Mostrando postagens com marcador Seminário Integrador VII. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seminário Integrador VII. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Estágio: um desafio pela frente

     Ao pensar em como farei meu estágio em 2018/2, com o Berçário 2, surgem alguns questionamentos e dúvidas a serem consideradas. Embora atue há muitos anos na Educação Infantil, ao aplicar todo conhecimento adquirido no curso superior, ficamos inseguras. O que farei? Serei capaz de articular teoria e prática?

  Ao tentar responder a primeira questão, começo a esboçar mentalmente meu estágio. 
    O que pretendo fazer?
 Pretendo trabalhar com projetos e usar recursos tecnológicos, mas não planejei nada ainda. Do mesmo modo, penso em explorar materiais diversos e alternativos, surpreendendo e promovendo o interesse das crianças. Penso em envolver as famílias e a comunidade escolar em algumas propostas. Pretendo estimular a linguagem, os movimentos e a coordenação, o raciocínio lógico e temporal, explorar os espaços da escola e promover a interação. Penso em proporcionar oportunidades de aprendizado de forma lúdica e prazerosa, estimulando a curiosidade e a imaginação. Que o brincar, livre ou orientado, seja o carro-chefe de muitos aprendizados.
    Que eu consiga fazer as articulações necessárias e possa realizar minha docência com base em sólidos fundamentos teóricos, estudados durante o curso.


domingo, 17 de junho de 2018

Avaliação: um olhar diagnóstico

    Pensamos que o sistema avaliativo austero, com a autoridade do professor em classificar o aluno por sua nota em exames, é superado pela classe docente. Engana--se quem pensa assim. Em meus contatos com o Ensino Fundamental e em reunião de professores, ainda vejo muito este sistema de avaliação, onde se fazem presentes rótulos, descriminações, ameaças e até ironias que, ou acabam com a auto-estima dos alunos, com consequências desastrosas para sua vida, ou o torna agressivo e/ou desinteressado pelos estudos. 

     Felizmente não são todos os professores que atuam deste modo, pois também vejo professores que são mediadores do conhecimento, e da vida do aluno, que muitas vezes apresenta um grande número de dissabores emocionais, familiares,  e sociais, perturbações, medos e ansiedade. O aluno precisa estudar para adquirir conhecimento, não para gerar notas satisfatórias, para mostrar a quem? Ao professor?
    Que bom que existem professores abertos, que largaram para trás o sistema avaliativo no qual foram educados em seus tempos de escola, para abraçarem formas de avaliar mais abrangentes, com mais instrumentos que podem olhar o aluno como um todo, integralmente, não apenas o aspecto cognitivo. 
     A avaliação não deve ser classificatória, mas diagnóstica, com o professor acompanhando dia a dia o desenvolvimento do aluno, sem cobrar a mera reprodução dos conteúdos. É preciso romper com o sistema transmitir-assimilar-memorizar, sem significado real para a vida dos alunos. Torna-se necessário favorecer que o aluno crie algo novo a partir da problematização, da formulação de hipóteses sobre o que foi visto, induzindo a um raciocínio sobre o que está aprendendo. Precisamos fazer a criança descobrir suas aptidões e dons naturais, sem sermos reducionistas, pois a avaliação pode ser a base da compreensão das dificuldades da criança e uma grande oportunidade de dinamizar a busca do conhecimento, percebendo o que o estudo representa para o aluno, com o professor orientando no processo de aprendizagem, independente de como são as crianças.


    O professor precisa valer-se de ética, respeitando o aluno, tendo bom senso, sem apavorar aplicando provas difíceis, regulando sua rigidez e sem fazer ameaças que carregam o peso de um castigo, sem punições ou discriminações, pois o trauma do fracasso, ainda mais se recorrente, gera sentimento de incapacidade e trava o aluno para conquistas posteriores. Existem alunos que não levam o estudo a sério, o que também necessita um outro olhar do professor, para alcançar o real motivo do desinteresse, às vezes no próprio método de trabalho utilizado.
      Mais do que nunca o professor precisa repensar, e reavaliar, o próprio sistema de avaliar, pois não podemos ter o mesmo olhar para alunos diferentes. Estaremos fadados a errar em nosso julgamento, que nem deveria ser encarado assim, mas estarmos abertos a  perceber avanços diários em muitas possibilidades que aparecem e oportunizam o aprendizado.


Referências:


FERREIRA, Lucinete Maria Sousa. Retratos da avaliação. Editora Mediação. 4 edição. Porto Alegre. 2009.

domingo, 10 de junho de 2018

Wallon: o afeto no desenvolvimento da criança



     
     O pensamento de Henri Wallon(1879-1962), filósofo, médico e político francês, quanto à aquisição da linguagem, apresenta uma concepção psicogenética dialética do desenvolvimento, percebendo o ser humano como uma pessoa integral, ajudando a superar a divisão mente/corpo da cultura ocidental.
     A base de sua teoria engloba a valorização da afetividade e das emoções no processo de ensino e aprendizagem, com valor à relação professor-aluno. Da mesma forma, apresentou uma visão política em propor uma educação mais justa para uma sociedade democrática.
     Wallon estabeleceu categorias de atividades cognitivas específicas: afetividade, movimento, inteligência e a formação do eu. As emoções são a base do desenvolvimento da inteligência, assim como o movimento é importante na atividade de estruturação do pensamento no período que antecede a linguagem; a inteligência  relaciona-se com o raciocínio simbólico desenvolvendo o pensamento abstrato, e o eu coordena as demais, pois é o campo responsável pelo desenvolvimento da consciência e da identidade.
     A teoria de Wallon propõe estágios de desenvolvimento onde o posterior amplia e reforma os anteriores, permeado por conflitos internos e externos, geradores de evolução:

- Estágio impulsivo-emocional (até o primeiro ano de vida): as emoções são o principal instrumento de interação com o meio, desenvolvido através do ambiente, sentimentos intraceptivos e fatores afetivos.
- Estágio sensório-motor e projetivo ( 3 meses a 3 anos): a inteligência predomina e o mundo externo prevalece nos fenômenos cognitivos, podendo ser prática (em relação com o corpo) e discursiva ( apropriação da linguagem).
- Estágio do personalismo ( 3 aos 6 anos): importante na formação da personalidade e na autoconsciência, onde a criança pode se opor ou imitar o adulto.
- Estágio categorial ( 6 a 11 anos): a criança começa a desenvolver a memória e a atenção voluntária, formando conceitos abstratos.
- Estágio da adolescência: é essencialmente afetiva, uma fase de conflitos em busca da autoafirmação e onde a sexualidade começa a se desenvolver.

