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sábado, 2 de julho de 2016

Expressividade


  Ser uma pessoa expressiva significa  revelar com clareza o que se pretende dizer, transmitindo, assim, o pensamento.
  Muitas crianças apresentam dificuldade para transmitirem o que desejam, sentem, o que lhes desagrada e o que gostam. O professor, em sua sensibilidade, pode estimular o aluno de tal forma que ele consiga se manifestar, buscando alternativas lúdicas que façam com que sua expressividade seja desenvolvida.
    Ao longo dos anos, em minha experiência com educação infantil, tenho lidado com muitas situações que nos desafiam. Aos nossos cuidados, são entregues crianças que não falam quase nada, que não compreendemos o que querem, mostrando-se apáticas, tímidas ou até revoltadas, pois esta também é uma manifestação, mesmo arbitrária, de algo que as angustia e não consegue revelar, entre outras situações. 
   Neste semestre, que está terminando, foram apresentadas possibilidades que podem ser usadas para desenvolver a expressividade nas crianças. As interdisciplinas de Música, Ludicidade e Literatura, com seus conteúdos, e principalmente, com a janela que abriram em nossa mente, ofereceram formas de trabalhar a comunicação e a expressão com os pequenos. 
   Histórias, poesias, dramatizações e parlendas podem ser utilizadas de forma dinâmica e criativa, pois um aluno com dificuldade de se integrar, por exemplo, pode começar a fazê-lo a partir da identificação com um personagem. O próprio "Patinho feio" não era feio ou "errado", apenas estava deslocado, mas ao encontrar semelhantes, sentiu-se lindo como seus irmãos e sua mãe. 
   Brincadeiras e jogos também servem para aproximar colegas, como dar as mãos para aquele que desconhecemos, se sentir parte integrante de um grupo, enfim, socializar, aprendendo a conviver. Atividades em grupo, em que um depende do outro, aproximam e geram confiança. Podemos compreender isto quando observamos as brincadeiras na escola, assim como constata a fonoaudióloga Cyrce Andrade:
   "É preciso enxergar o brincar como a maneira que os pequenos tem de produzir cultura e a forma de expressão da infância por excelência." "...a escola, por ser um dos raros lugares que os pequenos tem de conviver com os colegas hoje, seja um ambiente que privilegie o brincar em grupo." 
 A música oferece inúmeras possibilidades de aumentar as formas de expressão. O próprio canto já promove um "sair de si", um "ir além" do que a timidez permite. O canto espontâneo, natural desde os primeiros balbucios do bebê, como nos diz Parizzi, deve ser valorizado: 
"O canto espontâneo é uma das mais importantes formas de expressão da criança, tão significativa quanto o desenho, a gestualidade e o comportamento infantil."  
  A música, conforme o direcionamento, pode induzir à dança, à meditação, imitações, rimas e repetições, faz de conta, brincadeiras de roda, entre outras possibilidades.
   Cabe, portanto, ao professor perceber as dificuldades de seu aluno e conduzir na busca pela expressividade.

Referências:

Parizzi, Maria Betânia - O canto espontâneo da criança de zero a seis anos: dos balbucios às canções transcendentes.
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/2006%20O%20canto%20espont%C3%A2neo%20da%20crian%C3%A7a%20de%20zero%20a%206%20anos.%20PARIZZI%20(1).pdf

"Brincar é a forma de expressão das crianças"(Cyrce Andrade)
Revista Nova Escola, edição de setembro de 2010, por Beatriz Vichessi, encontrada em:
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/Brincar%20%C3%A9%20a%20forma%20de%20express%C3%A3o%20das%20crian%C3%A7as.pdf





terça-feira, 24 de maio de 2016

Estabecendo relações e compreendendo o mundo


      Para a criança conseguir estabelecer relações e compreender o mundo à sua volta, necessita fazer associações, interações e utilizar símbolos que representem o mundo real. Faz por meio da brincadeira, dos jogos de exercício, seguindo jogos normatizados, reproduzindo o mundo real, simbolicamente, pela sua imaginação, e por fim faz sua interpretação de mundo, conforme o seu grau de desenvolvimento e faixa etária.


    A criança nasce ligada à mãe e, aos poucos, começa a manter contato com outras pessoas, cuidadores, membros da família, outros bebês. Começa a interagir no espaço físico e estabelece relações. Inicialmente, a interação se dá por imitação, depois começa a indicar o que deseja e cria estratégias para obter. Esta relação com o outro e o mundo em volta, sejam objetos, alimentos ou pessoas, começa a ser divertida e a criança brinca com as situações. Um bebê que tapa os olhos e acredita que assim estará ausente, cria um jogo de aparição e esconderijo. O adulto, ou mesmo criança, entrando no jogo,  tornará a brincadeira ainda mais interessante e enriquecedora em termos de aprendizagem. Esta criança brinca, mas na verdade, estabelece relações com o exterior através destes jogos de exercício, repetição e imitação.

