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terça-feira, 23 de junho de 2015

Pedagogia da autonomia - parte 2: práticas docentes

       O conceito de autonomia, segundo Paulo Freire, é possibilitar ao aluno pensar por si próprio, que se dá no aprender, na construção de seu conhecimento, de forma crítica e consciente.
      Para Paulo Freire a relação aluno/professor é importante no sentido de que um não existe sem o outro. O professor só ensina, de fato, se o aluno consegue, além de entender, reelaborar e refazer seu conhecimento.
      O aluno, neste processo de construção do conhecimento, traz saberes anteriores à sala de aula, partindo destes para novos. Questões do interesse do aluno devem ser problematizadas para que ele aprenda a pensar por si, sem seguir padrões e sistemas. O aluno deve ter a liberdade de pensar e de reestruturar seus pensamentos, para a construção de uma nova realidade, humanamente, com a consciência de toda desigualdade social do mundo em que está inserido e interagir, sujeito do tempo e da história.
     Em minha realidade como professora de educação infantil a pedagogia da autonomia de Paulo Freire se reflete no respeito que tenho por meus alunos. Embora muito pequenos, já podem tomar algumas decisões  que sinalizam a formação da autonomia. Em pequenos atos do cotidiano, são induzidos a pensar onde deixaram seus pertences, por exemplo, ou refletir sobre determinada atitude do grupo, situação ou mesmo observações do tempo, da rotina e brincadeiras. Todos são igualmente indagados e levados a pensar sobre determinados assuntos.
     As crianças, entre um e dois anos, necessitam de orientação, de parâmetros que definam uma linha que os caracteriza na escola. Ainda são pequenos para entender e optar entre o certo ou o errado, o bom ou ruim, o perigoso ou não, mas o professor deve guiá-los para que observem, distingam, aprendam pela experiência e sejam sujeitos de suas atitudes.
      Para que construam a sua autonomia, as crianças podem ser estimuladas a questionar, observar, retratar situações de seu ponto de vista, com a devida expressão oral que a idade lhes permite. Começam a ter autonomia inicialmente com seus pertences, como tirar o calçado, guardar os brinquedos, segurar os talheres ou o copo. A partir de pequenas atitudes, as maiores começam a fazer sentido e acontecerem, desde que sejam dadas as condições para favorecer esta autonomia. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A construção do conhecimento no Berçário

                     
     A construção do conhecimento é a base do meu fazer pedagógico, como forma de aprender, conhecer e interagir com o mundo.
      Trabalho em uma EMEI que atende crianças de quatro meses a três anos de idade, e atualmente atuo com a turma do Berçário 2a, ou seja, são crianças muito pequenas, de 12 a 18 meses.
    As crianças nesta fase estão começando a caminhar, a comer sozinhas e a falar. Pedagogicamente, procuro estimular o desenvolvimento de forma lúdica, com intervenções ou permeando a rotina, que torna a relação aluno-professor bastante próxima.
     De forma alguma as crianças são “tábuas rasas”, a serem “preenchidas” com conhecimentos, como pressupõe a teoria empírica, e também suas capacidades não  estão condicionadas a fatores externos ou hereditários, para serem “moldadas” pelo meio em que vivem, como considera o Apriorismo, como teoria epistemológica.
    As crianças são inteligentes por natureza, com conhecimentos que trazem consigo desde o nascimento, com cada situação nova apresentada, com suas famílias, com sua ida à creche ainda bebês, cada processo de avanço no desenvolvimento biológico, motor e cognitivo. Ao chegarem ao Berçário 2, já possuem muitos conhecimentos, mesmo que sutis e inconscientes, mas que que são bases para novos e mais desafiadores, seja no desenvolvimento da oralidade, na motricidade, nos reflexos, nos movimentos corporais, nas capacidades físicas desenvolvidas.
     As crianças já se socializaram, compartilham brinquedos, entendem o que a professora diz, mostram interesse por coisas novas que instigam seu desenvolvimento, como brincadeiras, canções gesticuladas, andar com motocas, subir no escorregador mais alto, a própria autonomia que surge com a destreza adquirida ao segurar os talheres, por exemplo.
    À medida que constroem conhecimentos, desenvolvem suas capacidades e adquirem mais autonomia, parto para intervenções mais desafiadoras, cada vez mais ousadas. Faço conversações que induzam a falar, quando ainda apenas articulam sílabas, avançando para palavrinhas, nomeações ou a identificação dos colegas e de objetos, com noções de lateralidade. As canções passam a serem coordenadas com gestos e palmas, e depois com imitações. As brincadeiras corporais, onde segurar a mão do colega era um desafio passam a ser de roda, com um grupinho maior. Aprendem a esperar a vez, a ter uma ideia de sequencia temporal, passam a almejar alçadas maiores, que exige planejar, atenta ao estágio em que se encontram.
 
  
     Através da concepção do Construtivismo, organizo as atividades que irão assegurar a construção do conhecimento dos pequenos, enfatizando vários aspectos na gama de possibilidades que podem ser apresentadas, de forma interdisciplinar, dinâmica e lúdica, como pede a ação pedagógica para esta faixa etária.