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domingo, 3 de dezembro de 2017

Colocando "panos quentes"

   Quantas vezes na vida somos enganados pela nossa mente? Quantas distorções fazemos e achamos que estamos certos, mas depois questionamos como foram possíveis tais interpretações? 
   Muitas vezes somos enganados pela mente, ainda mais quando se trata de assuntos que tendem à paixões e fanatismos, em opiniões controversas e com diferentes interpretações. Certos assuntos são polêmicos, como política e religião, por exemplo, onde amizades são arranhadas e até desfeitas. São tantas informações contraditórias, duvidosas e sensacionalistas que recebemos que não é a toa que nosso raciocínio se confunde.
    A ilusão faz parte dos enganos e devaneios que nós mesmo criamos, onde questões do coração e carências cegam para o entendimento. Emoções e expectativas fazem, com frequência, projeções distorcidas que à luz da razão são descabidas.
   Self-deception = mentir para si mesmo, justificado pela própria mente. A explicação para nossas fantasias e erros está neste aspecto da mente. Por isso tanto nossos alunos como todas pessoas cometem enganos e ainda julgam-se corretos, pois as percepções  foram configuradas equivocadamente, e não raramente, os erros são atribuídos a outros.
   Gosto muito de relacionar conceitos científicos com a sabedoria popular, como estes que dizem: "Fulana só escuta o que quer ouvir." Ou "Alguém tem que ser o culpado. Tanto faz quem." Embora sejam frases triviais, esboçam os atalhos e  enganos da mente humana, que "Coloca panos quentes" na realidade e na verdade.



terça-feira, 14 de novembro de 2017

À sombra desta mangueira - reflexões


   
     Dialogicidade é a proposta de Paulo Freire tendo em vista a liberdade de questionar, refletir e discutir em sala de aula, tendo como princípios a natureza humana e a democracia. A comunicação está presente em toda ação humana como fenômeno vital e a informação encurta o tempo e o espaço. 
     Somos seres finitos e inacabados e a consciência disso nos faz buscar constantemente um algo mais, um educar-se. Sem esta consciência seríamos como animais adestrados ou como plantas, cultivadas. O saber-se finito e inacabado permite que sejamos educados. Aí também reside a esperança, fundamental no processo deste projeto de educar-se como ser humano.
     A curiosidade se apresenta como elemento fundamental neste processo, pois move a pessoa a conhecer, compreender e buscar a razão de ser das coisas. Pela curiosidade somos seres disponíveis a indagação e a perguntas que expressam a possibilidade de conhecer. Com esta base fica difícil compreender a memorização forçada que se aplica em sala de aula. A mera curiosidade espontânea, em sala de aula, pode tornar-se epistemológica, pela reflexão crítica e metodologia que converterá o conhecimento comum em conhecimento científico.
      O papel do educador é lançar desafios à curiosidade dos alunos, fazendo valer inúmeros recursos em sala de aula, no contexto escolar, onde se desvelam verdades escondidas a partir desta provocação.
      O pensamento “as coisas são assim porque não podem ser de outra maneira” vai na contramão da curiosidade, da criticidade, da liberdade de buscar informação e conhecimento. Historicamente, governos dominadores preferem podar o cidadão, com indivíduos passivos, que não pensam nem contestam, treinados nas escolas, em vez de formar para a democracia, protestando e transformando o mundo.

Referências: 

Freire, Paulo. À sombra desta Mangueira. Livro. Editora Olho D água. São Paulo, 2000. Pg. 74-82.

domingo, 8 de outubro de 2017

Pontos de vista

    A recente atividade proposta na Interdisciplina FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO veio ao encontro de situações vivenciadas em nosso dia a dia. Após leitura do texto: "O dilema do antropólogo francês", tivemos que defender ou contestar a atitude tomada por ele.
    Esta atividade serviu para nos mostrar que sempre há uma outra opinião, diferente da nossa, que devemos ouvir e respeitar, pois pode estar baseada em outra cultura, outro costume ou moral. Por mais que julgamos correto nosso julgamento, devemos dar oportunidade para o outro se manifestar, e não raramente, acabamos mudando nossa visão sobre o fato ou objeto em questão.

     Argumentar é essencial para expor nosso pensamento, onde defendemos nossa ideia e contestamos o que acreditamos ser diferente. Porém o diálogo entre as partes é necessário, seja em uma discussão, uma conversa com os pais de nossos alunos, com coordenadores pedagógicos ou direção de escola, nas redes sociais, onde deparamos com ofensas e inverdades, ou simplesmente nas conversas em família ou com amigos.

