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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Aprendizagem, um processo constante

    O que é aprendizagem? Como ocorre?


    Toda criança, e toda pessoa, tem capacidade de assimilar novos conhecimentos, que se sobrepõem aos conhecimentos anteriores, com estruturas mentais cognitivas e pela maturação biológica, que vão se acomodando e por fim, com experiências, ocorre uma equilibração, ou seja, uma auto-regulação do conhecimento adquirido.

     A aquisição de conhecimento não é passiva e nem espontânea, mas se dá pela ação da pessoa sobre o objeto. Desta ação, surge o processo de aprendizagem, em estruturas cada vez mais complexas e diversificadas, em um contínuo aprendizado ao longo da vida.

Portanto,
     APRENDIZAGEM é o resultado de todo um processo de aquisição de conhecimento - acomodação nas estruturas mentais cognitivas - e equilibração, com um sujeito ativo sobre o objeto.

domingo, 5 de novembro de 2017

Preconceito: revendo padrões e conceitos


      O discurso atual de igualdade, inclusão, respeito às diferenças e sem preconceitos nem sempre condiz com a realidade. 
     O ser humano é, em essência, livre de preconceitos, pois este não é inato, mas adquirido, ou melhor, aprendido. O meio onde a criança cresce e se desenvolve irá afetar significativamente seu modo de ver e sentir o mundo. E do meio em que está inserida que vai construir seu esquema mental, pois de lá  que terá referencias. 
     Conforme as pesquisas de Allport(1946) e de Adorno et al. (1965) mostram, o preconceito         não é inato; ele se instala no desenvolvimento individual como um produto das relações                    entre os conflitos psíquicos e a estereotipia do pensamento - que já é uma defesa psíquica                  contra aqueles-e o estereótipo, o que indica que elementos próprios à cultura estão          presentes.   (Crochík)
      O preconceito é uma defesa da pessoa, uma forma de lidar com o que lhe causa aflição, o que lhe perturba e provoca, mas que não sabe, inconscientemente, lidar com isso, por desconhecimento, baseado em estereótipos que classificam as pessoas, separando-as por categorias. O sujeito, ainda na infância se apropria de estereótipos, que são produtos sociais e mesmo Freud afirmava: “Contudo. como aquilo que se formou no passado é preservado no presente, podemos supor que aquela dicotomia, por vezes, tome o lugar da experiência."( Crochík)
    Muitas vezes nos surpreendemos com atitudes de pessoas esclarecidas, com posturas preconceituosas em nosso dia a dia e nos questionamos a respeito disso, pois acreditamos que o preconceito deriva da ignorância ou da falta de estudo, atestando, mais uma vez, os nossos próprios estereótipos, de que alguém sem estudo é ignorante e preconceituoso. Bem ao contrário, o preconceito está presente no ser humano de qualquer escolaridade e condição social, e novamente, categorizando as pessoas.
    A criança tende a imitar as pessoas com quem convive, criando padrões de pensamento, não raro coletivos, de uma cultura, grupo étnico-racial ou social. “Papalia (2013) afirma que a criança é exposta - ao que se refere apreconceito - primeiro no ambiente familiar e em seguida quando está em idade escolar e passa a interagir com outras crianças."(Manuel, Oliveira, Silva)
   O educador é um profissional que está diretamente atrelado à formação das crianças, que, preocupados com a construção do conhecimento do aluno, devem atentar-se para os aspectos  motivadores do despertar da curiosidade, abrangendo também as relações interpessoais. Sua influencia tem peso na vida psíquica e emocional do aluno, pois é objeto de transferências, que seriam reedições dos impulsos e fantasias despertadas que trazem como característica a substituição de uma pessoa anterior, comumente os pais, pela pessoa do professor. 
     “Dessa forma, sentimentos de simpatia ou rejeição gratuitos que tanto o professor pode sentir em relação a algum aluno, assim como algum aluno em relação ao professor; podem ter origem nesta premissa, já que os relacionamentos posteriores são obrigados a arcar com uma espécie de herança emocional. Todas as escolhas posteriores de amizade e de amor seguem a base das lembranças deixadas por esses primeiros protótipos.” (Jesus)
     Neste sentido, as pessoas que estão ligadas ao desenvolvimento e formação da criança precisam atentar para seus próprios preconceitos, analisando e revisando seus conceitos, pois existe uma saída para nossas concepções preconceituosas: esclarecimento, informação e boa vontade.

