sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Espaço e formas




Ao pensar as propostas para o Berçário Dois, turma em que atuo, tenho que levar em consideração a fase de descobertas e possibilidades, mas limitadas. Muitos conteúdos são permeados na rotina, visto a importância e influencia que exerce sobre a criança, que necessita de organização no seu dia a dia. Mas as atividades podem, também, ser planejadas, com objetivos específicos, dando suporte para aprendizados maiores que irão ocorrer gradativamente no desenvolvimento.
As formas estão presentes em toda parte, nos brinquedos, no prato do almoço, na caixa de sapatos. Nesta faixa etária, dois anos de idade, segundo Piaget, as crianças se encontram na fase de desenvolvimento sensório-motor e não faz sentido, por exemplo, eu apresentar um bambolê e dizer que é um círculo, ou um pedaço de bolo e dizer que é um quadrado. Bem menos se fosse partir para o abstrato, para o representativo, como sugerindo um triangulo para desenhar uma casa.
As crianças pequenas precisam de objetos palpáveis, para sentir a espessura, o peso, a textura, temperatura, entre outros aspectos. Blocos geométricos de madeira podem ser oferecidos e ela vai construindo uma casa, um muro, uma igreja ou o que sua imaginação mandar. Peças de encaixe também serão usadas para erguer torres ou construir escadas.  Caixas de leite forradas se tornam pesados tijolos e uma tampa de balde plástico se torna o volante de um automóvel.  
O contato com materiais variados, considerados sucata, estimula a imaginação, a criatividade e promove a percepção de formas, mesmo que indiretamente, pelo manuseio e faz de conta.
A criança percebe o espaço a partir do seu próprio corpo, pois ele será parâmetro para saber se algo está longe ou perto, se algo está atrás ou na sua frente. As noções de lateralidade podem ser trabalhadas em brincadeiras corporais, como o barquinho, onde as crianças, frente a frente, se dão as mãos e balançam “pra lá e pra cá”. A tradicional brincadeira do Passa passará exerce a função de abrigar, envolver, pertencer a um novo espaço. Os bambolês podem ser explorados usando papel crepon preso em tiras compridas ao redor e pendurados como móbile, criando espaços lúdicos dentro do círculo de tiras coloridas. Outra utilização dos bambolês pode ser envolvendo três ou quatro crianças e fazê-las caminhar em grupo, com a limitação imposta.  Circuitos realizados com obstáculos e pistas geométricas também são interessantes para a orientação espacial. Gosto muito de túneis, seja em brinquedos específicos ou construídos com mesas ou cadeiras. Da mesma forma, brincar de cabana, usando lençóis, proporciona uma percepção de limite e do “fazer parte” de um espaço. Caixas de papelão oferecem inúmeras possibilidades de trabalhar a percepção espacial, seja apenas sentando dentro e assim, percebendo o espaço que o seu corpo ocupa, seja transformando em um castelo ou um carro.



Na rotina o espaço também pode ser explorado, como percebendo o lugar que cada um ocupa na mesa ou no colchonete que é usado para dormir, por exemplo.
Conforme o patamar de desenvolvimento as atividades são espontâneas, usando materiais alternativos e possibilitando a livre exploração dos mesmos, mas na medida que avançam, desafios maiores podem ser propostos. Montar quebra-cabeças gigantes ou brincar de “Coelho sai da toca” são desafios prazerosos que orientam a percepção espacial.  Quanto as formas geométricas, mais tarde, ainda na educação infantil, podem fazer dobraduras, origami, construir maquetes, trabalhar o tangram, usar o geoplano ou observar obras de arte com formas geométricas , até fazendo releituras.


Referências:

- PIRES, Célia M. C. Espaço e Forma: a construção de noções geométricas pelas crianças das quatro séries iniciais do Ensino Fundamental. São Paulo: PROEM, 2000.

-Tortora, Evandro. ESPAÇO E FORMA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM PROFESSORES ATUANTES EM FORMAÇÃO. Encontro Nacional de Educação matemática. 2013.




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