       Segundo Wallon, os processos de desenvolvimento jamais se encerram, mas sofrem manifestações afetivas ao longo da vida que levarão a processos de adaptação.
     Wallon levou o afetivo para a sala de aula, perpassando a inteligência e o desempenho. Dentro de uma cultura mais humanizada do processo de ensino e aprendizagem, considerando a pessoa como um todo.
     Sua obra desafia os métodos pedagógicos tradicionais, questionando sobre a importância das emoções neste mundo hostil da atualidade.



Referências:

FERREIRA, Aurino Lima. ACIOLY_RÈGNIER, Nadja Maria. Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Educar, Curitiba, n. 36, p. 21-38, 2010. Editora UFPR.


domingo, 3 de junho de 2018

Porque sou professora?

    Perguntando para um professor de jovens e adultos sobre porque escolheu, ou decidiu, ser professor, fiz, na verdade, uma introspecção, um questionamento a mim mesma.

     Porque escolhi ser professora, entre tantas outras possibilidades, uma vez que já trabalhava em outra área por mais de uma década? Porque achei que valeria a pena estudar, prestar concurso público e cuidar/educar os filhos dos outros, uma vez que sou professora de educação infantil? Porque enfrentar tantos desafios? 

     A resposta é individual, conforme as vivências e anseios de cada pessoa. Considero importante fazermos esta pergunta de tempos em tempos para nos situarmos em nossas próprias escolhas e encontrarmos, mais do que as respostas, o sentido e a motivação necessárias para continuar.
    Muitas vezes ouvimos, até de renomados pensadores, que não deveríamos sermos chamados de educadores, pois a função de educar é da família, que o professor apenas ensina áreas diversas do conhecimento e reforça a educação aprendida em casa. Não que eu discorde, ao contrário, porém educar um ser humano em formação é responsabilidade de todos que fazem parte da infância desta criança, pois se o filho frequenta uma escola, está sob responsabilidade dos professores durante a aula ou turno. Por esta razão considero que devemos ser influenciadores positivos na vida desta criança, cabendo a nós advertir quando são desrespeitosos ou não levam nada a sério, por exemplo. Ouvimos, algumas vezes, que não temos nada a ver com o aluno, mas ficamos, muitas vezes, mais com as crianças que os próprios pais. 
     O antropólogo e folclorista mineiro Tião Rocha, que defende a ideia de educar em ambientes não somente escolares, nos afirma: "Educação só acontece no plural, o eu sozinho não educa e não se educa." Acredito que deve haver parceria por parte da escola e das famílias, pois como diz um provérbio africano: "Para educar uma criança é necessária toda uma aldeia." Grande ensinamento.
    A partir disto, minhas perguntas começam a serem respondidas, pois uma das razões que escolhi ser professora é ser colaborada na criação de um mundo melhor.


Referências:

http://redeglobo.globo.com/acao/noticia/2013/12/antropologo-e-folclorista-prova-que-e-possivel-fazer-educacao-sem-escola.html Antropólogo e folclorista prova que é possível fazer educação sem escola. 2013.



sexta-feira, 1 de junho de 2018

Pedagogia de Projetos

    Se a nossa vida é pautada por projetos, também podemos ensinar e aprender com  a Pedagogia de Projetos.
  Fazendo uma análise de nossa própria vida, podemos verificar que quando almejamos algo, seja a curto, médio ou longo prazo, temos que pensar em como faremos para chegar lá. Precisamos dispor de alguns recursos ou ferramentas que instrumentalizarão nossa caminhada. Não basta apenas sonhar ou fazer planos sem sabermos como isto se tornará possível. Dificuldades diversas podem surgir, mas nem todas são intransponíveis e nesse caso, pensemos em estratégias viáveis. 
  Transportando para a escola, “A Pedagogia de Projetos é uma metodologia de trabalho educacional que tem por objetivo organizar a construção dos conhecimentos em torno de metas previamente definidas, de forma coletiva, entre alunos e professores.” (SANTOS SILVA)
   Atuo como docente com crianças muito pequenas, na turma de Berçário 2. Apesar da pouca idade, trabalho com projetos ao longo do ano. Este ano minha escola escolheu focar no tema leitura, encabeçando os trabalhos, porém não precisamos fazer projetos de leitura, mas formar pequenos leitores com propostas que incluam o tema.
    Com a pouca idade de minhas crianças, eu preciso pensar em projetos e atividades que sejam do interesse delas, despertando, assim, a curiosidade, a imaginação e diversas habilidades. Atualmente estamos realizando o projeto “As plantinhas”, que envolve leitura, passeios, observação da natureza, plantio de sementes e mudas, pinturas com flores que soltam tinta, manuseio de livros e revistas para encontrar animais e plantas. Deste modo posso desenvolver diversas questões sobre um tema central.
   “O mais importante no trabalho com projetos não é a origem do tema, mas o tratamento dispensado a ele, pois é preciso saber estimular o trabalho a fim de que se torne interesse do grupo e não de alguns alunos ou do professor, só assim o estudo envolverá a todos de maneira ativa e participativa nas diferentes etapas.(SANTOS SILVA)
     No decorrer do ano, desenvolveremos, no Berçário 2, novos projetos, como o “Pequenos leitores”, que já iniciei, concomitantemente ao “As plantinhas”, com a contação da história com fantoche do Pato Paco, que iria fazer aniversário. Um projeto sempre envolve muitos fatores e áreas de interesse, e pode ter a participação de toda comunidade escolar, saindo dos limites da sala de aula.
Muda plantada pelas crianças no projeto
 "As plantinhas"
Referências:

