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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Metáforas: um outro enfoque

      Talvez uma das metáforas mais pertinentes ao dia de hoje, o Dia do Trabalho, seja a da avestruz que enfia sua cabeça na terra quando surge um problema. O não enfrentamento de situações constrangedoras, injustas e prejudiciais a quem quer que seja compara-se ao gesto da avestruz, seja em sala de aula, na sala dos professores, reunião de pais ou nas relações do mundo do trabalho em geral.
    Crocodilos, em contrapartida, abocanham sem piedade quem invade seu espaço. Aí questiono: até que ponto permitimos que os "Crocodilos" da sociedade, das instâncias superiores, do mundo virtual, do preconceito e da ignorância, adentram no ambiente escolar, abocanhando até mesmo o fazer pedagógico, a liberdade de cátedra a mente de nossos alunos, a nossa auto estima e valor?
    Penso que, de certo modo, como professores, estamos sendo engolidos pelo sistema, pelas novas diretrizes, pela culpabilização do corpo docente, agora considerado inimigo do Estado e da sociedade. Do mesmo modo, a demonização do saber acadêmico, o pouco valor dado ao estudo científico, o desdem dado as ciências humanas e a própria estupidez das pessoas é sinal destes tempos dificeis. 
     Como professores podemos dar a desculpa de nada poder fazer para mudar o que está se manifestando a passos largos, por medo dos Crocodilos, enfiando a cabeça na terra, ou reagirmos. Historicamente,  o professor tem o difícil desafio diário de enfrentar diversas questões, como péssimas condições de trabalho, violência ou salário aquém do merecido, mas agora os problemas se agigantaram.
    Devemos, sim, é construir pontes, rumo ao pensamento crítico e solução de problemas, mesmo que isto implique em ter que passar sobre Crocodilos famintos. Mas somos guerreiros, e saberemos como enfrentar esses novos tempos.

Referências:

AMARAL, Lígia Assunpção. Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação. Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricase práticas/coordenação de Júlio Groppa Aquino. São Paulo. Editora Summus. 1988.

KERBER,Cláudia Simone. Diferenças e necessidades especiais na escola. Aprendizados. 2017. lhttp://claudiasimoneblogpead.blogspot.com/2017/10/diferencas-e-necessidades-especiais-na.html

domingo, 28 de abril de 2019

Como ocorre o aprendizado

Ano passado trabalhei com turma de Berçário 2, crianças de 18 meses a dois anos de idade, e com eles, realizei o estágio obrigatório do  curso. Este ano passei a ser professora do Maternal 1, ou seja, com quase todas mesmas crianças. Pude perceber, nestes últimos meses, como avançaram em diversos aspectos, sejam cognitivos, motores e sociais.
A partir desta constatação, reforço Piaget, que relatou em suas teorias, de que em torno dos 2 anos as crianças passam, gradativamente da fase sensório-motor para a pré –operatória, com o desenvolvimento da inteligência simbólica, fazendo representações e vivendo intensamente momentos de faz de conta, simulando e retratando cenas do cotidiano. Do mesmo modo, desenvolvem a linguagem, articulando palavras e ensaiando frases, com um progressivo raciocínio.
No estagio desenvolvi o projeto Brincar sem brinquedo, onde exploraram materiais alternativos e criaram, de forma espontânea, suas brincadeiras. Hoje, ao oferecer novamente alguns materiais que disponibilizei no estagio, como tacos de madeira, por exemplo, já constroem mais elaboradamente suas "torres ou casas". Já conseguem ordenar, separando por tamanhos ou formas, superando suas construções anteriores. No aspecto da linguagem, repetem atentos o que falo e percebo que quanto mais converso com eles, mais facilmente aumentam seu entendimento e vocabulário.
     “Diante de um estímulo diferente, ou radicalmente novo, a criança modifica as suas estruturas ou esquemas (acomodação), depois assimila objetos semelhantes àqueles para os quais ela já tem um esquema.” (Temas da Psicologia).
     Os aprendizados efetivos acontecem pela maturação biológica, pela elaboração das estruturas cognitivas, que vão se acomodando e por fim, se auto regulam. No transcorrer de um ano para o outro, o que ocorreu foram processos de aprendizagem, resultando em estruturas mentais cada vez mais complexas e diversificadas.
Portanto, posso concluir que da passagem do Berçário para o Maternal, as crianças, além do natural desenvolvimento biológico, viveram novas experiências que se sobrepuseram e se acomodaram em estruturas mentais cognitivas. Por fim, houve um equilíbrio dos  conhecimentos adquiridos, com as crianças sendo sujeitos ativos sobre os objetos de aprendizagem.
  Enfim, o aprendizado é um processo constante, pela interação do sujeito sobre o objeto, acumulando experiências e apropriando saberes.


Referências:
KERBER, Cláudia Simone. Aprendizados. Aprendizagem, um processo constante. 2017. Acesso:

Temas da Psicologia. Piaget: adaptação, acomodação e assimilação. 2013. Acesso em:

sábado, 6 de abril de 2019

Questionamentos para a vida em sociedade


      A vida em sociedade, assim como também na escola e na sala de aula, nos faz questionar sobre diferenças, pontos de vista, liberdade, convivência, busca do conhecimento, e outros. Deparamos com a dialogicidade. Dialogicidade é a característica do que se efetua por meio da conversa, da chegada a um acordo de opiniões.
      Paulo Freire, no livro “À sombra desta mangueira”, nos faz refletir sobre a prática do diálogo, pois a comunicação está presente em toda ação humana como fenômeno vital e a informação encurta o tempo e o espaço. Viver em sociedade nos obriga a conviver com idéias e opiniões divergentes. Pessoas tem diferentes perspectivas a partir do ângulo em que estão posicionadas, cultural, econômica e socialmente, baseadas na realidade em que vivem e suas experiências. Estes elementos nos conduzem a buscar o diálogo, característico de sociedades democráticas.
     Como seres humanos somos finitos e inacabados, sempre em construção de aprendizados. Uma vez conscientes da nossa finitude, somos compelidos ao educar-se, a buscar maneiras de viver melhor, conhecer mais, compreender mais. Somos, por natureza, seres curiosos. A curiosidade inata nos faz quer saber mais a respeito de diferentes coisas, e por ela estamos disponíveis a indagação e a perguntas que expressam a possibilidade de conhecer. Trazendo isto para a sala de aula, Paulo Freire nos induz a perguntar: como é possível aprender sem questionar, apenas recebendo informações despejadas pelo professor, e decorando datas, fórmulas, teorias? 
     O professor precisa fomentar a curiosidade dos alunos, fazendo-o pesquisar, questionar, experimentar, debater com seus pares. A convivência que se apresenta no espaço escolar requer diálogo. 
     Não somente na relação professor-aluno, mas entre colegas docentes e comunidade escolar, a prática do diálogo torna-se fundamental, pois não podemos impor nosso ponto de vista e nem acatar deliberações não democráticas. As relações inter-pessoais tanto na escola como na vida cotidiana são permeadas pelo diálogo, salvo condutas ditatoriais que emergem pelos pântanos da sociedade. Paulo Freire, em sua obra, nos propõe a liberdade de pensar, de trocar idéias e de questionar tudo.

Referências:

KERBER, Cláudia Simone. Aprendizados. À sombra desta mangueira - reflexões. 2017. Acesso em:

FREIRE, Paulo. À sombra desta Mangueira. Livro. Editora Olho D água. São Paulo, 2000. Pg. 74-82.