Referencias:
Crochík, José Leon. Preconceito, indivíduo e sociedade. Universidade de São Paulo. 1996.
Acesso em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1996000300004

Jesus, Angela Vujanski de.  RELAÇÃO PROFESSOR/ALUNO NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Pedagogia ao pé da letra. Acesso em: https://pedagogiaaopedaletra.com/relacao-professoraluno-na-educacao-infantil/https://pedagogiaaopedaletra.com/relacao-professoraluno-na-educacao-infantil/


Manuel, Daniela Fiorin Falco Pereira. Silva, Marcus Vinícius. Oliveira, Roselle Fernandes Torres. A origem do preconceito Artigo. Centro Universitário de Itajubá.
Acesso em: http://www.fepi.br/revista/index.php/revista/article/view/260/147










quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Berçários: desafios para o desenvolvimento

   
     Um dos desafios de quem trabalha com Educação Infantil é o que realizar com os pequenos dos Berçários, de modo que não sejam forçados aprendizados que sufoquem com atividades e, em um lado oposto, não somente se cuide das crianças. Muito se fala em estimulação (e mais e mais estimulação), e atividades sensoriais, vista a fase do desenvolvimento em que se encontram, Sensório-motor, segundo Piaget.


     Creio que, como sempre, o bom senso e um olhar atencioso são sempre bem-vindos. Cabe ao professor dar atenção, afeto, estimular a linguagem e os movimentos, e assegurar que as crianças estejam bem alimentadas, asseadas, descansadas, protegidas de qualquer intempérie ou fator qualquer que prejudique e diminua o bem estar das crianças. Porém, desde o nascimento, o bebê começa um processo contínuo de desenvolvimento, conforme avança biológica, psíquica, social, emocional e cognitivamente. Cada dia um novo aprendizado, uma nova experiência que o motivará a seguir adiante no mundo maravilhoso das descobertas e do domínio de suas capacidades.

   
     O bom professor terá um olhar atento sobre as descobertas das crianças e irá instrumentalizar para que ocorram mais avanços e experiências, valendo-se de criatividade e ofereça o elemento surpresa a cada dia, sempre fascinando o pequeno ser. Não é necessário realizar projetos elaborados e usar recursos caros, mas há uma variedade de possibilidades utilizando sucata, objetos simples, ou que a criança conheça, ou elementos da natureza, até mesmo flores que soltam tinta, por exemplo, ampliando a gama de estratégias a utilizar.

     "Ao professor cabe criar desafios fazendo interrogações, dando oportunidades para pensar a fim de estabelecer relações entre as coisas novas que se apresentam e os conhecimentos prévios". (MARQUES)



       Na criança menor de dois anos as estruturas mentais ainda estão começando a se organizar, e após vivenciar esta fase, inicia-se uma nova etapa, a pré-operatória, que se sobrepõe à primeira, como revelou Piaget, para a construção das capacidades humanas e do conhecimento, pela interação com o meio (no caso, a própria sala do Berçário e dependências da escola) e demais crianças, o  necessário para seguir avançando.



Referências: 

MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. Epistemologia Genética. In: SARMENTO, Dirléia Fanfa; RAPOPORT, Andrea e FOSSATTI, Paulo (orgs). Psicologia e educação: perspectivas teóricas e implicações educacionais. Canoas: Salles, 2008.