SILVA, Aise de Santos. Trabalhando com Projetos na Educação Infantil. Portal da Educação. Acesso em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/trabalhando-com-projetos-na-educacao-infantil/21902

sexta-feira, 18 de maio de 2018

EJA: uma ação libertadora

   
   
     A Educação de Jovens e Adultos é um desafio para todos que buscam a escolarização em uma fase posterior, na vida adulta. Mas quem é este aluno?
     O  sujeito de EJA é um adulto, com experiências de vida, que faz parte de um grupo social e cultural de exclusão, que ficou boa parte de sua vida à margem da escolarização. Este aluno sabe que a educação é necessária e encara o desafio pessoal de buscar a escolarização. Digo desafio, pois este aluno, na maioria das vezes, sente-se deficitário em relação às outras pessoas, motivo de vergonha para ele. Conhecemos situações de desconforto e constrangimento que experimentam analfabetos adultos em situações corriqueiras como pegar um ônibus ou entender uma receita médica, por exemplo. Ao pedir ajuda a outro adulto ele se sente inferior e se retrai.
     O aluno adulto  tem consciência de que precisará se esforçar, e comumente, não acredita que será capaz de aprender. Esta insegurança se junta à dificuldade de compreender regras e peculiaridades do mundo escolar, por não ter treinado desde criança. Ou seja, a escola é algo novo e de certa forma, difícil para este aluno. 
     Temos também que considerar que o funcionamento intelectual do aluno adulto é diferente do que da criança, que se encontra ainda em formação. As estruturas psíquicas são diferentes e requer outra metolodologia de ensino. Aliados ao funcionamento intelectual encontram-se as vivências que este aluno já teve, ou seja, já conhece o mundo e tudo já tem um significado.
    O aluno de EJA sabe que estudar pode ser um “divisor de águas” em sua vida, pois fará parte da sociedade letrada e passará a compreender os símbolos que representam o mundo. Portanto, pode-se dizer que a escolarização deste adulto é uma ação libertadora, uma nova forma de ser e estar no mundo. 
    Ao professor de jovens e adultos cabe perceber estas dificuldades e adaptar sua prática para chegar até este aluno, mediando e oportunizando as ferramentas necessárias para o aprendizado nesta fase da vida.

Referências:

OLIVEIRA, MARTA KHOL. JOVENS E ADULTOS COMO SUJEITOS DE CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM. IN: REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO SetOut/Nov/Dez 1999 n.º 12. Trabalho apresentado na XXII Reunião Anual da ANPEd, Caxambu, setembro de 1999. 

VARGAS, PATRÍCIA GUIMARÃES; GOMES, MÁRIA DE FÁTIMA CARDOSO. APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DE JOVENS E ADULTOS: NOVAS PRÁTICAS SOCIAIS, NOVOS SENTIDOS.
In: Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 39, n. 2, p. 449-463, abr./jun. 2013.


domingo, 13 de maio de 2018

Aquisição da linguagem segundo Piaget e Vigotsky

Piaget

     Presencio o início da linguagem oral nas crianças que, gradativamente, passam do balbucio e algumas sílabas pronunciadas a pequenas palavras que repetem ao ouvi-las e outras que revelam seus desejos e desagrados, como uma forma de expressarem o que querem ou pensam.
     Percebo que prestam muita atenção ao que falo e imediatamente tentam repetir, alguns logo conseguindo , outros ainda em desenvolvimento deste processo.

Vigotsky
     Procuro realizar atividades que estimulam este desenvolvimento, fazendo uso de pequenas canções na rotina ou em momentos específicos, e orações na hora das refeições. Estas canções possuem ênfases em rimas, vogais ou apenas a última sílaba, fazendo conexões entre o que ouvem e falam, e a própria repetição.
     Podemos realizar nossa pratica pedagógica analisando as concepções de Jean Piaget e Lev Vigotsy quanto à aquisição da linguagem.

                 PIAGET                                               VIGOTSKY

-A maturidade biológica e cognitiva da criança vai surgindo depois de um processo de ouvir, assimilar o que ouviu, reproduzir com os lábios, fazer balbucios e por fim falar.


-A criança pequena se desenvolve através da interação com o meio, com o convívio com outras crianças e adultos. O contato com mais crianças facilita a interação e troca de “conversas” entre eles.

- O adulto, no caso as monitoras e a professora, assumem o papel de mediadoras neste processo, estimulando e criando situações que favorecem um avanço no desenvolvimento. Esta mediação orientada do adulto chama-se Zona de Desenvolvimento Proximal.


     Penso que, ao realizar minha prática pedagógica, tenho que observar em que estágio as crianças estão, qual seu nível de desenvolvimento biológico e cognitivo se encontram, com umas mais ou menos avançadas. Do mesmo modo, além de observar, tenho que propor atividades, tanto espontâneas ou orientadas, de forma lúdica (como requer a idade) e me colocar na posição de mediadora, estimulando e facilitando o próprio desenvolvimento, bem como criando condições para um progresso maior, com minha intervenção e interagindo com os demais.

Referências:

MONTOYA, Adrián Oscar Dongo. PENSAMENTO E LINGUAGEM: PERCURSO PIAGETIANO DE INVESTIGAÇÃO. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 1, p. 119-127, jan./abr. 2006.

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. 10 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

Centros de interesse

     A educação está inserida e é orientada por teorias e princípios que norteiam o processo de ensino e aprendizagem, dentre as quais, os Centros de interesse de Decroly.
     A necessidade mais básica do ser humano é buscar a própria sobrevivência física. Ir em busca da alimentação da família foi, desde os primórdios nas cavernas, a primeira tarefa do homem, coletando frutas e raízes ou abatendo animais. Alimentar-se, respirar e manter a sobrevivência do corpo é um instinto básico que nasce com a própria pessoa.
   Dadas as dificuldades do meio hostil da Pré-história, abrigar-se e lutar contra as intempéries também se tornou necessidade essencial na própria sobrevivência e qualidade básica de vida, embora rudimentar. Com um mundo ameaçador em torno da caverna, o homem teve que defender-se, observando e analisando o que lhe colocaria em condição de perigo. Era preciso criar estratégias para manter sua suposta qualidade de vida, a própria integridade, segurança e, por conseguinte, a vida. Para poder comer, abrigar-se e defender-se, o homem começou a produzir: instrumentos, armas, fogo, utensílios, vestimentas, a roda, plantio, entre outros. O homem pré-histórico começou a agir, trabalhar, produzir e, assim, desenvolver-se. Com esta evolução, cada vez mais o campo da produção humana se expandiu, em crescentes e sobrepostas possibilidades.


