Trabalho com Berçário 2, crianças entre 18 meses e 2 anos de idade, e lendo o texto “Concepções do brincar na psicologia” de autoria de Therezinha Vieira, Alysson Carvalho e Elisabeth Martins, da
Interdisciplina LUDICIDADE E EDUCAÇÃO, pude confirmar e compreender melhor a etapa em que elas se
encontram em seu desenvolvimento, em relação ao brincar.
No texto, as autoras fazem uma menção importante ao
pensamento de Donnald Winnicott, que afirma que a partir de um momento, a
criança deixa de se sentir unida à mãe, literalmente, para começar a ser
independente e explorar o mundo em volta, experimentando sensações novas, em um
processo que vai da insegurança, frustração e medo à confiança.
Os laços que unem mãe e filho, aos poucos deixam de ser
físicos para um relacionamento afetivo entre dois seres independentes, que têm
sentimentos, angústias e necessitam de todo um tempo de adaptação. Neste período a criança aprende que a mãe
vai, mas retorna. Faço o comparativo com as crianças da EMEI, que no começo do
ano, ao ingressarem na turma nova de Berçário 2, ainda são pequenas, com
vínculo muito forte à mãe. Com o passar do tempo a criança se acostuma com a
rotina de chegar à escola, ser acolhida pela professora, que lhe dá afeto e
atenção durante o dia, e à tardinha volta para a mamãe, em grande felicidade,
no estabelecimento de uma afetuosa parceria e confiança. Este processo é chamado de
espaço potencial ou transacional, segundo Winnicott. Muitas vezes a criança
precisa de uma referência simbólica para transpor esta fase de insegurança,
como um paninho, um travesseiro ou um bichinho de pelúcia, absolutamente
normais e desejáveis para facilitar essa travessia.
Surgem aí os conceitos de adaptação, assimilação e acomodação, que Piaget introduziu no
estudo do desenvolvimento das estruturas cognitivas. No caso das crianças da
minha turma, já passaram pela adaptação, estão modificando a realidade na
assimilação, e estão, gradualmente construindo suas estruturas cognitivas com a prática do brincar, que consequentemente
vai estabelecendo a acomodação destas
estruturas, ocorrendo o que Piaget chama de adaptação
inteligente.
Com o passar do tempo, as crianças irão elaborar cada vez
mais suas brincadeiras, entendidas como processos de construção de estruturas
mentais. Através do faz de conta a
criança faz experimentos da realidade, ela manifesta o que há de ser e reproduz
situações vividas, muitas vezes trocando os papéis. Ela, brincando de
professora na sala, passa mentalmente a ser
a professora e os colegas seus alunos, até mesmo a educadora pode assumir o
papel de aluna, para ela.
Surgem, então, os conceitos como a zona de desenvolvimento proximal, como Vygotsky sugeria. A criança
que resolve sozinha seus problemas encontra-se na zona de desenvolvimento real, a que ainda necessita de ajuda de um
adulto, embora seja potencialmente capaz, na zona de desenvolvimento potencial e finalmente, a fase intermediária que liga uma à outra,
chama-se zona de desenvolvimento proximal.
Na zona de desenvolvimento proximal encontram-se as brincadeiras, que irão
contribuir para sua evolução, com a orientação de um adulto que a conduzirá a
solucionar seus problemas.
Lendo este texto, “Concepções do brincar na Psicologia”,
consegui estabelecer uma relação precisa entre a realidade da faixa etária de meus alunos, com seus
medos e avanços, com os fundamentos da Psicologia, que explicam as situações
vividas na realidade de minha turma.
Referências:
Concepções do brincar na psicologia.pdf
Oi Cláudia!
ResponderExcluirMuito boa tua reflexão, é ótimo poder relacionar a nossa prática aos estudos e perceber que as coisas se encaixam.
Att,
Tutora Rocheli