e os próprios alunos.
Entrando na questão dos pais, vejo em minha escola um CPM (Círculo de Pais e Mestres) participativo, atuando no sentido de cobrar melhorias e sugerir possibilidades. Talvez seja preciso fazer uma ponte que ligue suas funções no CPM com o Conselho Escolar, ainda não estruturada, por ora em organizações diferentes. Da mesma forma, atualmente não existem mais os “Grêmios Estudantis”, que em meu tempo de escola era atuante. Com certeza, com a existência de agremiações estudantis seria mais uma faceta da educação sendo exposta, a do maior interessado - o próprio aluno, que usufrui e é beneficiado com tudo que é decidido e aplicado na escola.

Referências:
CURY, Carlos Roberto Jamil. O Princípio da Gestão Democrática na Educação: Gestão Democrática da Educação Pública In: In: BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Gestão Democrática da Educação. Brasília, 2005.












sábado, 24 de junho de 2017

Regressões

     
Refletindo...
     Quantas vezes demoramos para levantar, querendo aquela atenção da mãe-vida, que diz: "Já vou", mas não vem nunca... Choramos mas ouvimos: "Deixa de fazer manha!"... Queremos colo e ela diz: "tá querendo demais, tá mal acostumada!". Aí somos deixados no chão duro e gelado da vida, pra ganhar "imunidade" e aprender a se virar... Quando fazemos cara feia ainda dizem: " O que houve, sempre foi tão querida..." Quantas vezes regressamos ao útero e vemos que era o único lugar quente e protegido...
      É só uma introspecção, um "Déjà vu", comparações exacerbadas no teatro existencial da vida.

 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Análise da escola - Gestão democrática

"A gestão democrática é entendida como a participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar, pais, professores, estudantes e funcionários na organização, na construção e na avaliação dos projetos pedagógicos, na administração dos recursos da escola, enfim, nos processos decisórios da escola."

   
    Trabalho em Escola municipal de Educação infantil e participo tanto da educação/ensino das crianças, visando a autonomia e preparando pequenos cidadãos, como faço parte do conselho fiscal do Círculo de Pais e Mestres.
    Percebo que os processos colaborativos dizem respeito as parcerias feitas entre escola/pais/ CPM/Emater/empresas/Prefeitura, etc. A escola relaciona-se  com vários segmentos que se preocupam em colaborar com o melhor funcionamento da mesma. Como exemplos: próximo da escola há uma fábrica de concreto que doou, espontaneamente, “muro-flores” para fazer horta (canteiros). A Emater participou recentemente com o plantio de mudas nativas no pátio da escola. Os pais venderam rifa no ano passado para fazer diversas melhorias. Os funcionários do departamento de obras da Prefeitura realizam capina e o corte da grama. Avós das crianças são convidadas para participar de atividades, como uma vovó que vem, quando convidada, contar histórias de antigamente ou outra que vem fazer bolo/biscoitos com o maternal. Uma vizinha recolhe diariamente todo lixo orgânico da escola.
     A gestão democrática divide decisões importantes com o CPM, como o destino de recursos e prioridades, como comprar ou não brinquedos caros como uma brinquelandia, ou fazer toldo no acesso da escola, por causa da chuva. Contraditoriamente, o CPM decidiu pela compra de um toldo, mas a diretora decidiu não comprar, e usou o dinheiro com outras coisas.
     A noção de cidadania se dá na Educação Infantil, pois desde pequenos tem regras a seguir, como esperar a vez de falar, por exemplo, ou recolher os brinquedos que usou. Do mesmo modo, todos têm direitos iguais e o que um não pode fazer, vale para todos, como não trazer guloseimas para a escola.
     A autonomia é promovida desde o berçário, pois queremos pessoas capazes de pensar por si próprias, independentes e com atitude. Quanto mais cedo aprenderem a cuidarem de si (vale lavar as mãos, tirar o próprio calçado ou comerem sozinhas), ou terem autoconfiança (o professor deve incentivar, elogiar, delegar “tarefas” ou sugerir recontar histórias, ou apenas confiar nas potencialidades da criança), mais autônoma e segura ela será. Muito embora algumas monitoras preferem dar comida na boca (mesmo que as crianças já sabem manusear bem a colher e comer sozinhas) para que não se sujem!