  Chegamos ao mundo contemporâneo com uma gigantesca complexidade dos interesses fundamentais do ser humano. Não basta comer, é preciso experimentar e apreciar a rica variedade alimentícia, não somente para a sobrevivência, mas por prazer. Abrigar-se é bem mais do quer ter um espaço seco, coberto e cercado, mas ter conforto e beleza em sua casa. Defender-se tornou-se regra, pois não mais somente a própria integridade física, mas o patrimônio alcançado. Do mesmo modo, produzir tornou-se mais que ocupação ou simples moeda de troca, mas uma ação que proporciona realização pessoal, incorpora serviços de utilidade pública e coletiva e produção de bens, almejando extrema qualidade de vida em termos materiais, excelência em várias áreas da vida humana e aperfeiçoamento intelectual e científico.
  Nesta vasta gama de interesses dos tempos atuais, as necessidades primordiais continuam as mesmas. Neste contexto entra a educação, que contempla de forma diversificada estes quatro centros de interesse: comer, abrigar-se, defender-se e produzir, de forma intencional ou não. São estes centros de interesse fundamentais da vida humana que todo processo de ensino e aprendizado se baseia, com base na complexidade da vida e do mundo.

   Decroly foi um pedagogo belga (1871-1932 ) que concebeu esta ideia, a partir de suas constatações, apresentando ao mundo. Segundo ele, o processo de ensino-aprendizagem deve ser orientado por centros de interesse da vida humana, elencados acima. Decroly defendia a ideia de trabalhar temas da realidade do aluno, de seu contexto de vida, para que atribua significado. Do mesmo modo, classificava as etapas do trabalho em observação (direta ou indireta), associação (análise e organização mental dos dados coletados pela observação) e expressão (expressar o aprendizado).
     Ao desenvolvermos um projeto de ensino e aprendizagem, este se baseia sempre em um ou mais centros de interesse. Ao colocarmos em prática, temos que passar por estas três etapas, onde o aluno precisa observar o objeto de aprendizagem, fazer associações que permitam a apropriação do conhecimento, através da análise e experimentações e por fim, a expressão, que é onde o aluno já adquiriu o conhecimento mas o consolida com a conclusão ou compartilhamento dos novos saberes.
     Em suma, temos que desenvolver atividades e propostas que despertem o interesse dos alunos, com temas pertinentes ao modo de vida e contexto em que vivem. Cabe ao professor conhecer seu aluno e sua realidade, para orientar os trabalhos visando que ele adquira e experimente muitos conhecimentos com entusiasmo e curiosidade.


Referências:

CINEL, Nora Cecília Bocaccio. Centros de Interesse: estratégia utiliza multidisciplinaridade para o desenvolvimento global. Revista do Professor, Porto Alegre, n. 78, ano 20, p. 32-36, abr./jun. 2004. 

domingo, 6 de maio de 2018

Educando o ser humano

     Tudo é questão de consciência e educação. Quando era pequena, e lá se vão mais de 40 anos, era normal jogar lixo pela janela do carro ou no chão mesmo, afinal a lixeira ficava longe e a natureza era eterna e passiva... 
    Era considerado normal debochar de homossexuais e fazer piada de "preto". Era normal a mulher obedecer o marido, mesmo que este a humilhasse. Era normal rotular gente não alemã (cresci em comunidade predominantemente de origem alemã) de diversos títulos ofensivos, afinal, eram diferentes, portanto, errados ou ruins. 
     Era normal fazer bullyng com a colega mal trapilha, afinal era pobre e pobres tem esses "defeitos" e são pobres porque seus antepassados devem ter sido preguiçosos... Era normal falar mal das outras religiões, afinal a "minha" era a certa. 
    Era normal classificar as pessoas, justificar suas misérias e heranças, costumes, sua cor ou raca, avaliar escolhas alheias e seguir padrões que na verdade eram ignorâncias da sociedade que não se adequava, mas excluía. 
  Grandes avanços foram dados nas últimas décadas, graças a campanhas de conscientização e educação. Ela, sempre ela, se inovando e mudando a mentalidade das pessoas. E alguns ainda dizem que era melhor daquele jeito que era.

Inovar o fazer pedagógico: uma nova perspectiva para a educação

     Nós, professores, com certa frequência perguntamos:

"O que estamos fazendo?"
 "Aonde vai a educação? 
"O que queremos propor e atingir em nosso fazer pedagógico?"


     Entre outras questões, sabemos que é preciso repensar, reconduzir e inovar nossa prática docente. 
   Inovação Pedagógica significa buscar novas perspectivas para os processos de ensino e aprendizagem, com novos olhares e fazeres. 
   O papel do professor na sociedade, ao longo do tempo e com as mudanças decorrentes, passou por várias concepções, e a inovação pedagógica vem significar o que queremos e aonde estamos indo. 
    O fazer pedagógico está inserido entre contextos sociais, interesses neoliberais, com o ser humano, receptor cultural e agente de cultura. Por estes motivos, interesses e correntes que permeiam a profissão docente fazem, não raro, esta se contradizer, se fragilizar, perdendo seus valores e tornando-se vulnerável à critica e imposições de poder, desqualificando a docência.
   A inovação pedagógica se firma como o produto da ação humana sobre um ambiente ou meio social. Precisamos inovar, rompendo com os processos convencionais de ensino e aprendizagem, tendo por base uma gestão participativa, assim, reconfigurando os saberes. É preciso reorganizar a relação teoria-prática em uma perspectiva orgânica no processo de concepção, desenvolvimento e avaliação da atividade realizada.
    Não basta repassarmos conteúdos, é preciso chegar até o aluno, dar sentido e estarmos abertos ao novo, com um olhar abrangente e contemporâneo, reformulando nosso fazer pedagógico.


