terça-feira, 19 de abril de 2016

Winnicott, Piaget e Vygotsky - fazendo comparativos com a realidade escolar


     Trabalho com Berçário 2, crianças entre 18 meses e 2 anos de idade, e lendo o texto “Concepções do brincar na psicologia” de autoria de Therezinha Vieira, Alysson Carvalho e Elisabeth Martins, da Interdisciplina LUDICIDADE E EDUCAÇÃO, pude confirmar  e compreender melhor a etapa em que elas se encontram em seu desenvolvimento, em relação ao brincar.
     No texto, as autoras fazem uma menção importante ao pensamento de Donnald Winnicott, que afirma que a partir de um momento, a criança deixa de se sentir unida à mãe, literalmente, para começar a ser independente e explorar o mundo em volta, experimentando sensações novas, em um processo que vai da insegurança, frustração e medo à confiança.
     Os laços que unem mãe e filho, aos poucos deixam de ser físicos para um relacionamento afetivo entre dois seres independentes, que têm sentimentos, angústias e necessitam de todo um tempo de adaptação.  Neste período a criança aprende que a mãe vai, mas retorna. Faço o comparativo com as crianças da EMEI, que no começo do ano, ao ingressarem na turma nova de Berçário 2, ainda são pequenas, com vínculo muito forte à mãe. Com o passar do tempo a criança se acostuma com a rotina de chegar à escola, ser acolhida pela professora, que lhe dá afeto e atenção durante o dia, e à tardinha volta para a mamãe, em grande felicidade, no estabelecimento de uma afetuosa parceria e confiança. Este processo é chamado de espaço potencial ou transacional, segundo Winnicott. Muitas vezes a criança precisa de uma referência simbólica para transpor esta fase de insegurança, como um paninho, um travesseiro ou um bichinho de pelúcia, absolutamente normais e desejáveis para facilitar essa travessia.

    Quando, na escola, a criança passa a se sentir segura, naturalmente começa a interagir com os colegas de turma, explorar o espaço físico e brincar. Ela também começa a enfrentar desafios, importantes para seu desenvolvimento. Ela começa a resolver problemas, criando estratégias para obter o que deseja. Daí a importância de deixar a criança livre e não facilitar demais, pois se tirou o chinelo, por exemplo, ela poderá aprender a colocá-lo novamente, considerando as devidas limitações motoras. Assim também com outros aspectos, como alimentação ou buscar um brinquedo no outro lado da sala, por exemplo.
     Surgem aí os conceitos de adaptação, assimilação e acomodação, que Piaget introduziu no estudo do desenvolvimento das estruturas cognitivas. No caso das crianças da minha turma, já passaram pela adaptação, estão modificando a realidade na assimilação, e estão, gradualmente construindo suas estruturas cognitivas  com a prática do brincar, que consequentemente vai  estabelecendo a acomodação destas estruturas, ocorrendo o que Piaget chama de adaptação inteligente.
 
    Com o passar do tempo, as crianças irão elaborar cada vez mais suas brincadeiras, entendidas como processos de construção de estruturas mentais. Através do faz de conta a criança faz experimentos da realidade, ela manifesta o que há de ser e reproduz situações vividas, muitas vezes trocando os papéis. Ela, brincando de professora na sala, passa mentalmente a ser a professora e os colegas seus alunos, até mesmo a educadora pode assumir o papel de aluna, para ela.
    Surgem, então, os conceitos como a zona de desenvolvimento proximal, como Vygotsky sugeria. A criança que resolve sozinha seus problemas encontra-se na zona de desenvolvimento real, a que ainda necessita de ajuda de um adulto, embora seja potencialmente capaz, na zona de desenvolvimento potencial e finalmente,  a fase intermediária que liga uma à outra, chama-se zona de desenvolvimento proximal. Na zona de desenvolvimento proximal encontram-se as brincadeiras, que irão contribuir para sua evolução, com a orientação de um adulto que a conduzirá a solucionar seus problemas.

     Lendo este texto, “Concepções do brincar na Psicologia”, consegui estabelecer uma relação precisa entre a realidade da faixa etária de meus alunos, com seus medos e avanços, com os fundamentos da Psicologia, que explicam as situações vividas na realidade de minha turma.


Referências: 

Concepções do brincar na psicologia.pdf 

Um comentário:

  1. Oi Cláudia!
    Muito boa tua reflexão, é ótimo poder relacionar a nossa prática aos estudos e perceber que as coisas se encaixam.
    Att,
    Tutora Rocheli

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