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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Pedagogia de Projetos

    Se a nossa vida é pautada por projetos, também podemos ensinar e aprender com  a Pedagogia de Projetos.
  Fazendo uma análise de nossa própria vida, podemos verificar que quando almejamos algo, seja a curto, médio ou longo prazo, temos que pensar em como faremos para chegar lá. Precisamos dispor de alguns recursos ou ferramentas que instrumentalizarão nossa caminhada. Não basta apenas sonhar ou fazer planos sem sabermos como isto se tornará possível. Dificuldades diversas podem surgir, mas nem todas são intransponíveis e nesse caso, pensemos em estratégias viáveis. 
  Transportando para a escola, “A Pedagogia de Projetos é uma metodologia de trabalho educacional que tem por objetivo organizar a construção dos conhecimentos em torno de metas previamente definidas, de forma coletiva, entre alunos e professores.” (SANTOS SILVA)
   Atuo como docente com crianças muito pequenas, na turma de Berçário 2. Apesar da pouca idade, trabalho com projetos ao longo do ano. Este ano minha escola escolheu focar no tema leitura, encabeçando os trabalhos, porém não precisamos fazer projetos de leitura, mas formar pequenos leitores com propostas que incluam o tema.
    Com a pouca idade de minhas crianças, eu preciso pensar em projetos e atividades que sejam do interesse delas, despertando, assim, a curiosidade, a imaginação e diversas habilidades. Atualmente estamos realizando o projeto “As plantinhas”, que envolve leitura, passeios, observação da natureza, plantio de sementes e mudas, pinturas com flores que soltam tinta, manuseio de livros e revistas para encontrar animais e plantas. Deste modo posso desenvolver diversas questões sobre um tema central.
   “O mais importante no trabalho com projetos não é a origem do tema, mas o tratamento dispensado a ele, pois é preciso saber estimular o trabalho a fim de que se torne interesse do grupo e não de alguns alunos ou do professor, só assim o estudo envolverá a todos de maneira ativa e participativa nas diferentes etapas.(SANTOS SILVA)
     No decorrer do ano, desenvolveremos, no Berçário 2, novos projetos, como o “Pequenos leitores”, que já iniciei, concomitantemente ao “As plantinhas”, com a contação da história com fantoche do Pato Paco, que iria fazer aniversário. Um projeto sempre envolve muitos fatores e áreas de interesse, e pode ter a participação de toda comunidade escolar, saindo dos limites da sala de aula.
Muda plantada pelas crianças no projeto
 "As plantinhas"
Referências:

SILVA, Aise de Santos. Trabalhando com Projetos na Educação Infantil. Portal da Educação. Acesso em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/trabalhando-com-projetos-na-educacao-infantil/21902

domingo, 13 de maio de 2018

Centros de interesse

     A educação está inserida e é orientada por teorias e princípios que norteiam o processo de ensino e aprendizagem, dentre as quais, os Centros de interesse de Decroly.
     A necessidade mais básica do ser humano é buscar a própria sobrevivência física. Ir em busca da alimentação da família foi, desde os primórdios nas cavernas, a primeira tarefa do homem, coletando frutas e raízes ou abatendo animais. Alimentar-se, respirar e manter a sobrevivência do corpo é um instinto básico que nasce com a própria pessoa.
   Dadas as dificuldades do meio hostil da Pré-história, abrigar-se e lutar contra as intempéries também se tornou necessidade essencial na própria sobrevivência e qualidade básica de vida, embora rudimentar. Com um mundo ameaçador em torno da caverna, o homem teve que defender-se, observando e analisando o que lhe colocaria em condição de perigo. Era preciso criar estratégias para manter sua suposta qualidade de vida, a própria integridade, segurança e, por conseguinte, a vida. Para poder comer, abrigar-se e defender-se, o homem começou a produzir: instrumentos, armas, fogo, utensílios, vestimentas, a roda, plantio, entre outros. O homem pré-histórico começou a agir, trabalhar, produzir e, assim, desenvolver-se. Com esta evolução, cada vez mais o campo da produção humana se expandiu, em crescentes e sobrepostas possibilidades.


  Chegamos ao mundo contemporâneo com uma gigantesca complexidade dos interesses fundamentais do ser humano. Não basta comer, é preciso experimentar e apreciar a rica variedade alimentícia, não somente para a sobrevivência, mas por prazer. Abrigar-se é bem mais do quer ter um espaço seco, coberto e cercado, mas ter conforto e beleza em sua casa. Defender-se tornou-se regra, pois não mais somente a própria integridade física, mas o patrimônio alcançado. Do mesmo modo, produzir tornou-se mais que ocupação ou simples moeda de troca, mas uma ação que proporciona realização pessoal, incorpora serviços de utilidade pública e coletiva e produção de bens, almejando extrema qualidade de vida em termos materiais, excelência em várias áreas da vida humana e aperfeiçoamento intelectual e científico.
  Nesta vasta gama de interesses dos tempos atuais, as necessidades primordiais continuam as mesmas. Neste contexto entra a educação, que contempla de forma diversificada estes quatro centros de interesse: comer, abrigar-se, defender-se e produzir, de forma intencional ou não. São estes centros de interesse fundamentais da vida humana que todo processo de ensino e aprendizado se baseia, com base na complexidade da vida e do mundo.

   Decroly foi um pedagogo belga (1871-1932 ) que concebeu esta ideia, a partir de suas constatações, apresentando ao mundo. Segundo ele, o processo de ensino-aprendizagem deve ser orientado por centros de interesse da vida humana, elencados acima. Decroly defendia a ideia de trabalhar temas da realidade do aluno, de seu contexto de vida, para que atribua significado. Do mesmo modo, classificava as etapas do trabalho em observação (direta ou indireta), associação (análise e organização mental dos dados coletados pela observação) e expressão (expressar o aprendizado).
     Ao desenvolvermos um projeto de ensino e aprendizagem, este se baseia sempre em um ou mais centros de interesse. Ao colocarmos em prática, temos que passar por estas três etapas, onde o aluno precisa observar o objeto de aprendizagem, fazer associações que permitam a apropriação do conhecimento, através da análise e experimentações e por fim, a expressão, que é onde o aluno já adquiriu o conhecimento mas o consolida com a conclusão ou compartilhamento dos novos saberes.
     Em suma, temos que desenvolver atividades e propostas que despertem o interesse dos alunos, com temas pertinentes ao modo de vida e contexto em que vivem. Cabe ao professor conhecer seu aluno e sua realidade, para orientar os trabalhos visando que ele adquira e experimente muitos conhecimentos com entusiasmo e curiosidade.


Referências:

CINEL, Nora Cecília Bocaccio. Centros de Interesse: estratégia utiliza multidisciplinaridade para o desenvolvimento global. Revista do Professor, Porto Alegre, n. 78, ano 20, p. 32-36, abr./jun. 2004.