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domingo, 3 de dezembro de 2017

Considerações - a importância de conhecer os alunos


  • Como professora, sei da importância de conhecer cada criança, sua cultura, diferenças étnico-raciais, origem, e a realidade de suas famílias, para compreendê-las melhor, tanto psíquica, emocional e cognitivamente, e realizar o processo ensino-aprendizagem.


O tema aprender e ensinar em meio a relações étnico-raciais, portanto em contextos de sociedades multiculturais como a nossa, é amplo, vasto e permite muitas aproximações... No Brasil, temos de tratar juntos indígenas, afrodescendentes, descendentes de europeus e de asiáticos, sem medo das tensões, abertos a nossa diversidade, sem querer ninguém ser o melhor, o superior.” (Gonçalves e Silva)


  • Com o intuito de qualificar e humanizar a prática docente, precisamos conhecer nossos alunos.


"Em todas as dimensões do cuidar e educar é necessário considerar a singularidade de cada criança com suas necessidades, desejos, queixas, bem como as dimensões culturais, familiares e sociais”. (MEC)


  • Fundamental:

Conhecer - respeitar - compreender - valorizar -   auxiliar/ensinar o aluno.

domingo, 24 de setembro de 2017

Uma visão sobre os indígenas


Estereótipos


     Nossa geração ainda tem em mente a imagem de um indígena selvagem, seminu, morando na floresta. Vemos ora vítima, ora guerreiro, ou atrasado. Fomos ensinados assim, vimos desenhos que representavam desta maneira nos livros escolares.
   Pouco se sabe, na verdade, sobre a cultura indígena, salvo historiadores e o que aparece na mídia. Temos pouco contato com indígenas e quando temos, ficamos observando como se fossem seres exóticos, vivendo outra realidade. A cultura indígena tem suas particularidades, sua arte, crenças, hábitos e forma de ver a vida e a natureza, dando a esta valor imensurável. Cada cultura é uma forma de viver neste planeta, e a indígena, sem dúvida, faz de maneira respeitosa e interativa.

O indígena brasileiro – dados oficiais

     Segundo o IBGE, “há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.”(FELLET)
   Conforme o IBGE, houve uma retomada do indígena às áreas tradicionais, optando pela convivência mais isolada, em meio à natureza:

     “Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas “retomadas”, quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.
      Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.”(FELLET)

Comunidade indígena na cidade de Farroupilha,
na serra gaúcha.


     Embora ainda muitos indígenas vivem em cidades, a maioria mora em reservas demarcadas ou  aldeias específicas e sobrevivem de artesanato de palha e taquara, cerâmica e outros em madeira. Sofrem muito preconceito, pois a ignorância da sociedade não consegue compreender sua natureza e costumes. Assimilamos diversos hábitos vindos dos indígenas, como dormir na rede, tomar banho todos os dias ou comer milho, por exemplo. 

     “No contato, a todo o momento são postos à prova quanto as suas identidades étnicas, visto que a concepção que predomina nas sociedades não-indígenas é de povos do passado, não compreendendo que a dinâmica cultural, que é própria de todas as sociedades, faz com que incorporem alguns elementos da cultura ocidental, o que não significa que deixaram de se identificar como indígenas.” ( BERGAMASCHI, GOMES)

A educação



      A educação entre os povos indígenas valoriza a criança, que merece ser tratada com delicadeza, ao mesmo tempo em que desenvolve a autonomia, tornando-se muito independente. Liberdade talvez seja a principal característica dos povos indígenas, que tem um modo específico de ver a vida. Os indígenas valorizam a língua falada e seus conhecimentos são passados dos mais velhos aos mais novos. Porém o indígena da atualidade está conectado com o mundo, estuda, cursa universidade e usufrui das vantagens da era digital. O índio dos dias de hoje se veste com roupa normal, o que não o descaracteriza, mas nos lembra que todos mudamos com o tempo.

     “Se os povos indígenas empreendem esforços para concretizar o diálogo intercultural, nos levam a pensar que se a proposta educacional é conviver e efetuar trocas com as sociedades indígenas, a escola terá que fazer um esforço para conhecer esses povos, sua história e sua cultura e, mais especialmente, afirmar uma presença que supere a invisibilidade histórica que se estende até o presente. Apesar da colonização, do genocídio, da exploração, da catequização, da tentativa de assimilar os indígenas à sociedade nacional, estes povos mantiveram-se aqui, resistentes, mesmo que por vezes silenciosos.” ( BERGAMASCHI,GOMES)


Os Bugres - Kaigangs

     Moro na encosta da serra, em São Vendelino, que fica próximo de Farroupilha, onde há uma aldeia indígena, com 20 famílias, uma igreja evangélica e uma escola. Os bugres, comumente chamados, vivem em contato direto com a natureza e sobrevivem vendendo seus artesanatos nas ruas das cidades próximas. 



