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sábado, 20 de junho de 2015

Relações cérebro/mente e corporeidade

          
         A relação existente entre o corpo e o cérebro determina nosso existir no mundo. Seja nos movimentos, no pensar, sentir, criar ou agir.
      O cérebro humano é um complexo de neurônios e conexões comparado a um motor, que pode ser muito potente ou limitado. Para organizar tudo que deseja fazer, o cérebro se expande, na medida dos estímulos recebidos.
       O corpo recebe informações do meio externo, principalmente através da visão, mas também de outros receptores, como o tato ou a audição. Estas informações, ao se conectarem com os sensores do nosso corpo, são enviadas ao cérebro, que por sua vez determina automaticamente uma resposta. Assim produz uma ação imediata, do receptor ao cérebro e este de volta ao corpo, estabelecendo, por conseguinte, a memória do ato registrado. Muitas memórias criam uma teia de conhecimento assimilado e que vão se ampliando sob mais estímulos e exercícios de memória.
      A corporeidade pode ser usada para fazer surtir efeitos mais relevantes sobre o aprendizado de estudantes, por exemplo. O professor pode fazer uso de sensações variadas, técnicas alternando visão e audição, dinâmicas que juntam os cinco sentidos na exploração do meio, proporcionar maior contato do corpo com os objetos estudados, se assim requer.
       Os potenciais das crianças, e de toda pessoa, podem ser despertados de seu estado inativo e desenvolvidos plenamente, com exercícios que unem a corporeidade, em suas receptações, com o cérebro, seja a mente ou o emocional, pois tudo parte do grande computador que está dentro de nós.
        Fazendo uma comparação com meu trabalho na EMEI, junto à turma do Berçário 2,  a corporeidade se faz presente a todo instante, pois cada novo aprendizado é primeiro receptado, seja em contato físico, com o toque, a proximidade, o olhar, o cheiro, o som. Depois passa por uma assimilação, num estágio que determina se é bom ou ruim, agradável, ou mesmo confiável aos pequenos. Por meio de repetições as crianças criam um esquema físico e mental que acaba por criar a memorização.

       Desta forma, a corporeidade é usada em toda e qualquer prática com as crianças, pois é desta maneira que incorporam as informações que se transformam em sinais, e por sua vez em conhecimentos. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Reflexão e observações importantes

   
      Fazendo uma reflexão mais direcionada, associando os conteúdos das interdisciplinas deste primeiro semestre, com minha prática pedagógica, observei alguns aspectos a serem analisados.
     Em primeiro lugar, a Corporeidade, tem chamado muito minha atenção, uma vez que já percebi, nestes anos de educação infantil, da necessidade de estabelecer um vínculo afetuoso com minhas crianças, pois elas chegam cedo à escola, muitas vezes dormindo, ente 6hs e 7 horas da manhã, e quase todas vão embora depois das 17 horas. O dia se torna longo, cansativo, a ausência da mãe precisa ser preenchida com muito carinho, colo, toque, conversas olho no olho. As brincadeiras também devem ser de integração, com contato físico e despertando todos os sentidos da criança, para que ela possa estabelecer uma relação sadia com os demais, aprender coisas novas envolvendo toda sua corporeidade, estando totalmente presente no que faz e assimila, sentindo-se amada e querida no ambiente, consciente de seu valor.
     Alguns aspectos organizacionais da minha escola, inicialmente considerei excelentes, mas hoje, analisando o PPP e as necessidades que deve preencher, vejo que em alguns aspectos deixa a desejar, mas ainda pode ser construído. Na interdisciplina Escola, Projeto Político Pedagógico e Currículo, participando dos Fóruns e com as leituras, muitas questões foram levantadas, e lacunas começaram a aparecer. Como mencionei em um comentário do Fórum, é frustrante a relação entre professor, aluno e família, quando envolve um agravante em uma das partes, e não há um acompanhamento maior, por parte da escola e da mantenedora para solucionar e/ou apontar direções e aconselhamentos, através de um psicólogo atuante na rede de ensino.
     Quando a análise envolve uma visão social, como na interdisciplina Escola, Cultura e sociedade, destaco um ponto que chamou muito minha atenção: os coletivos sociais. Em minha escola as famílias não apresentam grandes diferenças sócio-econômicas-culturais, mas é claro que, mesmo envolta em uma fina névoa, sutilmente existe sim, discriminação racial e distinção por diferenças de profissão dos pais. Algumas crianças, oriundas de outras cidades são, até por alguns professores, "os de fora", que vem ao município "só para ganhar creche e não pagar mensalidade". Mesmo que isto ocorra é incoerente com a concepção de uma sociedade igualitária e de direitos iguais. Temos também um único menino afro-descendente, motivo para justificar seu comportamento ora "não adequado", normal à qualquer criança de sua idade, como fazer birra e "não obedecer...", onde é dito o velho refrão "só podia ser de cor". Situação indigesta, mas real, por comentários de outros pais e até professores, mostrando como ainda existe discriminação em nosso meio. Da mesma forma, crianças filhos de pais de destaque social, como advogados, músicos ou colegas professoras, querendo ou não, percebe-se um discreto tratamento diferenciado, com mais atenção por parte dos professores e funcionários, como se o trabalho ou o sucesso dos pais determinasse a qualidade do atendimento aos filhos, deixando para "lá", na vala comum, os filhos de pais operários. Mas, felizmente, os casos são poucos, fruto da herança cultural que estamos inseridos.
     Muitos são os desafios a serem travados, pois nossa escola não é perfeita, nem os professores e muito menos a sociedade. Mas estamos dispostos a transformar, a fazer o nosso melhor na construção de um futuro mais justo, igualitário, humano, rico em valores e com novas mentalidades, através do poder de uma escola inclusiva, consciente e compromissada.
      Da mesma maneira, muitas são as reflexões que podemos fazer, através de muito estudo e boas leituras, visando sempre aprimorar nossa prática docente, enriquecendo nosso fazer pedagógio, com uma bagagem maior e nosso aperfeiçoamento, não só profissional, mas antes de tudo, pessoal, como seres humanos, orientadores de outros seres humanos, no caminho da vida, do saber, do conhecimento e da história.