     O dilema moral do texto apresentado foi uma comparação com nossa vida prática, onde temos que tomar atitudes que podem agredir o outro ou a nós mesmos, ora consentindo para o "bem comum", ora indo contra nossos valores, ora facilitando um aluno em situação de reprovação, por exemplo. A ética muitas vezes é violada, dada a relatividade da moral vigente. Este texto vem contemplar nossa defesa, nossa argumentação e faz vermos que temos que expor nosso ponto de vista, mas considerar e respeitar o dos outros. 

Texto apresentado:

"O dilema do antropólogo francês

      Claude Lee, antropólogo francês, há dez anos vive numa ilha de um arquipélago na Polinésia. Sua missão é pesquisar os hábitos dos nativos que lá habitam. Os costumes dos nativos são bastante diferentes dos costumes dos franceses, mas ele tem o cuidado de não julgar o modo como estes nativos vivem, porque tal avaliação sempre seria parcial. Como poderíamos abstrair sinceramente a concepção de mundo que herdamos da nossa cultura e avaliar imparcialmente todas as culturas?
     O antropólogo tem ainda outro argumento: qual seria a medida pela qual julgaríamos as culturas. Existem quesitos transculturais que nos permitem avaliar toda e qualquer cultura? A reposta do antropólogo é não: toda avaliação está condicionada pelo cultura do avaliador.
     Assim, Claude decidiu jamais interferir no modo-de-vida dos habitantes do arquipélago. Entre os costumes destes, existe o de considerar intocável o povo da ilha X, pois seriam feitos de uma substância diferente daquela da qual os seres humanos são constituídos, de tal modo que, ao se tocar um morador da ilha X, ele se transformaria em areia e água.
    Num dia de temporal muito forte, um náufrago veio dar na ilha onde o antropólogo estava morando. Ele percebeu que este homem era habitante da ilha X e que estava bastante ferido, mas que poderia ser facilmente curado, desde que os nativos o cuidassem. Estes, contudo, por força de seu costume, não querem tocar no náufrago
   Claude Lee, após refletir sobre o assunto, decidiu continuar não intervindo nos costumes dos nativos da ilha." (Autoria desconhecida).







sábado, 16 de setembro de 2017

Uma questão de ética


     A ética e a moral andam lado a lado, porém,  "O que significam, refletem e interferem na vida em sociedade?"

     "A palavra ética é oriunda do grego ethos, que é o espaço simbólico construído pelas práticas de um povo. O ethos nasce da interação dos indivíduos visando o que é bom e certo para a coletividade, e o resultado desta interação é transmitido às futuras gerações. É, portanto, uma construção social e histórica. O ethos é, portanto, o rosto de um povo... A moral, por sua vez, é um confronto pessoal entre aquilo que somos e a aquilo que devemos ser." (Carneiro)

    Percebemos o quanto é conflitante decidir posturas e atitudes, visto que estas definem vidas e rumos. "A ética, então, tem a função de nos apoiar em nossas escolhas morais." (Carneiro). Os valores éticos mudam com o tempo, pois acompanham a moral vigente, seja esta louvável ou depreciativa.
    Como a ética é uma reflexão sobre algo já consolidado, portanto, surge uma pergunta sobre uma questão recorrente no país: "Que ética tem-se acerca da "nova moral" vigente, da corrupção corriqueira que o brasileiro está acostumado e a sociedade é conivente?


    Como educadores, temos um compromisso com a ética, e questiono: "O que fazemos para restaurar estas distorções estabelecidas, construindo uma sociedade  mais ética?"

      Penso que o professor tem em suas mãos a semente de uma sociedade mais ética, começando com seu papel de referencia na vida dos alunos, sendo um questionador crítico do mundo.  As atitudes corretas devem ser valorizadas, não sendo conivente com situações repreensíveis, como fazendo "vista grossa" para o errado.
     Precisa-se  instaurar o que é certo e o que é errado, fazer o aluno pensar sobre o bom e o ruim, perceber o que prejudica o outro e o que agrega, pois estes fatores comumente confundem-se, onde surge o pensamento do "não há certo ou errado", valendo lembrar que liberdades terminam onde começam os direitos do outro, e assim, que não podemos aceitar a corrupção e injustiças, por exemplo. 
   Devemos, como professores, partir do princípio de que quanto mais o aluno questionar, tendo referencias e criticidade, mais terá parâmetros para avaliar escolhas e atitudes. 


Referencias:

CARNEIRO, Alfredo de Moraes Rêgo.  Filosofia Contemporânea. Qual a diferença entre ética e moral? Filosofia na rede. (setembro/2017).Acesso em: