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domingo, 3 de junho de 2018

Porque sou professora?

    Perguntando para um professor de jovens e adultos sobre porque escolheu, ou decidiu, ser professor, fiz, na verdade, uma introspecção, um questionamento a mim mesma.

     Porque escolhi ser professora, entre tantas outras possibilidades, uma vez que já trabalhava em outra área por mais de uma década? Porque achei que valeria a pena estudar, prestar concurso público e cuidar/educar os filhos dos outros, uma vez que sou professora de educação infantil? Porque enfrentar tantos desafios? 

     A resposta é individual, conforme as vivências e anseios de cada pessoa. Considero importante fazermos esta pergunta de tempos em tempos para nos situarmos em nossas próprias escolhas e encontrarmos, mais do que as respostas, o sentido e a motivação necessárias para continuar.
    Muitas vezes ouvimos, até de renomados pensadores, que não deveríamos sermos chamados de educadores, pois a função de educar é da família, que o professor apenas ensina áreas diversas do conhecimento e reforça a educação aprendida em casa. Não que eu discorde, ao contrário, porém educar um ser humano em formação é responsabilidade de todos que fazem parte da infância desta criança, pois se o filho frequenta uma escola, está sob responsabilidade dos professores durante a aula ou turno. Por esta razão considero que devemos ser influenciadores positivos na vida desta criança, cabendo a nós advertir quando são desrespeitosos ou não levam nada a sério, por exemplo. Ouvimos, algumas vezes, que não temos nada a ver com o aluno, mas ficamos, muitas vezes, mais com as crianças que os próprios pais. 
     O antropólogo e folclorista mineiro Tião Rocha, que defende a ideia de educar em ambientes não somente escolares, nos afirma: "Educação só acontece no plural, o eu sozinho não educa e não se educa." Acredito que deve haver parceria por parte da escola e das famílias, pois como diz um provérbio africano: "Para educar uma criança é necessária toda uma aldeia." Grande ensinamento.
    A partir disto, minhas perguntas começam a serem respondidas, pois uma das razões que escolhi ser professora é ser colaborada na criação de um mundo melhor.


Referências:

http://redeglobo.globo.com/acao/noticia/2013/12/antropologo-e-folclorista-prova-que-e-possivel-fazer-educacao-sem-escola.html Antropólogo e folclorista prova que é possível fazer educação sem escola. 2013.



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Gaiolas ou asas


     Rubem Alves, professor e escritor mineiro, deixou-nos a célebre frase: "Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas", e a partir desta máxima, começamos a observar melhor nossa forma de ensinar, com pensamento crítico sobre nosso papel na educação.


      Surge o questionamento: somos aqueles (professores) que armam o alçapão para pegar os "pássaros" afim de colocar em gaiolas para aprenderem somente o que queremos que aprendam e se "comportem" adequadamente, sem sair das grades imaginárias que traçamos? Ou propiciamos que abram as asas, gradativamente, e lancem voo, para conhecerem o céu do conhecimento, com a liberdade de pensarem por suas próprias mentes, interagindo e questionando o mundo em volta?
     Quem e como somos, afinal? Como é minha postura frente aos conteúdos que tenho que passar, quanto permito a manifestação em sala de aula, quanto possibilito que descubram por eles mesmos as verdades deste mundo? O quanto estimulo os menores, na educação infantil, para que acreditem em si, nas suas capacidades e desenvolvam seu potencial, a autonomia, a descoberta de suas possibilidades, sem podar iniciativas, por mais corriqueiras que pareçam?
      Penso que a partir da percepção de "ser gaiola" ou de "ser asa", como comparou Rubem Alves, cada professor, em sua escola, deve refletir sobre sua prática e buscar, ao máximo, aproximar-se do ideal de dar asas aos seus alunos, para que aprendam por si mesmos, com a figura do decente como um orientador amoroso, ensinando manobras, rotas, mapas e propondo atividades que permitam ao aluno fazer suas próprias descobertas e construções.

Referências:
ALVES, Rubem. Gaiolas ou asas. In: ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 29-32.


                                                                                                                                                                                                                    

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Professores brilhantes

 Assistindo o horário político de televisão, constatei que alguns professores lançaram candidatura e fazem seu breve pronunciamento. Chamou minha atenção o fato de intitularem-se "Professor José", Professora Maria", Professor este ou aquele.
 Nos demais canditados aparece somente o nome, ou um apelido acompanhando. Fiquei, então, pensando: qual é o diferencial do professor para as demais profissões? Até porque é raro ouvirmos "Mecânico tal", Doutora tal", ou no máximo "Paulo, da saúde", por exemplo.
  Acredito que ser professor ainda tem status positivo e diferenciado na sociedade. Talvez não status sócio-econômico, mas de valores, de integridade, de respeito e diferencial cultural, pois ele, o professor, é aquela pessoa que passa estas noções aos mais novos. 
  Muitos professores  serão lembrados, ao longo de nossa vida, não pela roupa usada ou pelo carro que tiveram, mas pelo brilho pessoal e por sua importância em nossa formação. Alguns serão eternos em nossa memória, principalmente aqueles que apostaram na gente: os que incentivaram nas horas de desânimo, abriram nossa mente para o mundo, ensinaram para a vida e cobraram nosso esforço.
  Por isso que acrescentar a palavra Professor sempre será a distinção na sociedade, com uma valorização muitas vezes velada, mas real. Pois "Professores brilhantes ensinam para uma profissão. professores fascinantes ensinam para a vida."(Augusto Cury)

sábado, 14 de novembro de 2015

O desejo de saber


    O desejo de saber surge na criança a partir da descoberta que o outro é diferente, que o corpo de um menino difere de uma menina, ou que ideias e opiniões podem ser distintas entre um homem e uma mulher. A angústia que sentimos desde o nascimento, por percebermos que o seio materno não é mais oferecido, que as fezes saem da gente e vão embora... São exemplos que mostram que estamos em constante luta para compreendermos a vida, o mundo, as perdas.

    O desejo de saber como são as coisas, como funcionam, como acontecem, brotam desta frustração e surgem as pulsões, que são canalizadas para o conhecimento, em diversas áreas.

   Quando vai a escola, a criança, de certa forma, é disciplinada e tem que seguir as normas da escola. Seu desejo de saber é direcionado para os ensinamentos do professor, para conteúdos pré-determinados. 

   A partir daí começa uma interação professor-aluno, comumente amorosa. O professor surge como uma referencia na vida do aluno, muitas vezes comparada a relação parental, em substituição, naquele tempo e espaço, da  figura materna ou paterna. 

     Na transmissão do conhecimento ocorre uma transferência de saberes, embora o que é transmitido pelo professor é mentalmente selecionado pelo aluno, frente á vasta gama de interesses que ele tem. Porém o professor continua repassando, mesmo sabendo que nem tudo será assimilado.  


   Trabalhando com crianças em torno de 18 meses a 2 anos, ocorre exatamente assim: uma intensa troca afetiva, a figura da professora como aquela que ensina as primeiras noções de viver em sociedade, a cantar, a ouvir histórias, a ter cuidado com a higiene e cuidado do corpo, a segurar a colher, por exemplo.

  Mas também é aquela pessoa que faz a transferência, recebe a contratransferência toda vez que é surpreendida, como também confirma com seu olhar que há muito de interessante neste mundo para descobrir e sempre responde a todos os porquês com um sorriso.