     Em minha cidade ocorreu a história de Luís Bugre, um garoto indígena que se perdeu da tribo e foi criado por meu bisavô, colono português, até a idade adulta. Contam que era hábil caçador, guia dos imigrantes, mas também tinha seu lado rebelde e sofria com as zombarias dos colonos alemães, isso no século XIX. Possivelmente estes preconceitos geraram revoltas, como na história local de extermínio da família Versteg, pelos indígenas, como relata reportagem recente no Jornal NH. http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2017/09/webtv/2172432-conheca-a-historia-do-indio-luis-bugre-luis-bugre-e-o-ataque-aos-vertsteg.html

Referências:

 BERGAMASCHI, Maria Aparecida. GOMES, Luana Barth. Currículo sem fronteiras. A TEMÁTICA INDÍGENA NA ESCOLA: ensaios de educação intercultura. Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. 2012. 

ERTEL, Débora. NH (Jornal digital). A lenda de Luís Bugre. Vídeo. 2017.

FELLET, João. BBC Brasil. Revista Prosa Verso e Arte (Revista digital). 305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil. (2016)

FRONZA, Raquel. Pioneiro (Jornal digital).Conheça a única comunidade indígena da Serra gaúcha, em Farroupilha. 2015.

domingo, 10 de setembro de 2017

Questões étnico-raciais na Educação Infantil

     Como podemos, nós professores da educação infantil, contribuir para uma nova geração livre de preconceitos, respeitando as diferenças e que tenha conhecimento e valorize a cultura negra?

     A educação infantil, ainda mais nas turmas iniciais, revela para a criança, junto com a família, o mundo. Esta apresentação do mundo, e dela ao mundo, é permeada por afeto, corporeidade, paciência e ludicidade, e o professor deve ter o cuidado de não passar uma visão distorcida, muitas vezes de cunho pessoal, para a criança. Em primeiro lugar é o professor quem precisa estar aberto ao mundo, revendo seus conceitos, pra que esteja livre de PRE- conceitos e que não transmita erroneamente aos alunos tão pequenos.
     Na escola infantil em que atuo não tem crianças negras e há poucos afrodescendentes no município, que é muito pequeno (São Vendelino, no vale do Caí). Portanto, para a maioria das crianças locais, alemãs em sua grande maioria, o contato é mínimo. Porém, torna-se fundamental apresentar para as crianças o diferente. "Cabe observar que, embora os conteúdos da Educação Infantil não sejam organizados em componentes curriculares, os temas referentes à História e Cultura Afro-Brasileira e Africana devem estar presentes no conjunto de todas as atividades desenvolvidas com as crianças."(Conselho Nacional de Educação)
     Ao professor cabe buscar informações que lhes sejam úteis, como legislação, a história e cultura dos povos africanos e seus descendentes brasileiros, e procurar práticas que envolvam as questões étnico-raciais. Aos alunos, é fundamental apresentar a diversidade de etnias e raças que constituem a população brasileira, bem como sua cultura, história, valores, música, dança, personagens históricos, literatura, arte e tantos outros aspectos, da mesma forma que faz com as outras culturas.
A família deve fazer parte do processo de educar a nova geração,
 livre de preconceitos.

     Precisamos educar as novas gerações para a convivência com o diferente, sendo todos iguais, sem distinção. As gerações passadas tiveram mais dificuldade em lidar com o diferente, pois havia o medo incutido, a generalização. Não é tarefa fácil mudar mentalidades, mas com a globalização, os direitos assegurados, e principalmente, educação, os que estão crescendo agora respeitarão as diferenças e irão conviver livres de preconceitos.  O professor de educação infantil tem que minimizar ao máximo indícios de preconceito que ora surgirem entre as crianças, apresentando atividades que, ludicamente, valorizem as diferentes culturas e etnias, de forma prazerosa e interessante.

Atividade realizada com o Berçário 2, onde o boneco Théo,
pardo e afrodescendente, vai na casa das crianças.