Referências:

DOURADO, Luiz Fernandes. MORAES, Karine Nunes. OLIVEIRA, João Ferreira. Gestão escolar democrática: definições,princípios e mecanismos de implementação.escoladegestores.mec.gov.br/site/4sala_politica_gestao_escolar/pdf/texto2_1.pdf

                        


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Trabalhar em equipe

     Trabalhar em grupo não é tarefa das mais simples. Imaginemos seis alunas totalmente diferentes umas das outras, em idade, pensamento, turma de atuação, endereço e interpretação das atividades... Este é o desafio do Eixo V do Pead.
  Nos juntamos, na interdisciplina Projeto Pedagógico em ação, por termos uma relativa proximidade, pois nos reunimos no semestre anterior para realização de um Projeto de Aprendizagem. Porém, neste semestre, os projetos são individuais e somente a síntese analítica e reflexiva é coletiva, de forma colaborativa. 
  Cada integrante iniciou seu PA com sua turma, mas de modo descompassado, com etapas realizadas em tempo desigual umas das outras.
    O maior entrave se deu na compreensão das atividades,  pois cada uma interpretou de um modo diferente. Talvez por isso trabalhar em equipe é um desafio. O desafio de enxergar suas possibilidades, sanar dúvidas, manter conversação, analisar  e compreender, saindo da zona de conforto.

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Escola pública no Brasil


       Uma das perguntas que mais intrigam a sociedade, quanto mais a classe docente, é "Porque a escola pública (ou ensino, educação) é tão fraca no Brasil?"



     Esta pergunta exige um aprofundamento maior para a exatidão de uma resposta, convincente e realista, sobre a história deste país, que não é objeto desta reflexão. Porém, o fator econômico certamente é a base de toda situação.
   Uma escola de qualidade exige investimentos, professores bem remunerados, estrutura física adequada, tecnologia, formação contínua do corpo decente, verbas para alimentação, segurança, manutenção e material didático. Uma escola também não se faz somente com recursos financeiros, é fundamental uma gestão participativa, a atuação de um  conselho escolar, dentro do princípio da transparência e com acesso a informação, de todo e qualquer membro da comunidade escolar, ou seja, uma eficiente administração. O corpo decente, por vezes, faz milagres com os recursos disponíveis, e não raro, tira do próprio bolso despesas diversas, visando o bom andamento de suas propostas pedagógicas.
     Como ponto de partida para pensar em uma resposta à pergunta formulada, devemos pensar em um país que foi colônia por séculos, viveu a escravatura, correndo bem atrás dos países europeus em termos de educação, visto o número de analfabetos em um passado recente. Sempre que no Brasil se pensou em reforma ou mudanças na educação, os passos foram lentos, atrofiados ante o fator econômico. "De onde virá a fatia necessária à educação?" "Quanto será preciso para alavancar a educação no Brasil?" Mais uma vez, perguntas levam a mais perguntas, e as respostas ficam reticentes. 
     A atual intenção governamental prevê mudanças na tão almejada LDB, que assegurou, entre outros, o direito a educação gratuita a todo brasileiro, por exemplo. Além da possibilidade de terceirização da educação, a nova proposta para o Ensino Médio emerge camuflada de "melhor para o estudante", que fará suas escolhas baseado no que quer seguir. Mas qual  estudante aos 14/15 anos sabe exatamente o que quer seguir na carreira? Mexer no Ensino Médio poderá significar menos disciplinas reflexivas, formando cidadãos despreparados para agir com criticidade ante as questões fundamentais da vida e da cidadania. Como  Jamil Cury, na aula inaugural da Faced/UFRGS 2017, tão bem expôs: "Mexer na LDBEN é abrir o campo para novos retrocessos". Certamente.
     Portanto, questionar os rumos e os porquês da realidade escolar no Brasil exige um olhar longo na história, na conjuntura política e nos fatores determinantes que induzem a uma nova pergunta: "Como e quem vai pagar a conta?"

Referências:

CURY, Carlos Roberto Jamil. Aula inaugural Faced/UFRGS 2017 >https://www.youtube.com/watch?time_continue=7&v=n61sFnGI2p4<


terça-feira, 23 de maio de 2017

O mal ou o não feito

     Ontem tive uma experiência desagradável comigo mesma, mas que conhecemos muito bem em sala de aula como professoras.
     Tivemos aula de Projeto Pedagógico em Ação e, pasmem, não sabia que haveria apresentação, nem estava com as atividades em dia! Algo que vivenciamos e não entendemos com nossos alunos, mas ocorreu comigo como aluna. Não sabia se saía correndo ou se  me escondia embaixo da cadeira...

