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terça-feira, 12 de julho de 2016

Confabular

   Sempre gostei da expressão: "Fulano está confabulando isto ou aquilo, para este ou aquele". Não que tivesse gosto em ver alguém confabular, mas por que remete à fábula.
  Uma fábula, em literatura, é uma história curta, muitas vezes pitoresca, onde objetos ou animais ganham vida e/ou falam e agem como seres humanos. Geralmente a fábula vem acompanhada de uma mensagem, uma moral, um sábio conselho ou digamos, a história tem duplo sentido com um direcionamento específico de aconselhar. 
  Na infância ouvimos inúmeras fábulas, aconselhando, entre parênteses, que é bom ir devagar, "sem muita sede ao pote', ou não subestimar os mais fracos, ou mesmo não ser arrogante pois "quem ri por último ri melhor", entre outras mensagens. As histórias são simples, populares, até ingênuas e infantis, mas não nos enganemos, afinal, falando de fábulas, são sempre inteligentes e auspiciosas.
  Voltando à palavra confabulando, que é sinônima de tramando ou articulando... Porém, confabular lembra fábula, que por sua vez lembra segundas intenções, de alertar, de se cuidar, de querer dizer algo por um modo não explícito. 
   Por isso, dizer que estão confabulando significa que estão criando uma história em torno de algo que se quer transmitir, um "rodeio" até chegar ao que realmente importa.

sábado, 2 de julho de 2016

Expressividade


  Ser uma pessoa expressiva significa  revelar com clareza o que se pretende dizer, transmitindo, assim, o pensamento.
  Muitas crianças apresentam dificuldade para transmitirem o que desejam, sentem, o que lhes desagrada e o que gostam. O professor, em sua sensibilidade, pode estimular o aluno de tal forma que ele consiga se manifestar, buscando alternativas lúdicas que façam com que sua expressividade seja desenvolvida.
    Ao longo dos anos, em minha experiência com educação infantil, tenho lidado com muitas situações que nos desafiam. Aos nossos cuidados, são entregues crianças que não falam quase nada, que não compreendemos o que querem, mostrando-se apáticas, tímidas ou até revoltadas, pois esta também é uma manifestação, mesmo arbitrária, de algo que as angustia e não consegue revelar, entre outras situações. 
   Neste semestre, que está terminando, foram apresentadas possibilidades que podem ser usadas para desenvolver a expressividade nas crianças. As interdisciplinas de Música, Ludicidade e Literatura, com seus conteúdos, e principalmente, com a janela que abriram em nossa mente, ofereceram formas de trabalhar a comunicação e a expressão com os pequenos. 
   Histórias, poesias, dramatizações e parlendas podem ser utilizadas de forma dinâmica e criativa, pois um aluno com dificuldade de se integrar, por exemplo, pode começar a fazê-lo a partir da identificação com um personagem. O próprio "Patinho feio" não era feio ou "errado", apenas estava deslocado, mas ao encontrar semelhantes, sentiu-se lindo como seus irmãos e sua mãe. 
   Brincadeiras e jogos também servem para aproximar colegas, como dar as mãos para aquele que desconhecemos, se sentir parte integrante de um grupo, enfim, socializar, aprendendo a conviver. Atividades em grupo, em que um depende do outro, aproximam e geram confiança. Podemos compreender isto quando observamos as brincadeiras na escola, assim como constata a fonoaudióloga Cyrce Andrade:
   "É preciso enxergar o brincar como a maneira que os pequenos tem de produzir cultura e a forma de expressão da infância por excelência." "...a escola, por ser um dos raros lugares que os pequenos tem de conviver com os colegas hoje, seja um ambiente que privilegie o brincar em grupo." 
 A música oferece inúmeras possibilidades de aumentar as formas de expressão. O próprio canto já promove um "sair de si", um "ir além" do que a timidez permite. O canto espontâneo, natural desde os primeiros balbucios do bebê, como nos diz Parizzi, deve ser valorizado: 
"O canto espontâneo é uma das mais importantes formas de expressão da criança, tão significativa quanto o desenho, a gestualidade e o comportamento infantil."  
  A música, conforme o direcionamento, pode induzir à dança, à meditação, imitações, rimas e repetições, faz de conta, brincadeiras de roda, entre outras possibilidades.
   Cabe, portanto, ao professor perceber as dificuldades de seu aluno e conduzir na busca pela expressividade.

