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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Ética e crise moral


    O que significa ter ética, como professores, cidadãos e alunos que somos? O que é ter moral nestes tempos de "moral ao avesso"?

     "A ética é o espaço simbólico construído  pelas práticas de um povo". Segundo Carneiro, são as interações dos sujeitos visando definir o que é certo e o que é errado na vida em sociedade. Seria uma construção social e histórica de um povo. Paralelamente, a moral seria o confronto de cada um ante o que é e o que deveria ser, regulando nossas escolhas.
     Vivemos tempos em que parece ser difícil ter ética, pois a própria se confunde, visto os novos padrões que a sociedade estabelece. Não estranhemos mais se os valores estabelecidos sejam absurdos, pois refletem a nova moral vigente. Anos de construção de uma cultura de paz, por exemplo, podem ser substituídos pela cultura do ódio, que se avulta a passos largos . Pessoas que se consideram "pessoas de bem", podem passar, incompreensivelmente, a apoiar linchamentos, extermínios, pena de morte ou se manifestam com atitudes grosseiras, não raro, boçais.
   Até há pouco a sociedade considerava "normal" a corrupção na vida pública/política, como sendo algo inevitável, mas condenava atos ilícitos no cidadão comum. Hoje, escandalizados com casos divulgados pela mídia, mas podem praticar pequenas corrupções no dia a dia, em nome da sobrevivência, de um "lugar ao sol". A hipocrisia anda lado a lado com os padrões mutáveis da moral.
     Pois bem, estamos localizados em um ponto crucial, posicionando-nos entre o ser professor, ser cidadão e ser aluno. A pergunta se instala: 

   O que podemos fazer para restaurar as distorções estabelecidas, construindo uma sociedade mais ética?


     A ética passa pela educação. O professor tem um papel importante na formação da nova geração,  fomentando a criticidade nos alunos. Que mundo se quer? Que ações podemos fazer? O que é o certo é o que pode ser considerado errado? Que valores iremos eleger? Vale a máxima: " não fazer ao outro o que não gostaríamos que fizessem a nós". Educar para fortalecer o caráter, baseado em valores morais que respeitem o outro, sobrepondo-se ao egoísmo.
     Como cidadãos temos o livre arbítrio de fazer parte de uma sociedade imbuída de valores nobres e altruístas, ou de uma onda devastadora de falso moralismo e individualismo, rechaçando o que é diferente de nós.
    Como alunos, e seremos pelo resto dos dias na escola da vida, um olhar atento ao que escolhemos, decidimos e fazemos no cotidiano.
    Penso que ter ética nos dias de hoje é conseguir se manter firme ante a crise moral da sociedade, procurando harmonizar a convivência, com o compromisso de manter-se em estado de alerta, na integridade pessoal para o bem comum.


Referencias:

CARNEIRO, Alfredo de Moraes Rêgo.  Filosofia Contemporânea. Qual a diferença entre ética e moral? Filosofia na rede. (setembro/2017).Acesso em:

KERBER, Cláudia Simone. Aprendizados. Uma questão de ética. 2017. Acesso em:

OLIVEIRA, Thamia Leal de. PENA, Iviane de Melo. SILVA, Juliana Beltrão da. Sabedoria política. A Ética para os dias de hoje: reflexões e apontamentos. 2016. Acesso em:




quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Educação ainda vem de berço


  O mundo apresenta uma disparidade muito grande de ideias, convicções, valores, prioridades e na forma de educar as crianças. Alguns pais são ausentes, ou super protetores, outros atenciosos e preocupados com o filho, outros se esquivam, delegando sua função de educar para terceiros, estando alheios às necessidades dos filhos.
   Trabalhando com educação infantil deparo-me com pais equivocados sobre a educação de seus filhos. Não sou psicóloga, mas educadora, exercendo meu conhecimento sobre o desenvolvimento infantil. 
   Em minha escola, pública e municipal, os professores zelam pelo cuidado com os pequenos e pelo mais saudável desenvolvimento, de forma integral, abrangendo a promoção da autonomia das crianças e estimulando para se sintam integrados, socializados e em questão, que sejam "educados" para a vida.
   Mas existem pais que não compreendem a promoção da autonomia que nos referimos. Tratam seus filhos, já maiores, como se fossem bebês. Carregam no colo, não tem autoridade e não falam nada para seu filho, como se ainda tivesse seis meses. Daí a escola se torna um problema para eles, pois a criança terá hora para dormir, terá que sentar-se à mesa, esperar sua vez, respeitar colegas e professores, entre outras regras de convivência. "Mas na outra escola (particular) não era assim..." argumentam. Obviamente a Missão da escola era flexível, atendendo às necessidades dos pais, para um ótima convivência com os clientes.
   Como em toda escola, também há aqueles pais que exigem que seu filho seja amplamente estimulado, para que no futuro seja brilhante, habilidoso, uma pessoa de sucesso. Cobram "trabalhinhos", como querendo ver um "atestado" de que ele está fazendo muitas coisas. O brincar, para alguns, não é importante, pois isso toda criança faz.
   Também existem os pais omissos, que nunca perguntam como seu filho está na escola, não participam das reuniões e sequer olham a agenda ou retiram a sacola de roupa suja. Para estes, o ideal seria uma escola 24hs, que fizesse tudo que eles não conseguem fazer. Quando há um feriado se desesperam, pois enlouquecem se ficarem em casa cuidando deles.
   Mas, felizmente, a grande maioria faz parte dos pais responsáveis, interessados, afetuosos e cientes de que depende deles, primeiramente, a educação de seus filhos. Com estes firmamos a parceria que faz com que nosso trabalho seja significativo, prazeroso e gratificante.
    Os filhos sempre serão o reflexo da educação primeira que tiveram em sua vida, ou seja, da família. Depois vem a escola. Como sempre se diz: "A educação vem de berço." E assim é.