     Com o passar do tempo a criança começa a jogar simbolicamente, criando e incorporando personagens, fazendo de conta que suas brincadeiras são reais, pois em sua mente acredita que sim, em vista de seu desenvolvimento e compreensão. A criança em torno de dois anos de idade utiliza-se de símbolos que representem o mundo real, que por sua imaturidade, não compreende completamente. Vamos supor que a criança foi ao dentista e impressionou-se com a experiência. Será bastante possível que ao chegar em casa, suas impressões se transformem em uma brincadeira, muitas vezes com inversão de papéis, como ela ser o profissional e uma boneca ou ursinho o paciente, que necessita ficar quieto e se sujeitar às intervenções do dentista. Do mesmo modo, percebemos nas escolas as crianças reproduzindo situações vivenciadas em casa, opressões ou mesmo traumas.
     Conforme avança em idade e desenvolvimento, a criança passa a se interessar por desafios maiores, que integrem outros grupos, com jogos onde regras determinam o bom andamento da brincadeira. Gostam de jogos ao ar livre, envolvendo equipes, com bola, corda e outros recursos, desenvolvendo, assim, as capacidades físicas e outros aprendizados importantes da vida em sociedade, como ganhar e perder, esperar a vez, ter honestidade e respeito para com os demais. Os jogos de tabuleiro, dados, cartas, cartelas e blocos fazem, igualmente, parte do repertório que abrange o aprendizado infantil neste sentido.
     Posteriormente, o então adolescente, irá se interessar por jogos ainda mais desafiadores, como palavras cruzadas, por exemplo, pois desenvolve simultaneamente a memória e o raciocínio, como exige acertar a resposta associando com o encaixe das letras na grade, indicada no jogo. Os jogos tecnológicos também desafiam e fazem parte do cotidiano dos adolescentes.

     Todo jogo e brincadeira, desde a primeira infância até a fase adulta serve para entreter, divertir, estimular os aspectos cognitivos ou motores - conforme a fase de desenvolvimento, socializar, aprender regras e principalmente promover aprendizados de forma lúdica e prazerosa.


terça-feira, 19 de abril de 2016

Winnicott, Piaget e Vygotsky - fazendo comparativos com a realidade escolar


     Trabalho com Berçário 2, crianças entre 18 meses e 2 anos de idade, e lendo o texto “Concepções do brincar na psicologia” de autoria de Therezinha Vieira, Alysson Carvalho e Elisabeth Martins, da Interdisciplina LUDICIDADE E EDUCAÇÃO, pude confirmar  e compreender melhor a etapa em que elas se encontram em seu desenvolvimento, em relação ao brincar.
     No texto, as autoras fazem uma menção importante ao pensamento de Donnald Winnicott, que afirma que a partir de um momento, a criança deixa de se sentir unida à mãe, literalmente, para começar a ser independente e explorar o mundo em volta, experimentando sensações novas, em um processo que vai da insegurança, frustração e medo à confiança.
     Os laços que unem mãe e filho, aos poucos deixam de ser físicos para um relacionamento afetivo entre dois seres independentes, que têm sentimentos, angústias e necessitam de todo um tempo de adaptação.  Neste período a criança aprende que a mãe vai, mas retorna. Faço o comparativo com as crianças da EMEI, que no começo do ano, ao ingressarem na turma nova de Berçário 2, ainda são pequenas, com vínculo muito forte à mãe. Com o passar do tempo a criança se acostuma com a rotina de chegar à escola, ser acolhida pela professora, que lhe dá afeto e atenção durante o dia, e à tardinha volta para a mamãe, em grande felicidade, no estabelecimento de uma afetuosa parceria e confiança. Este processo é chamado de espaço potencial ou transacional, segundo Winnicott. Muitas vezes a criança precisa de uma referência simbólica para transpor esta fase de insegurança, como um paninho, um travesseiro ou um bichinho de pelúcia, absolutamente normais e desejáveis para facilitar essa travessia.

    Quando, na escola, a criança passa a se sentir segura, naturalmente começa a interagir com os colegas de turma, explorar o espaço físico e brincar. Ela também começa a enfrentar desafios, importantes para seu desenvolvimento. Ela começa a resolver problemas, criando estratégias para obter o que deseja. Daí a importância de deixar a criança livre e não facilitar demais, pois se tirou o chinelo, por exemplo, ela poderá aprender a colocá-lo novamente, considerando as devidas limitações motoras. Assim também com outros aspectos, como alimentação ou buscar um brinquedo no outro lado da sala, por exemplo.
     Surgem aí os conceitos de adaptação, assimilação e acomodação, que Piaget introduziu no estudo do desenvolvimento das estruturas cognitivas. No caso das crianças da minha turma, já passaram pela adaptação, estão modificando a realidade na assimilação, e estão, gradualmente construindo suas estruturas cognitivas  com a prática do brincar, que consequentemente vai  estabelecendo a acomodação destas estruturas, ocorrendo o que Piaget chama de adaptação inteligente.
 
    Com o passar do tempo, as crianças irão elaborar cada vez mais suas brincadeiras, entendidas como processos de construção de estruturas mentais. Através do faz de conta a criança faz experimentos da realidade, ela manifesta o que há de ser e reproduz situações vividas, muitas vezes trocando os papéis. Ela, brincando de professora na sala, passa mentalmente a ser a professora e os colegas seus alunos, até mesmo a educadora pode assumir o papel de aluna, para ela.
    Surgem, então, os conceitos como a zona de desenvolvimento proximal, como Vygotsky sugeria. A criança que resolve sozinha seus problemas encontra-se na zona de desenvolvimento real, a que ainda necessita de ajuda de um adulto, embora seja potencialmente capaz, na zona de desenvolvimento potencial e finalmente,  a fase intermediária que liga uma à outra, chama-se zona de desenvolvimento proximal. Na zona de desenvolvimento proximal encontram-se as brincadeiras, que irão contribuir para sua evolução, com a orientação de um adulto que a conduzirá a solucionar seus problemas.

     Lendo este texto, “Concepções do brincar na Psicologia”, consegui estabelecer uma relação precisa entre a realidade da faixa etária de meus alunos, com seus medos e avanços, com os fundamentos da Psicologia, que explicam as situações vividas na realidade de minha turma.


Referências: 

Concepções do brincar na psicologia.pdf