Referências:

Parizzi, Maria Betânia - O canto espontâneo da criança de zero a seis anos: dos balbucios às canções transcendentes.
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/2006%20O%20canto%20espont%C3%A2neo%20da%20crian%C3%A7a%20de%20zero%20a%206%20anos.%20PARIZZI%20(1).pdf

"Brincar é a forma de expressão das crianças"(Cyrce Andrade)
Revista Nova Escola, edição de setembro de 2010, por Beatriz Vichessi, encontrada em:
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/Brincar%20%C3%A9%20a%20forma%20de%20express%C3%A3o%20das%20crian%C3%A7as.pdf





terça-feira, 7 de junho de 2016

Favorecendo o aprendizado

     
  Estou trabalhando com meus pequenos, na EMEI Estrelinhas do Recanto, os cinco sentidos. Pensemos em crianças em torno de 18 meses descobrindo suas capacidades, como se dará a descoberta e o aprendizado?


     Fazendo um link com as interdisciplinas deste terceiro semestre, podemos fazer associações. Estamos estudando Musicalidade humana, Ludicidade e Literatura, além de Líbras e o Seminário Integrador. Ou seja, as interdisciplinas  possuem entre si uma ligação: são formas de se chegar ao aprendizado, seja ele qual for.
     Voltando aos cinco sentidos, em crianças que estão despertando para o seu potencial, ainda latente, necessitam de um contexto lúdico para a percepção do mesmo. Para tanto, podemos fazer uso da musicalidade para chegarmos à audição, por exemplo, não necessariamente cantando ou ouvindo canções, mas sutilmente, como o bater palmas ritmadas ou zumbidos do vento (zzzzzzzzz), alternando com pingos da chuva (plim...plim...plim...), criando um ritmo agradável. Da mesma forma, através de brincadeiras lúdicas podemos chegar a perceber o tato, como usando um cubo de texturas, ou através de histórias falarmos sobre o gosto ou outro sentido.
     Com as crianças bem pequenas é especialmente através da ludicidade, em suas diversas interpretações, com a musicalidade e a literatura, ou dramatizando ou criando novos modos de promover o aprendizado, que atingiremos o objetivo desejado, no caso, descobrir suas capacidades sensoriais.

Referências da imagem: www.cm-pampilhosadaserra.pt

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Literatura para a responsabilidade social


    Nos dias atuais, ser professor não é somente repassar conteúdos pré-estabelecidos, aplicar provas ou redigir pareceres descritivos. Ser professor é, pela ótica social, incutir valores que irão constituir a sociedade do futuro, fomentar um olhar crítico nos alunos e conscientizar para a responsabilidade de cada cidadão.
   Neste argumento entra um aspecto que pode contribuir, e muito, para a conscientização que almejamos: fazer uso da literatura para introduzir temas sociais em sala de aula. Para os menores ocorrerá de maneira lúdica, porém eficaz.
   Tomando como exemplo o livro "O Mundinho sem bullying", de Ingrid Biesemeyer Bellighausen que chama a atenção para apelidos, brincadeiras de mau gosto (embora inocentes) ou zombarias que colegas fazem para outros, seja por um ou outro motivo. Na história, o menino ficou muito triste ao sofrer bullying, a ponto de não querer mais ir à escola. A lição se dá quando os colegas do menino se conscientizam, pedem desculpas e confeccionam cartazes para reflexão.


    
    O mesmo ocorre com temáticas indianistas ou escravocratas, por exemplo, de valorização das diferenças e que trazem em sua essência, história, conhecimento e o despertar do pensamento para a cidadania, manifestadas em atitudes positivas.
     Para o docente, torna-se muito gratificante ver seus alunos abertos para o diferente, cientes de um mundo que precisa melhorar, com justiça, respeito, solidariedade e no final das contas, tudo remete à educação.

Referências da imagem: 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Brincando com as palavras


   O que significa brincar com as palavras?

   Brincar com as palavras é usá-las de tal forma que delicie os ouvidos de quem escuta, ou de quem lê. Brincar com as palavras é saber empregá-las de tal modo que provoque um sentimento estético em sua composição. Brincar com as palavras é conseguir harmonizar o que se quer dizer com um entendimento agradável e prazeroso por parte do leitor ou do ouvinte.
   Os poetas e grandes escritores sempre souberam, ao longo dos séculos, como tocar o coração das pessoas, produzir imagens mentais de grande riqueza, estimular a mente crítica ou simplesmente, passar com esmero sua mensagem. A literatura sempre serviu para ir além do que este mundo palpável pode nos oferecer, ir mais longe do que a realidade nos permite, e como disse Fernando Pessoa: "A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta."

      Conduzindo... 

   Engenhar um texto, brincando com as palavras, é saber construir  uma poesia, um conto, ou qualquer outra forma literária, com beleza, coerência e deleite.
   Esperamos que sempre surjam novos engenheiros da linguagem, que irão adquirir o gosto pelas letras mediante boas leituras, com o uso da língua não somente para a grafia correta, mas para fins mais elevados e, é claro, semeando sonhos. 
   Neste contexto entra o professor, que com paixão pela leitura, em si somente, poderá conduzir o aluno nos caminhos da imaginação e do rico prazer de simplesmente brincar com as palavras.