Referência:
CUNHA,   Maria   Isabel   da. Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na universidade. VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra, Portugal, 16 a 18 de setembro de 2004.

domingo, 29 de abril de 2018

Planejamento do ensino: um ato político-pedagógico

        -Como é o meu aluno, como vive e percebe o mundo?

     -Como  possibilitar a este aluno aprender o que quero ensinar?

     -Como farei para que meu aluno reflita sobre o que está assimilando?

     -Como meu aluno agirá a partir deste aprendizado, transformando seu saber?

     -Que critérios usarei para avaliar o processo de aprendizagem, sem ser genérica ou injusta?

     Estas cinco perguntas devem fundamentar meu planejamento, tornando-o uma responsabilidade social e um ato político-pedagógico.
   Planejar é tão importante quanto aplicar. Ao planejarmos nossas práticas pedagógicas, devemos levar em conta cinco aspectos:

     1) É necessário conhecer a realidade sociocultural do aluno. Conhecer a realidade sociocultural em que os alunos estão inseridos será o ponto de partida para o planejamento do trabalho docente e discente. Deve ser analisado este aspecto para o melhor engajamento da prática com a realidade em que vive o aluno. Devemos usar exemplos do dia a dia, relacionando com o que lhes é peculiar. Ex.: se o aluno é do interior e convive com o campo, usar elementos do seu meio, como trator ou animais. O aluno da periferia de uma grande cidade terá outras vivências, também diferentes.

   2) Verificar qual é o grau de aprendizagem dos alunos, baseado na realidade sociocultural. Verificar, além do retrato sociocultural do educando, as características de aprendizagem do grupo, observando as especificidades do conteúdo em estudo e das suas relações com as realidades natural e social. Se os pais são analfabetos ou não há o incentivo à leitura, ou mesmo aos estudos, em casa, por exemplo, o professor terá que direcionar sua prática no sentido de aproximar aquela criança da leitura. Do mesmo modo, situações de violência doméstica farão que o aluno internalize suas vivências, com abalos psico-emocionais e, possivelmente, refletirá no aprendizado.


   3) Superar e temporalizar o conhecimento acadêmico veiculado pela escola, indo além da reprodução deste.Todo objetivo de ensino-aprendizagem deve ser coerente com o objetivo maior da escola, “proporcionando meios para a formação do homem crítico e criativo, independente e competente, que domine um corpo de conhecimentos que propicie a assimilação crítica e consciente da ciência em estudo (matéria de ensino) e toda a problematicidade do contexto social e seus múltiplos conflitos e contradições.” Ou seja, não basta criar objetivos para os conteúdos, mas é preciso fomentar a criticidade, fazendo relações com o mundo em que vivemos.
     Ao ensinarmos determinado conteúdo, devemos pensar no que tem a ver com o que queremos na formação desta pessoa, como cidadão e ser humano. Sempre devemos direcionar as práticas para cumprir o objetivo maior que nossa escola se propõe, indo além do simples repasse de informações.


    4) Aplicar, na prática pedagógica, a premissa: “O pensar para repensar, o repensar para o agir e o agir para transformar.” Precisamos pensar em como se dará o estabelecimento de propostas de situações didáticas reflexivas, visando o alcance e a superação do conteúdo.
   Torna-se essencial aplicar o planejamento com a responsabilidade da organização de procedimentos didáticos concretos e eficazes do ponto de vista do ensino e da aprendizagem.
   O aluno, além de assimilar o conteúdo terá que ser desafiado a pensar sobre aquilo, desequilibrando o que pensava a respeito e reorganizando para transformar o conhecimento adquirido. Ao aplicarmos o que planejamos, não devemos dar respostas prontas, mas questionarmos o aluno durante o processo, para que possa pensar sobre isso, formulando ideias a respeito. As conversações, a troca de experiências e interações tornam-se importantes para o aluno pensar, refletir e agir.

     5) É preciso repensar o processo avaliativo, substituindo o sistema quantitativo por verificação da aprendizagem concreta do aluno. É necessário substituir a "cultura da medida do conhecimento" que resulta sempre na "cultura do conhecimento quantificável", na "cultura da nota", pela cultura da aprendizagem concreta. Esta avaliação tem por base os quatro processos anteriores deste quadro. Um aluno sem estímulo para os estudos em casa, por exemplo, ou para a leitura, terá um aprendizado mais lento que aquele aluno que convive com leitores e é estimulado constantemente. Todo aluno tem seu tempo, grau de aprendizagem e histórico social e familiar diferente, e é fundamental levarmos em consideração.

Referências:

RAYS, O. A. Planejamento de ensino: um ato político-pedagógico.
Cadernos didáticos: Curso de Pós-Graduação em Educação/ Universidade Federal
de Santa Maria/RS, 1989.

sábado, 21 de abril de 2018

Educação para a liberdade.

     O que a educação faz ao indivíduo e à sociedade, em termos de crescimento pessoal e social? 

    A tomada de consciência do valor pessoal e coletivo como classe oprimida se dá pela educação. Por sua vez a conscientização leva ao empoderamento, no sentido de desenvolvimento do potencial da capacidade das pessoas, que culmina em liberdade.

