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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Educação ainda vem de berço


  O mundo apresenta uma disparidade muito grande de ideias, convicções, valores, prioridades e na forma de educar as crianças. Alguns pais são ausentes, ou super protetores, outros atenciosos e preocupados com o filho, outros se esquivam, delegando sua função de educar para terceiros, estando alheios às necessidades dos filhos.
   Trabalhando com educação infantil deparo-me com pais equivocados sobre a educação de seus filhos. Não sou psicóloga, mas educadora, exercendo meu conhecimento sobre o desenvolvimento infantil. 
   Em minha escola, pública e municipal, os professores zelam pelo cuidado com os pequenos e pelo mais saudável desenvolvimento, de forma integral, abrangendo a promoção da autonomia das crianças e estimulando para se sintam integrados, socializados e em questão, que sejam "educados" para a vida.
   Mas existem pais que não compreendem a promoção da autonomia que nos referimos. Tratam seus filhos, já maiores, como se fossem bebês. Carregam no colo, não tem autoridade e não falam nada para seu filho, como se ainda tivesse seis meses. Daí a escola se torna um problema para eles, pois a criança terá hora para dormir, terá que sentar-se à mesa, esperar sua vez, respeitar colegas e professores, entre outras regras de convivência. "Mas na outra escola (particular) não era assim..." argumentam. Obviamente a Missão da escola era flexível, atendendo às necessidades dos pais, para um ótima convivência com os clientes.
   Como em toda escola, também há aqueles pais que exigem que seu filho seja amplamente estimulado, para que no futuro seja brilhante, habilidoso, uma pessoa de sucesso. Cobram "trabalhinhos", como querendo ver um "atestado" de que ele está fazendo muitas coisas. O brincar, para alguns, não é importante, pois isso toda criança faz.
   Também existem os pais omissos, que nunca perguntam como seu filho está na escola, não participam das reuniões e sequer olham a agenda ou retiram a sacola de roupa suja. Para estes, o ideal seria uma escola 24hs, que fizesse tudo que eles não conseguem fazer. Quando há um feriado se desesperam, pois enlouquecem se ficarem em casa cuidando deles.
   Mas, felizmente, a grande maioria faz parte dos pais responsáveis, interessados, afetuosos e cientes de que depende deles, primeiramente, a educação de seus filhos. Com estes firmamos a parceria que faz com que nosso trabalho seja significativo, prazeroso e gratificante.
    Os filhos sempre serão o reflexo da educação primeira que tiveram em sua vida, ou seja, da família. Depois vem a escola. Como sempre se diz: "A educação vem de berço." E assim é.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Pedagogia da autonomia - parte 2: práticas docentes

       O conceito de autonomia, segundo Paulo Freire, é possibilitar ao aluno pensar por si próprio, que se dá no aprender, na construção de seu conhecimento, de forma crítica e consciente.
      Para Paulo Freire a relação aluno/professor é importante no sentido de que um não existe sem o outro. O professor só ensina, de fato, se o aluno consegue, além de entender, reelaborar e refazer seu conhecimento.
      O aluno, neste processo de construção do conhecimento, traz saberes anteriores à sala de aula, partindo destes para novos. Questões do interesse do aluno devem ser problematizadas para que ele aprenda a pensar por si, sem seguir padrões e sistemas. O aluno deve ter a liberdade de pensar e de reestruturar seus pensamentos, para a construção de uma nova realidade, humanamente, com a consciência de toda desigualdade social do mundo em que está inserido e interagir, sujeito do tempo e da história.
     Em minha realidade como professora de educação infantil a pedagogia da autonomia de Paulo Freire se reflete no respeito que tenho por meus alunos. Embora muito pequenos, já podem tomar algumas decisões  que sinalizam a formação da autonomia. Em pequenos atos do cotidiano, são induzidos a pensar onde deixaram seus pertences, por exemplo, ou refletir sobre determinada atitude do grupo, situação ou mesmo observações do tempo, da rotina e brincadeiras. Todos são igualmente indagados e levados a pensar sobre determinados assuntos.
     As crianças, entre um e dois anos, necessitam de orientação, de parâmetros que definam uma linha que os caracteriza na escola. Ainda são pequenos para entender e optar entre o certo ou o errado, o bom ou ruim, o perigoso ou não, mas o professor deve guiá-los para que observem, distingam, aprendam pela experiência e sejam sujeitos de suas atitudes.
      Para que construam a sua autonomia, as crianças podem ser estimuladas a questionar, observar, retratar situações de seu ponto de vista, com a devida expressão oral que a idade lhes permite. Começam a ter autonomia inicialmente com seus pertences, como tirar o calçado, guardar os brinquedos, segurar os talheres ou o copo. A partir de pequenas atitudes, as maiores começam a fazer sentido e acontecerem, desde que sejam dadas as condições para favorecer esta autonomia. 

Pedagogia da autonomia - parte 1


      Em seu livro “A pedagogia da autonomia”, Paulo Freire traz à discussão diversos aspectos referentes ao trabalho do professor, as bases que a docência se apoia e a interação com os alunos.
     Sempre à frente com seu pensamento e suas práticas, Paulo Freire é referência de ética, dignidade, responsabilidade social e coerência. Como ninguém, conseguiu ver o que realmente faz sentido no ato de ensinar, a importância da relação aluno/professor e de promover a autonomia e a crítica. Trouxe à tona a questão da desigualdade e exclusão para com os grupos oprimidos e menos favorecidos da sociedade, defendendo a educação de qualidade para todos e a humanização do ensino.
      Lendo sua obra percebi a grandeza e a responsabilidade que é o ato de ensinar. Ninguém apenas passa conteúdos, o professor tem à sua frente alunos distintos, numa troca de saberes. O professor só ensina realmente se o aluno não só aprende, mas reelabora e refaz este aprendizado, significando-o. Por isso a docência exige muitas precondições fundamentais.

     A docência exige metodologia, com certa rigorosidade, comprometimento, pesquisa, ética, espírito crítico, corporificar o que acredita, estar aberto ao novo, ao diálogo, respeitar as diferenças, valorizando a identidade cultural de seus alunos. Ensinar envolve ajudar o aluno a construir seu conhecimento, promovendo a autonomia, com bom senso, alegria, paciência, tolerância, em relações de parceria com o educando. Saber ouvir o aluno, respeitar e valorizá-lo como pessoa em formação, que pode intervir no mundo e construir o futuro.