    Por isso, vale a sabedoria popular que diz que "Pimenta nos olhos dos outros é refresco!", Veja como é fácil julgar, avaliar um aluno por uma desatenção, não entendendo o que levou o aluno a tal feito.
    Não pretendo, com isso, me justificar, argumentando que tinha problemas pessoais, compromissos ou qualquer outra coisa. Quero, sim, chamar a atenção para o nosso aluno como pessoa integral, onde um ocorrido não corresponde ao todo, mas faz parte de um processo de aprendizagem e, ousando um pouco mais, de vida. 

   Com isso, pude refletir e, novamente, valorizando os ditos populares, "Quem julga pouco entende", Como professora, resta lembrar disso antes de repreender o aluno por algo mal ou não feito, mas sim, orientá-lo em suas dificuldades.



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Certezas e dúvidas


     Quais são nossas certezas? Existem certezas absolutas?
     Duvidamos de quê? Como eliminamos as dúvidas?
   Temos muitas certezas que consideramos absolutas e nem refletimos sobre tais. Também não nos damos ao trabalho de averiguar sua validade. Em outras situações, estamos inundadas de dúvidas, paralisadas ante as mesmas. Também, algumas vezes, não procuramos esclarecer. Mas toda certeza é duvidosa e necessita um respaldo maior que a confirme. Da mesma forma, as dúvidas, em qualquer aspecto da vida, existem para orientar a ação, conduzir a um bom trabalho.
   Nos Projetos de trabalho as certezas são examinadas, pois outros pontos de vista podem invalidar, pois estamos em meio a um vasto mundo de questionamentos e possibilidades. Dúvidas precisam ser pesquisadas para um bom embasamento do trabalho. A impermanência e a diversidade de opiniões deve ser considerada.
  Um bom início de Projeto em ação é uma pergunta questionadora e investigativa: o que quero saber? O que instiga o interesse dos alunos? Ou, o que é pertinente na fase de aprendizado em que se encontram? A busca por informações, levantamento do material necessário, entrevistas, referências bibliográficas e embasamento teórico são ferramentas necessárias ao andamento dos projetos.
  Independente do tema escolhido, seja Projeto de trabalho ou não, ou mesmo situações do cotidiano, as certezas nem sempre são absolutas e as dúvidas tem sempre esclarecimento, para seguirmos adiante.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mais sobre o Projeto CONVIVER: A CASA - colocando em prática

  Esta semana, dentro do Projeto CONVIVER, fiz algumas atividades que enfatizaram o sentimento maior em nossa vida: o amor entre mãe e filho. Com a proximidade do Dia das Mães, trabalhei a ligação que existe entre o filho e sua mãe, com conversas que nomeavam, com a criança identificando e percebendo o nome e a imagem dela. Enumeramos qualidades das mamães e coisas que ela faz. 

   Em um segundo momento, iniciei a confecção de um cartão em forma de casa, estilo porta retrato, onde perguntei as mães a cor da sua própria, e as crianças pintaram a dedo com tinta têmpera, fazendo associações. Pensei no tema CASA, porque está presente nas fases da criança, ou seja, a mãe seria a primeira "casa": o útero que abrigou, alimentou e protegeu a criança. Da mesma forma,  usa-se o termo "casa dos afetos" para designar as pessoas íntimas que fazem parte do rol afetivo, onde a mãe é a primeira pessoa encontrada. E por último, quando a criança cresce e fica mais independente, ela sempre guardará a mãe no coração, onde fará "morada" para sempre. 



     Com estas atividades da semana, enfatizei o aspecto afetivo em suas relações mais próximas, do núcleo familiar da criança. Com certeza não existe amor maior que o que aproxima um filho pequeno de sua progenitora, cuidadora e fonte de bem e de amor, e vice-versa.

      Registro fotográfico, usando o menino Matheus como exemplo:
Os primeiros contatos com a tinta gera expectativa
e provoca sensações táteis prazerosas.


A maravilhosa experiência de manipular tinta é compartilhada. 


Ao saber que está pintando a "sua casa", estabelece associações.

Ao ver o resultado final, Matheus se surpreende ao ver a foto da mamãe.

Matheus observa atentamente a mãe na "janela".



A "casa dos afetos" está pronta e será presenteada para a mamãe.



terça-feira, 2 de maio de 2017

Mais sobre as dificuldades de relacionamento - conclusão

DIFICULDADES DE RELACIONAMENTO – EM TEMPOS

DE REDES SOCIAIS

   Nos dias atuais a internet e as redes sociais são um fato, fazem parte da nossa vida e não conseguimos mais viver desconectados. O círculo de amizades se ampliou absurdamente, assim como a rapidez das mensagens, agora instantâneas.
    Existem incontáveis motivos para comemorar a era digital e as facilidades de comunicação. Quantas pessoas são reencontradas via internet, novas amizades são estabelecidas, laços familiares aproximados e não há distancia que impeça as relações interpessoais. Aparentemente não deveriam existir problemas de relacionamento entre pessoas adultas em função de tamanhas facilidades da era digital.

     Contudo, as relações humanas são permeadas de desencontros, desajustes, discordâncias, carências, sentimentos nocivos e atritos diversos que perpassam tanto relacionamentos reais, presenciais ou virtuais. Muitos conflitos nos relacionamentos tomam novas dimensões quando lançados em rede. A não existência do face a face frequentemente faz extrapolar e exacerbar os atritos já existentes.
   “Conforme a concepção de Mizruchi (2006), as redes sociais influenciam o comportamento tanto de indivíduos, quanto de grupos e a ação humana é afetada pelas relações sociais em que os agentes estão imersos. Visto que todas as grandes mudanças sociais são caracterizadas por uma transformação do tempo e do espaço na experiência humana, a revolução tecnológica, concentrada nas redes de relacionamento, começou a remodelar a base material da sociedade em ritmo acelerado. As chamadas redes sociais são um conjunto de ligações que direta ou indiretamente conectam cada membro de um grupo a outro grupo. Posto, portanto, que as redes sociais são um conjunto complexo de inter-relações que se dinamizam, pode-se dizer que o ser humano vem estreitando as relações e tornando-se cada vez mais comunicativo. Na concepção de Capra (2002), são redes de comunicação que envolvem a linguagem simbólica, os limites culturais, as relações de poder, bem como a atuação das redes de solidariedade local no combate à exclusão social.“ (Silva, Frizzi, Santos, Cabestré, Júnior; 2013).

As redes sociais permitem o anonimato, transformando comportamentos.
     As relações humanas em tempos de redes sociais se tornam, analisando genericamente, impessoais, rasas e não raro, inconvenientes, pois expõe a pessoa a situações constrangedoras. Do mesmo modo, emergem a impulsividade e a agressividade, revelando o pior lado do ser humano. A privacidade é invadida e estamos sujeitos à opinião alheia indevida. Não há assuntos ocultos em tempos de redes sociais. O vazio existencial da vida moderna é preenchido com postagens duvidosas, frequentemente com ostentações e falsa felicidade. Como questionou Leandro Karnal: “Quantas redes sociais são necessárias para preencher o vazio existencial?”

O vazio existencial é muitas vezes preenchido com as redes sociais,
que podem se tornar nocivas.

     As relações interpessoais se tornam prejudiciais quando os limites do respeito e da conveniência são ultrapassados, pois assim, antes positivas, todas facilidades de comunicação se tornam tóxicas. As dificuldades de relacionamento na era digital se ampliam e se espalham largamente, afastando-nos dos outros, com um efeito contrário ao desejado.

"O efeito da desinibição online é uma força poderosa, mesmo quando estamos cientes do efeito que tem em nós. Muitas vezes, opera a um nível inconsciente", explica o investigador americano John Suler, da Universidade de Rider, que em 2004 cunhou o conceito de "desinibição tóxica".John Suler aponta vários causas para a desinibição tóxica. Entre elas estão o anonimato, o fato de a comunicação ser assíncrona (alguém deixa um comentário que pode ser visto minutos, horas ou até dias depois), a concepção do mundo online como um mundo de fantasia, "separado das exigências e responsabilidades do mundo real", e ainda a ausência física do interlocutor.” (Pereira; 2013)

   Conclui-se, portanto, que as dificuldades nos relacionamentos, em tempos de redes sociais, se transformaram, assim como toda a sociedade, ante as facilidades e agilidade da era digital.
   O ser humano continua tendo entraves nas relações interpessoais, mas agora extrapolados, compartilhados, analisados e julgados publicamente e influenciados por um novo pensamento de superficialidade, em perfis com egos inflados ou mesmo fictícios, e que nem sempre reconhecem as fronteiras da conveniência, da privacidade, da educação e do respeito humano.