     Paulo Freire, em sua trajetória, enfatizou a  alfabetização como projeto político emancipador, repassando a perspectiva de uma pedagogia concreta e prática. “A alfabetização não é tratada meramente como uma habilidade técnica a ser adquirida, mas como fundamento necessário à ação cultural para a liberdade, aspecto essencial daquilo que significa ser um agente individual e socialmente constituído.” Para Paulo Freire, ler e escrever é fundamento necessário à ação cultural para a liberdade, um projeto político no qual homens e mulheres afirmam seu direito e sua responsabilidade de reconstituir sua relação com a sociedade.
     Segundo Freire, saber nomear suas experiências dá poder ao indivíduo, pessoal e socialmente, dando outra visão de mundo ao sujeito. A vida escolar é um terreno cultural caracterizado pela produção de experiências e de subjetividades em meio a variados graus de acomodação, contestação e resistência. A escola é um lugar de muitas linguagens e de lutas conflitantes, local em que as culturas dominante e subalterna entram em atrito. Sob este aspecto,a alfabetização torna-se importante para a compreensão dos interesses e princípios políticos e ideológicos em jogo nos embates e nos intercâmbios pedagógicos entre o professor, o educando e as formas de significado e de conhecimento que eles produzem. Além dos conteúdos ensinados é preciso valorizar outras questões que vão além do conhecimento formal transmitido pelo professor. É preciso quebrar a estrutura de um saber superior universitário, isolado de significado e teórico, distribuído nas mãos dos professores e transmitido esmigalhado aos alunos.
     Muitos professores definem o êxito de seu ensino exclusivamente pela correção ideológica da disciplina que ensinam. È necessário ir além do currículo e promover o diálogo, uma vez que, segundo Freire, é a força que impulsiona o pensar crítico e problematizador em relação à condição humana no mundo, pois através dele podemos verbalizar o mundo segundo nossa visão e ação. É preciso dar voz às diferenças individuais, sociais e ideológicas e fomentar o pensamento crítico nas práticas pedagógicas, como agente transformador. O aluno precisa, além das palavras, saber ler o mundo.

Referências:

- STRECK, Danilo R; REDIN, Euclides Redin, ZITKOSKI, Jaime José. Dicionário Paulo Freire. Belo Horizonte: Autêntica Editora. 2016. 3a edição.





terça-feira, 17 de abril de 2018

Extremos pedagógicos

     Minha geração foi ensinada dentro de uma concepção epistemológica empírica, onde íamos à escola sem "nada" saber... Julgávamos sermos crianças vazias, sem nenhum conhecimento anterior e sim, abertas para nos "enchermos" de  saberes, que somente o professor poderia transmitir. Também fazíamos uso de cartilhas pré-programadas e mantínhamos uma rígida conduta, metódicos e silenciosos.
     Iniciei meus estudos em 1976, em plena Ditadura Militar, período caracterizado pela censura, disciplina  austera e obediência. Frequentei Grupo Escolar, passei por experiências memoráveis com recursos arcaicos, mas importantes para a época. Naquela concepção de ensino eram comuns as reproduções como carimbos e pintura de desenhos mimeografados, onde era valorizado colorir de forma uniforme, sem liberdade de expressão. O letramento e alfabetização seguiam o mesmo fio condutor de pensamento. Reflexo de um tempo ou costume? Adestramento? Ordem? Ou uma forma tradicional de conduzir uma escola, uma equipe e a prática pedagógica? 
      Penso que todas essas possibilidades fazem sentido e se relacionam entre si. Porém nem todas as escolas seguiam esta linha. Em 1921 surgia na Inglaterra uma escola completamente diferente: a Escola Democrática.
     A Pedagogia Libertária se caracteriza por abordar a questão pedagógica diante de uma perspectiva baseada na liberdade e igualdade, eliminando as relações autoritárias presentes na escola tradicional.“Uma escola democrática é uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial na democracia participativa, dando direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários.”( TOSTO)
     Nestas escolas os alunos são o centro do processo educacional, “...engajando os estudantes em cada aspecto das operações da escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos participam do processo educacional facilitando as atividades de acordo com os interesses dos estudantes.”(TOSTO)
    “Na escola democrática o professor deixa de ser autoridade ou transmissor do conhecimento para tornar-se mediador das relações interpessoais e facilitador do descobrimento.” (TOSTO) 
     O modelo tradicional de escola retrata o ambiente de trabalho por setores. Na escola democrática não há salas nos moldes tradicionais. Do mesmo modo, as propostas seguem outra perspectiva.

     Temos aqui dois extremos em termos de escola e concepção epistemológica. Na escola tradicional  atual também existe o pensamento apriorista, "A priori", onde a capacidade de aprender é considerada inata no sujeito, tendo apenas que deixar que ele aprenda por si só, com o professor sendo um mediador do processo de aprendizagem.
     Na atualidade as práticas pedagógicas, em sua maioria, seguem os princípios construtivistas, dentro da Pedagogia Relacional, com o aluno sendo o sujeito do aprendizado e o professor é um facilitador da aprendizagem. O que mais importa não é o conteúdo, mas o sentido deste conhecimento para o aluno. A ação do sujeito sobre  o objeto conduz ao aprendizado. O enfoque em temas de interesse, projetos de estudo e aprendizagem e juntamente com uma gestão democrática fazem com que o aluno seja protagonista e construtor de seu aprendizado. 
     Ensinamos para a igualdade e liberdade, possibilitando voos maiores com muita espontaneidade, participação, criatividade, criticidade e consciência.

Referências:

- BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). 
- MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1). 
-  TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. 
- VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. 


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Intérprete de sonhos

    Sou professora de crianças bem pequenas, ou seja, uma pessoa que convive diariamente com olhinhos luminosos e corações puros.
    Que eu possa deixar em suas vidas as marcas da afetividade, da livre expressão, da espontaneidade, da exploração, das possibilidades e tentativas, sem se apegarem  ao resultado final, mas à alegria e ao prazer do processo de cada atividade. 
    Eu gostaria que as crianças crescessem alegres, livres, espontâneas e criativas. Que seus potenciais fossem amplamente desenvolvidos e que eu seja aquela professora que um dia abriu amorosamente as janelinhas da alma para verem o mundo. 
   Como disse Ruben Alves: 


