Muitos questionamentos, especialmente nas redes sociais, sobre o Dia do índio. A velha visão de homenagear, em nossas escolas, a data do 19 de abril, está seriamente criticada, com razão. Confunde-se, facilmente, cultura com fantasia.
O estereótipo do indígena usando cocar colorido e de rosto pintado é uma visão muito limitada do que é ser indígena hoje, 500 anos depois da "descoberta" do Brasil. O próprio termo "descoberta" está sendo questionado e sugere-se trocar por apropriação ou invasão do Brasil, termos agressivos, mas não longe do que de fato ocorreu.
Como escrevi em outubro de 2017 : "Nossa geração ainda tem em mente a imagem de um indígena selvagem, seminu, morando na floresta. Vemos ora vítima, ora guerreiro, ou atrasado. Fomos ensinados assim, vimos desenhos que representavam desta maneira nos livros escolares."(Aprendizados)
O papel do professor, entre outros, é fazer o aluno conhecer e valorizar diferentes culturas, o mesmo se dando na indígena. Mas o que ensinar então? O próprio termo "Dia do índio"deveria ser alterado, como diz o indígena e Doutor em educação pela USP, Daniel Munduruku: "a data comemorativa ajuda a cimentar preconceitos sobre os povos tradicionais, e poderia ser substituída pelo dia da Diversidade Indígena." Complementa: "A palavra 'indígena' diz muito mais a nosso respeito do que a palavra 'índio'. Indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros", defende Munduruku, em entrevista à BBC News Brasil.
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Daniel Munduruku (Fonte: G1) |
Penso, como professora, na importância de ensinar cultura para as crianças: "A cultura indígena é uma forma resumida para descrever tudo o que foi produzido, pensado e vivido pelos povos indígenas. Assim, é possível entender que estudar o assunto é fazer uma análise sobre diferentes comportamentos, línguas e costumes." (CELI)
A partir desta premissa podemos começar nossos trabalhos, falando das diferentes tribos, costumes, história, arte, até os dias atuais e a luta por suas terras, envolvendo questões políticas e sociais. Devemos parar de romantizar o indígena, com a visão limitada de guardião da floresta e ensinar o que é ser indígena no Brasil:
“Se os povos indígenas empreendem esforços para concretizar o diálogo intercultural, nos levam a pensar que se a proposta educacional é conviver e efetuar trocas com as sociedades indígenas, a escola terá que fazer um esforço para conhecer esses povos, sua história e sua cultura e, mais especialmente, afirmar uma presença que supere a invisibilidade histórica que se estende até o presente. Apesar da colonização, do genocídio, da exploração, da catequização, da tentativa de assimilar os indígenas à sociedade nacional, estes povos mantiveram-se aqui, resistentes, mesmo que por vezes silenciosos.” ( BERGAMASCHI,GOMES)
Referências:
BERGAMASCHI, Maria Aparecida. GOMES, Luana Barth. Currículo sem fronteiras. A TEMÁTICA INDÍGENA NA ESCOLA: ensaios de educação intercultura. Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. 2012.
CELI, Renata. Cultura indígena: o que é, costumes e muito mais!Dicas de estudo. 2018.
Dia do Índio é data 'folclórica e preconceituosa', diz escritor indígena Daniel Munduruku. Educação.
KERBER, Cláudia Simone.Uma visão sobre os indígenas. Aprendizados. 2017.
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