Referencias: 

- Pereira, João Pedro. Na internet a conversa é outra. Público. 2013. >//www.publico.pt/tecnologia/jornal/na-internet-a-conversa-e-outra-26997682<

- Silva, Denise Rodrigues Nunes Da. Frizzi, Fernanda Navarro. Júnior, Jorge Rufino da Silva. Cabestré, Dra. Sonia Aparecida. Santos, Thiago Roberto Gamonal Dos. Redes Sociais e Relacionamento Interpessoal – Um Estudo no Âmbito Universitário. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. 2013. Bauru – SP. Acesso em: http://portalintercom.org.br/anais/sudeste2013/resumos/R38-0579-1.pdf

- Karnal, Leandro. Leandro Karnal Admiradores. Portal Raízes. 2016. Acesso em:












segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia do trabalho - observações

 
   Há quem diga que o trabalho enobrece. Há quem diga que cansa. Há quem diga que é pra louco. Há quem se realiza, quem só passa o tempo, quem só reclama, quem abençoa e agradece. Há quem se ocupa, quem mata o tempo, quem acha o serviço, quem se esconde. Há quem trabalha até a noite, quem tem muitas jornadas, há quem falta, quem se desculpa, que nem se justifica. Há quem ama o que faz, quem se acomoda, quem se conforma, quem só recebe no fim do mês. Há quem nunca tem folga e há o folgado. Há quem valoriza, quem sabe onde aperta o sapato, há quem não tá nem aí.
     E há quem precisa e não tem. Como disse Cortella: "Existem os desempregados e os desocupados". Tem quem não desenvolveu o hábito e o "gosto".
     Mas tem quem rala e batalha. Para este, tiramos o chapéu. Um ótimo e merecido feriado para todo trabalhador!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Novas dificuldades em novos tempos

   
 

“Quantas redes sociais são necessárias para preencher o vazio existencial?” (Karnal)

      “Dificuldades de relacionamento em tempos de redes sociais”, este é o tema  que pauta uma pesquisa em grupo, no Pead V , adentrando  na psicologia da vida adulta. Os relacionamentos em si somente são complexos, veremos então sob outra ótica em um mundo de novas tecnologias e possibilidades virtuais.
     Penso que o modo como os relacionamentos convencionais se perpetuaram até hoje                 está se desvaindo. Não se imagina mais viver sem internet, redes sociais, aplicativos,               mensagens instantâneas que transformam e interferem no modo como nos relacionamos.
     Em uma visão rápida de outrora (diga-se: alguns poucos anos atrás) as relações familiares eram baseadas na conversa, no olho no olho, ao redor da mesa das refeições ou na roda de chimarrão, tomando por base a cultura gaúcha. As relações com meros conhecidos mantinha-se limitada e com certa reserva. Parentes se comunicavam com cartas e estas demoravam dias para chegarem ao destino. Aguardava-se com calma a chegada da resposta. Convites eram entregues pessoalmente e em tudo havia o contato humano.
     Amigos eram as pessoas com quem podíamos contar, que ligávamos alguma frequência para saber como estavam e  visitávamos regularmente para conversar ou celebrar a amizade. Pais falavam com seus filhos, que por sua vez paravam o que estavam fazendo e ouviam. Romances ou mesmos os encontros casuais eram frente a frente, onde havia uma distância necessária que determinava um sim ou não, até um talvez bem definidos.
     Nostalgia? Talvez sim, mas nada era rápido, nem tão eficaz, pois o mundo parecia que girava em uma velocidade menor, e os relacionamentos também seguiam este ritmo.  Agora vivemos na era digital, em uma velocidade absurda  e acabamos virando reféns tecnológicos. Acostumamo-nos  rapidamente e apagamos o olho no olho, o que demora, tudo o que se estende, o que dá trabalho.
    Em pouco tempo as vantagens do mundo digital tomaram conta de nossas casas, nosso trabalho, pensamento  e nossas vidas. Para que conversar com o filho sobre o dia que passou, se nas redes sociais conseguimos saber (supomos) onde esteve,  o que fez, com quem andou? Para que sair de casa e encontrar um amigo, se podemos apenas curtir as coisas que ele posta, e temos uma legião de amigos virtuais que apreciam tudo que fazemos?
    Perguntas como estas exemplificam as facilidades encontradas na era digital, mas quando nos damos conta, já fizemos substituições demais em nossas vidas, e nem sempre sabemos lidar com os entraves que vem junto com este “pacote tecnológico” que aceitamos. Os limites perderam os parâmetros e não sabemos distinguir as fronteiras do bom, do aceitável, do ideal. Ficamos confusos ante estes novos tempos, onde as pessoas perderam o senso de privacidade e sentem-se exageradamente íntimas umas das outras ao mesmo tempo em que se distanciam cada vez mais.
   Os efeitos devastadores da alienação digital vão se revelando, principalmente entre jovens e crianças, uma geração marcada por relacionamentos on line, impessoais e formadores da personalidade. Ouvem-se mais as novidades virtuais do que uma pessoa real e próxima, como nos jogos suicidas que invadem nossas casas pelo computador e dispositivos que transformam pessoas em quase “zumbis” da atualidade.
    Leandro Karnal, sob semelhante análise, nos questiona: “Quantas redes sociais são necessárias para preencher o vazio existencial?” E a pergunta continua: "Como enfrentar os problemas de relacionamento advindos da ascensão tecnológica e uso exacerbado de redes sociais?"

Referências:

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Refletir para agir melhor

"O sábio respondeu: “podemos cometer alguns excessos de vez em quando. Mas é sempre bom parar, e refletir sobre o que fazemos na vida”. Confucio
   Refletir é pensar um pouco mais. É pensar de novo, é pensar sobre o que já foi anteriormente pensado. É questionar, revisitar o que já foi tomado como definitivo. É desconfiar do que já decidimos como certo.
    Refletir é pausar o fluxo das ações e analisar. É reavaliar o que estamos propondo ou construindo. É parar, olhar, mudar concepções, interferir e alterar o prumo, ou não.
   Este olhar sobre, através e além do que estamos empenhados que nos permite evoluir, avançar e reestruturar o que realizamos em todos os âmbitos de nossa vida. 

Referências: 


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Apesar de...


Talvez Jesus, traído, ferido e humilhado, tenha nos deixado uma grande lição: amar, tolerar, enfrentar, apesar de tudo...
...Apesar de não termos atingido nossos objetivos,
...Apesar de sermos caluniadas.
...Apesar de ficarmos esgotadas ao final do dia e do ano e zombarem de nós por isso.
...Apesar de não sermos reconhecidas e valorizadas como pessoas ou profissionais.
...Apesar de sermos agredidas verbalmente, ou mesmo fisicamente.
...Apesar de pensarmos em desistir.
...Apesar de não termos a grandeza de espírito que o Mestre teve e não sermos dignas de qualquer comparação.
Mas temos algo dentro de nós que manda prosseguir, como mães, como educadoras, como mulheres. Temos uma luz que nos guia. Tem uma força maior que nos sustenta. Temos uma faísca da chama libertadora que o Mestre acendeu.
Temos a esperança que resiste e persiste.
Temos um pouco do amor do Mestre que vive em nós!

Meandros da mente humana


   A psicologia é sempre um assunto que nos interessa, dadas as venturas e desventuras da vida, situações vividas ou testemunhadas, inquietações que nos fascinam ou perturbam e não encontramos uma explicação, assim fácil, na área de domínio de nosso conhecimento.
   
 Como mães temos tantas dúvidas, questionamentos acerca da psicologia infantil, a fim de bem educarmos nossos filhos e compreende-los melhor.
    Como professoras também temos a vontade de entender e ajudar os alunos em seus conflitos ou dificuldades.
   Mas como pessoas, seres humanos adultos, com vidas ora dilaceradas por lembranças amargas, ora por perturbações diversas que desassossegam o cotidiano, ora atitudes inóspitas que nos deixam frustradas com a gente mesmo, ora com temores infundados, traumas desconhecidos, entre tantas outras coisas a citar, como ficamos?
   Penso que a Psicologia da vida adulta vem de encontro a nós mesmas, com nossos problemas, dúvidas, confusões, insatisfações e incoerências que vivenciamos ao longo de nossos dias e anos.