Referencias da imagem:


domingo, 8 de abril de 2018

EJA no Brasil: funções e desafios

     A Educação de Jovens e Adultos no Brasil tem função reparadora, equalizadora e qualificadora. 
    Historicamente, temos um país com déficit educacional, com crianças e adolescentes que deixaram de ir à escola por diversos motivos, como distância, más condições de vida, repetições constantes, mas principalmente para começar a trabalhar, ajudando, assim, a renda familiar, e muitas vezes, não sendo possível conciliar com o estudo. A escola democrática está a favor de todos, permitindo o direito fundamental da educação, partindo do princípio da igualdade e da liberdade. A Educação de Jovens e adultos tem a função de trazer estas pessoas para a escola, resgatando,oportunizando e possibilitando o uso de políticas sociais, para completa cidadania, e desta forma, cumprindo sua função reparadora.
     Além dos jovens que abandonaram a escola, mesmo sem desejar fazê-lo, o EJA é a oportunidade de equalizar as oportunidades à migrantes, encarcerados ou qualquer pessoa que esteja à margem do sistema educacional. Deste modo, pode-se afirmar que o EJA tem função equalizadora.
      A Educação de Jovens e Adultos, com sua função qualificadora, proporciona ao indivíduo retomar seu potencial, sua autoestima, desenvolver suas habilidades, ampliar competências já adquiridas e possibilitar avançar para outros níveis de estudo, aumentando seu crescimento pessoal e profissional.
     A Educação de Jovens e Adultos é uma promessa, instrumento e meio que agrega valor, conhecimento e oportunidades à vida das pessoas, melhorando-a e qualificando-a em diversos aspectos, como cidadãos conscientes, atualizados e, assim,favorecendo que sejamos todos parte de uma sociedade educada para o universalismo, a solidariedade, a igualdade e a diversidade.
    Os desafios hoje, no Brasil, em relação à Educação de Jovens e Adultos são, entre outros, a discriminação que, não raro, sofre a pessoa que se encontra não alfabetizada ou com o estudo incompleto, o que faz com que quem faz EJA seja estereotipada, como inferior ou incapaz. Vivemos em um mundo capitalista que enaltece a meritocracia na busca novas oportunidades de trabalho e crescimento profissional, social ou econômico. 
     Muitas vezes o EJA é visto como inclusão social, mas vai muito mais além deste pressuposto. È oportunidade e direito de todo cidadão, independente do que lhe ocorreu em sua trajetória de vida escolar. O indivíduo que procura o EJA muitas vezes já sofreu por marginalidade social.
    Torna-se necessário que o EJA seja encarado como proposta educacional e não somente como projeto econômico e social.

Referências:

PARECER CNE/CEB 11/2000 - HOMOLOGADO
Despacho do Ministro em 7/6/2000, publicado no Diário Oficial da União de 9/6/2000, Seção 1e, p. 15.

VerResolução CNE/CEB 1/2000, publicada no Diário Oficial da União de 19/7/2000, Seção 1, p. 18.




domingo, 1 de abril de 2018

Memória das Tecnologias na Escola


     Fui apresentada às tecnologias rudimentares da escola nos anos 1970, onde a folha mimeografada foi o protagonista nas memórias, pois vinha com o cheiro inesquecível do álcool usado na impressão.



     Naquele tempo, a Educação Infantil era limitada ao Jardim e Pré-escola, o famoso “prezinho“, lugar onde conhecemos pela primeira vez o lápis, a borracha, o apontador, o quadro negro, o giz e o apontador, as canetinhas, giz de cera e lápis de cor, a massa de modelar e a tinta têmpera. Dificilmente se desenhava, mas se coloria muito, em folhas mimeografadas, cartilhas ou carimbos aplicados no caderno. 
     Histórias eram ouvidas em toca discos e às vezes era levado um rádio gravador para a escola. O hino Nacional era cantado ao som de toca-discos. Nos anos iniciais assistíamos slides manual, pequenos, que eram colocados em um mini-projetor.  Recebiam-se cartilhas do governo, onde eram feitas as atividades. Também se podia se ouvir música em fones de ouvido.
Toca discos

    Fazia-se uso de papel carbono para reproduzir desenhos. Usava-se caderno de caligrafia, folhas quadriculadas e caderno de desenho. Quando havia algo importante, os registros eram feitos com máquina fotográfica manual, com filmes as serem revelados. Pesquisava-se em enciclopédias em visitas constantes à biblioteca.

Pesquisa em enciclopédias na biblioteca escolar
      Com o passar dos anos, as folhas mimeografadas foram substituídas pelas cópias xerocadas. Passamos a manipular tabelas periódicas, fichas de leitura, calculadoras. Podíamos, vez ou outra, assistir filmes em fitas VHS no vídeo-cassete. Fotos começaram a serem feitas em câmeras digitais.
     Ao retornar à universidade, muitos anos depois, em plena era da Internet, encontrei outro cenário: as folhas xerocadas podem ser lidas na tela do computador ou note book, em plataformas digitais.
     Em vez de copiar Xerox, baixamos no computador. Celulares são largamente utilizados, por serem versáteis e o levarmos junto aonde vamos, tirando fotos, acessando redes sociais e pesquisando on line. Assistimos aulas em Power Point em projetor. 
     O acesso à informação se tornou instantâneo na era do Wi fi, mas em muitas escolas públicas ainda não passa de um projeto. O aluno traz consigo dispositivos tecnológicos que manipula brilhantemente, mas nas escolas ainda se usa o velho caderno, caneta e quadro negro. Nem todas escolas possuem salas de multi-meios ou oferece oficinas de informática, ou mesmo tem Wi fi, para ser usado em aula. 
     O professor deve, na medida do possível, fazer uso de recursos digitais para manter o interesse do aluno e fazer com que utilize as facilidades de pesquisa e aprendizado que os tempos atuais proporcionam.





domingo, 25 de março de 2018

Aquisição da linguagem

     Como acontece a aquisição da linguagem na criança pequena?

   Trabalhando há anos com Berçário posso afirmar que a criança tem potencialmente o necessário para se comunicar, a não ser que apresente dificuldades como não ouvir (surda) ou autismo, por exemplo. Descartadas estas possibilidades, será progressivo o desenvolvimento da linguagem. Começa com balbucios, a partir de sons e fonemas que ela consegue produzir. Ao ouvir os sons do ambiente ela dirige seu olhar e atenção aos mesmos, percebendo que o mundo é sonoro.

     A criança pequena vê que os outros ao seu redor produzem sons com os lábios, comunicando algo, e ela, automaticamente, tenta reproduzir. Faz uma verdadeira "leitura labial" de quem se aproxima. Que felicidade conseguir reproduzir e comunicar o que deseja ou desagrada! 
   Quando a criança é estimulada a desenvolver a oralidade, mais facilmente irá compreender o mundo em volta e conseguirá se expressar. Em questão de tempo, surgem sílabas e palavras curtas e, com o avanço, começará a ampliar o vocabulário.
   Portanto, torna-se essencial que quem estiver com os bebês observe seu desenvolvimento e estimule, com conversas, canções e histórias, ou mesmo repetições silábicas lúdicas que ajudarão a consolidar novos aprendizados. Como exemplo, o versinho:

 "Chove chuva molhadinha
Chove chuva sem parar
Chove chuva molhadinha
Vai chover até parar."

