O desejo de
saber surge na criança a partir da descoberta que o outro é diferente,
que o corpo de um menino difere de uma menina, ou que ideias e opiniões podem
ser distintas entre um homem e uma mulher. A angústia que sentimos desde o
nascimento, por percebermos que o seio materno não é mais oferecido, que as
fezes saem da gente e vão embora... São exemplos que mostram que estamos em
constante luta para compreendermos a vida, o mundo, as perdas.
O desejo de saber como são as
coisas, como funcionam, como acontecem, brotam desta frustração e surgem as
pulsões, que são canalizadas para o conhecimento, em diversas áreas.
A partir daí começa uma interação
professor-aluno, comumente amorosa. O professor surge como uma
referencia na vida do aluno, muitas vezes comparada a relação parental, em
substituição, naquele tempo e espaço, da figura materna ou paterna.
Na transmissão do conhecimento ocorre uma transferência de saberes, embora o que é transmitido pelo professor é mentalmente selecionado pelo aluno, frente á vasta gama de interesses que ele tem. Porém o professor continua repassando, mesmo sabendo que nem tudo será assimilado.
Trabalhando com crianças em torno
de 18 meses a 2 anos, ocorre exatamente assim: uma intensa troca afetiva,
a figura da professora como aquela que ensina as primeiras noções de viver em
sociedade, a cantar, a ouvir histórias, a ter cuidado com a higiene e cuidado
do corpo, a segurar a colher, por exemplo.
Mas também é aquela pessoa que faz a transferência,
recebe a contratransferência toda vez que é surpreendida,
como também confirma com seu olhar que há muito de interessante neste mundo
para descobrir e sempre responde a todos os porquês com um sorriso.


Olá, Claudia!
ResponderExcluirGostei muito da sua postagem! Acredito que você conseguiu reunir nela diversos conceitos da psicanálise com a sua vivência cotidiana com as crianças! O texto ficou claro, instrutivo e muito bem construído. Assim, considero essa sua postagem consistente e qualificada! Um abraço!