 Muitos assuntos podem ser debatidos e compreendidos em uma busca mais profunda e eficaz de nosso inconsciente, base de todo psiquismo. Acredito que muitos temas serão levantados no semestre e abrirão o leque de incógnitas que assolam a mente humana, mas que estão ao alcance de todos, para elucidar seus meandros. 



Referencias das imagens: http://www.neurokinder.com.br

Trabalhando com projetos


  Trabalhar com projetos envolve um aprendizado mais significativo, assim como compartilhar ideias e ações que fazemos com nossas colegas professoras.
    Ao trabalhar com as crianças em nossas escolas temos muitas ideias, possibilidades de temas e assuntos pertinentes a realidade da turma, do entorno da escola ou contexto onde vive nosso aluno. Mas torna-se mais importante, e até democrático, que os temas sejam escolhidos por quem é o beneficiado direto: o próprio aluno. Não se toma como ideal temas escolhidos pelo corpo docente, gestores ou esferas superiores, como Secretarias de Educação ou de Saúde, por exemplo. Evidente que somos induzidos a trabalhar certos assuntos de interesse coletivo, por causa maior, como epidemias, consciência negra  ou semana do município, por exemplo.
   Mas, paralelamente as sugestões, ou mesmo imposições, podemos desenvolver projetos, curtos ou extensos, sobre assuntos que contemplem dúvidas e curiosidades de nossos alunos e justifiquem todo esforço fomentado. 
    A concepção de trabalhar por projetos esbarra em outra realidade, especialmente sentida nas turmas iniciais da Educação Infantil, onde me encaixo, com responsabilidade sobre o Berçário 2. A realidade consiste em tais crianças tão pequenas, já consideradas alunos, não demonstrarem ou relatarem seu próprios interesses, dada a imaturidade biológica e cognitiva. Pensamos, então: Como criar um projeto que contemple tão tenra idade, em seus interesses e necessidades? 
     Creio que a resposta seja elaborar um projeto que se adapte a faixa etária e faça sentido aos pequenos, e nós, professoras, somos procuradoras que, supõe-se, saibam efetivamente o que as crianças gostam ou necessitem. Podem ser temas simples, envolvendo afetividade, socialização, amizade, pequenos animais ou alimentação, por exemplo. No ano passado passei por tal desafio e escolhi, em nome dos alunos, trabalhar o tema descobertas do eu, como pessoas conhecendo e experimentando o mundo e suas capacidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais.
    Para os próximos dias terei que definir um tema a ser desenvolvido novamente com os pequenos alunos e terei que ter um olhar bem aguçado e carinhoso sobre a turma, para fazer a escolha ideal.
   Como   aluna no Pead, pretendo compartilhar minhas expectativas, experiencias e aprendizados com minhas colegas que vivenciam situações semelhantes, ou até diferentes, em seu dia a dia. Suponho fortalecer meu trabalho docente e discente com esta prática  e produzir bons frutos nesta empreitada pedagógica. 
   Talvez Paulo Freire expresse vivamente o que seja trabalhar com projetos,  na alegria de trabalhar temas que nos inquietam: "Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa alegria." 
   Espero que todas consigamos aprender e ensinar efetiva e significativamente, nos inquietando e buscando respostas.



Referencias: 

Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. 43. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2011

domingo, 9 de abril de 2017

Eixo V - iniciando...

       Após período de férias, iniciamos mais um eixo de aprendizagens. Com certeza o ritmo inicial será mais lento, dado o afastamento, essencial e necessário, dos estudos. Somos pessoas integrais, com vida familiar e social, professoras que precisam um tempo de descanso, físico, mental e emocional, para estarmos revigoradas para um novo ano letivo, tanto como alunas como docentes.
     
    Para iniciar o ano de estudo, precisamos fortalecer nossa vontade de crescer e superar adversidades, as "pedras" do caminho. Mas certamente o caminho também terá muitas flores, que foram regadas pela persistência.