Estas repetições prendem a atenção dos pequenos que além de acharem engraçado, querem reproduzir.

Coisas de outro planeta

     
     Na interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação fomos convidadas a pensar em uma escola em outro planeta...
     Mas e se esta escola fosse aqui? Seria tão utópico assim? O que falta para que a escola ideal se torne realidade?

     Apresentei, conforme solicitava a atividade, as características da escola do outro planeta:

" -Interativa: troca de saberes;
-Tecnológica: totalmente equipada, ao alcance de todos, ágil e interessante;
-Colaborativa: todos terão voz e vez, participação da comunidade escolar;
-Dinâmica, prática e baseada na realidade do aluno;
-Lugar de convivência, de integração e socialização;
-Com espaços planejados para as diferentes práticas e aprendizados, como laboratórios, sala de artes, bibliotecas, espaços lúdicos, espaços para esportes, área verde, refeitório, cinema, horta, entre outros;
-As turmas serão por nível de aprendizado, sem idade cronológica;
-A escola irá ensinar o aluno a pensar, a ser e a fazer."

   

Será que esta escola idealizada é tão de "outro planeta", que só existe em nossa imaginação? Perguntas são, algumas vezes, mais importantes que respostas...

domingo, 18 de março de 2018

O aluno que queremos – cidadão de amanhã



     O que vemos, infelizmente, em muitas escolas, nas práticas docentes? Vemos alunos passivos, acatando sem questionar ou participar, as informações que são repassadas pelo professor, em um sistema arcaico de ensino, sem uso de tecnologias e temas de interesse dos alunos.
      Embora considerada arcaica, esta metodologia de ensino ainda é largamente empregada nas salas de aula, justificada por ser mais prática (não é necessário levar em conta a opinião do aluno), em uma forma de manter o centro de atenção no professor, o grande “protagonista” do ensino. Nestas salas de aula o silencio impera, necessário à concentração exigida em monólogos. A passividade do aluno evita distrações, conversas paralelas e conflitos de opinião. Ou seja, quanto menos o aluno participar, melhor, pois basta que ele preste atenção, assimile as informações e grave as mais relevantes para firmar o aprendizado.

     O que vemos são alunos engaiolados em um sistema de ensino que aprisiona e corta as asas, impedindo voos maiores. Para o sistema, alunos que voam são perigosos e dão trabalho. Não somente ao sistema escolar, mas da sociedade como um todo. 
     Rubem Alves nos lembra de que a escola tem que incentivar o voo dos alunos, libertando da gaiola que os insere: 

     “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.” (RUBEM ALVES)

     Defendemos uma escola democrática, onde seja incentivada a participação dos alunos, com a prática pedagógica partindo de seus centros de interesse, orientada pela curiosidade e desejo de saber. Porém, segundo Fernando Becker, não se desmonta um modelo pedagógico arcaico apenas com críticas, sejam psicológicas ou sociológicas, mas deve-se fomentar a crítica epistemológica na formação docente. O professor deve se questionar o que seu método pedagógico irá fomentar:

     “Para enfrentar este desafio, o professor deveria responder, antes, a seguinte questão: que cidadão ele gostaria que seu aluno seja? Um aluno dócil, cumpridor de ordens, sem perguntar pelo significado das mesmas, ou um indivíduo pensante, crítico que, perante cada encruzilhada prática ou teórica, pára e reflete, perguntando-se sobre o significado de suas ações futuras e,progressivamente, das ações do coletivo onde ele se insere?” (FERNANDO BECKER)


     Torna-se necessário refletir uma vez mais sobre a nossa própria prática docente, se estamos encorajando o voo ou cortando asas, monopolizando nosso falar ou possibilitando o aluno de buscar o conhecimento e construir aprendizados, com criticidade ou apenas reproduzindo padrões de ensino-aprendizado. Perguntas surgem não somente para obter respostas, mas para levantar outras que irão nos inquietar e assim, qualificar e ampliar nosso próprio aprendizado.



Referencias:
-ALVES, Rubem. Gaiolas e asas. Disponível em http://www.rubemalves.com.br/gaiolaseasas.htm

-BECKER, FERNANDO. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. https://pt.slideshare.net/msabba/becker-epistemologias

- ESCOLA Democrática. 2010. (3 min.), color. Publicado por Andrea Trigueiro no You Tube. Disponível em: <https://www.youtube.com/results?search_query=escola+democratica>.









domingo, 11 de março de 2018

Eixo VII: "o semestre"

     Iniciando mais um semestre... ou melhor, "o semestre"! Chamarei o Eixo VII de "o semestre" pois entramos na reta final do curso, em termos de interdisciplinas e conteúdos programados.


    "O semestre" vem com ares de "Ufa! Já cheguei até aqui!", pois não pensem que foi fácil conciliar (com saúde e disposição) escola, família, estudo e, particularmente, horas cansativas em ônibus interurbano.
     "O semestre" traz também o sentimento de superação, coragem e vitória, pois iniciei o curso aos 45 anos de idade, quando muitas mulheres já "ancoraram" o barco e se conformam com suas vidas, seu trabalho e rotina.
   "O semestre" também vai exigir mais, pois muito conhecimento já foi construído e somos desafiadas cada vez mais, aptas a qualificar nossa prática, a escrita e a reflexão.
     Que apreciemos esta estrada que chama-se "reta final", pois o mais importante não é só chegar, mas saber que somos capazes de remover as pedras do caminho, seguir fortalecidas e colher as flores que cresceram durante o percurso.



"Há flores no meu caminho. Elas estão por toda parte. Porém invisíveis aos olhos apressados pelo cotidiano. Ao ver flores no caminho o barulho da rotina faz silêncio e é possível escutar os pássaros louvando á vida."   Viviane Andrade
Referências: