Mostrando postagens com marcador representação do mundo pelos Estudos Sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador representação do mundo pelos Estudos Sociais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cidadãos conscientes de sua identidade


     As novas gerações precisam saber de sua história, dos fundamentos da civilização, da arte, das concepções filosóficas, da sua cultura e da sua origem.

Casa de pedra
em São Vendelino
Muito se aprende na escola, com seus conteúdos pré estabelecidos, mas muitas vezes me pergunto se o aluno sabe a origem de seu sobrenome, a história de seus ancestrais, ou da sua cidade. Muitos alunos, pasmem, não sabem se são descendentes de alemães, italianos, africanos ou lusos, ou onde nasceram, o nome da cidade natal. Se avançarmos um pouco, mal sabem a cidade ou estado em que vivem ou até sua família.
     Considero da maior importância trabalhar com os alunos a identidade, seja pessoal, seja do coletivo em sua cidade ou estado. O aluno precisa saber o contexto social em que vive, conhecer sua cidade, sua história, pesquisar sua origem. A representação de mundo pelos Estudos Sociais deve começar nos primeiros anos da educação infantil, depois avançando em conhecimento no Ensino Fundamental. Um cidadão sem identidade não saberá o que é melhor para sua cidade, estado ou país, pois a partir do conhecimento da sua identidade se sentirá parte de um grupo, irá valorizar suas raízes e seus ideais, e não se calará frente a injustiças sociais. 
   Se quisermos formar cidadãos conscientes, torna-se fundamental trabalharmos a identidade da criança, de sua família e comunidade, fortalecendo seus valores, cultura, história, conhecendo o espaço geográfico que a cerca e aspirações que o conduzirá pela vida.

     


O presente é onde nós nos perdemos se esquecemos nosso próprio passado e não tivermos a visão do futuro”.
(Ayi Kwei Armah, 1989)


Referencias:

 -COOPER, Hilary. Aprendendo e ensinando sobre o passado a crianças de 3 a 8 anos. Educar, Curitiba, v. Especial, p.171-190, 2006. Disponível em: <revistas.ufpr.br/educar/article/viewFile/5541/4055> .

-Foto:http://historiasvalecai.blogspot.com.br/2013/10/2865-familias-dos-construtores-da-casa.html



domingo, 20 de novembro de 2016

Consciência Negra

   Hoje é dia da Consciência Negra. Então, você pergunta "por que precisa deste dia?" Da mesma forma que existe o Dia da mulher, por exemplo. Servem para lembrar e tomar consciência: do valor, da história ou da cultura.
 Mas, acima de tudo, nós, “brancos, nórdicos, arianos ou europeus” (ironizando), temos que revisar nossos conceitos, relembrar as injustiças históricas, o abuso e atrocidades cometidas, hoje justificadas sob o pseudo pretexto da ignorância do passado, na verdade, sob o jugo da soberba, da "superioridade" e do dinheiro. 
  Os negros estavam em suas terras, pacificamente vivendo na mãe África (segundo a própria ciência) e foram levados a força para trabalho escravo em países estranhos, arrancados de suas famílias e sujeitos a toda forma de crueldade e exposição. Acha pouco? Depois da libertação, foram largados a própria sorte, ocupando terras em barrancos para ter onde morar, sem estudo, assistência e trabalho. E você ainda chama o negro disto ou daquilo, vomitando sua arrogância? Ou é apenas um ignorante se escondendo atrás de sua prepotência branca? Pense duas vezes antes de colocar rótulos. 
  Como sempre, acredito que a educação muda o pensamento, e como dizem:"pensamentos mudam o mundo." Neste caso, é a consciência que muda sua cabeça. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Fatores de aprendizado

     Talvez o que aprendemos nas aulas de história não era bem assim. Talvez o mundo seja bem maior do que imaginamos em nossas aulas de geografia. Talvez nunca fizemos uma experiência em Ciências. Talvez a esquina não seja o limite de nossos sonhos, nem a vida a terça parte do que pode ser.
     Para a criança o mundo é do tamanho do que ela conhece. Acredita no que os adultos ensinam. Ela assimila "verdades"e toma partido do que confia. A criança lê, ouve, escreve, experimenta, faz associações. Ela vivencia, adquire conhecimento e, assim, constrói o aprendizado.

    O aprendizado efetivo precisa ser arquitetado sobre bases diversas, considerando a realidade das crianças, o método utilizado, suas vivências, estímulos, apoio familiar e até fatores como alimentação e saúde essencial. Nem todo aprendizado é construído igual. Como falar de um mesmo assunto, com experiências pessoais diferentes e desejar o mesmo resultado? 
    Talvez eu não tenha compreendido, em meu tempo de escola, muitos conteúdos que foram repassados. Talvez nunca tive coragem de tirar uma dúvida. Talvez nem sonhe que o mundo é tão grande e tão diferente em cada lugar. Quem sabe matemática é fácil. Quem pode dizer qual foi minha conexão com o novo. Quem sabe se não entendi tudo errado...

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Fronteiras: vida e morte

  
  Estando em tempo de Finados, cabe a reflexão sobre vida e morte. O tema, particularmente interessante, vem à mente especialmente nesta época. Não por coincidência, faço parte do grupo do Projeto de Aprendizagem "Existe vida após a morte?". 

  Este é um tema que me chama a atenção, talvez por ter presenciado a morte de familiares ainda jovem ou pela mera, mas aguçada, curiosidade acerca destes assuntos. 


    No Projeto de Aprendizagem Existe vida após a morte, questionamos se e o quê existe após o último suspiro, biologicamente falando. Iniciamos nossa investigação com as premissas: "O que é vida", "O que é morte" e "Existe vida após a morte?", pois uma leva à outra, complementando a resposta com novas indagações. Ou seja, por mais que busquemos uma resposta, existem apenas suposições, crenças, "certezas" pessoais e dúvidas incontáveis.
   A Biologia explica a morte física como o cessar das funções vitais no organismo vivo, constatado principalmente pela parada cardíaca e/ou respiratória e morte cerebral. Sabemos o destino do corpo físico, perecível como toda matéria orgânica, mas a mente inquieta não se contenta com a finitude e busca, através dos milênios, um algo a mais que ultrapasse esta fronteira.

   Desde os tempos mais remotos, o ser humano busca a transcendência, almejando ansiosamente por um motivo maior, uma força ou ser superior que permitiria que a morte não fosse o fim, mas uma passagem, uma transição que asseguraria a não finitude de tudo que somos. Pode-se justificar o desejo de uma vida além-túmulo, pois nesta vida fazemos planos, criamos laços afetivos, desenvolvemos nosso intelecto, aperfeiçoamos habilidades e talentos, superamos adversidades, fraquezas, mazelas físicas e emocionais, e arduamente aprendemos lições valiosas como "o segredo da felicidade" (ou mesmo da infelicidade), portanto, seria muito "justo" se tudo continuasse... Que decepção tem o ser humano, ao olhar sua vida inteira, e ver que tudo se acaba!
  No Projeto de Aprendizagem "Existe vida após a morte", procuramos estabelecer um paralelo entre o que dizem algumas religiões acerca do assunto, uma vez que todas estão calcadas nesta fronteira desconhecida e instigante que é a morte. Do mesmo modo, procuramos ser realistas, analisando inicialmente a visão da ciência sobre a vida e a morte, para partirmos do que é comprovado para o que é suposto, sempre dentro da lógica do conhecido para o desconhecido.
    Outra questão que o dia de Finados nos faz pensar, como professores, é sobre como tratamos do assunto  morte com as crianças, como respondemos suas perguntas e como separamos o que é fato do que é crença. A questão da morte é frequentemente respondida com respostas falsas e ilusórias, mascarando a realidade com o intuito de poupar as crianças, quando na verdade, é tão natural quanto nascer ou crescer, fazendo parte do ciclo da vida. Porém temos estes meandros justamente porque dentro de nós mesmos estas questões não estão bem esclarecidas e temos, inconscientemente, medo, fobia ou  insegurança ao tratar o assunto. A sensação que se tem é que ao falar em morte vamos atrair tristeza ou mesmo, de forma supersticiosa, ela mesma. A morte pode ser trabalhada com os pequenos sob diversos aspectos, seja pelo lado da ciência, das questões sociais de tempo e passado, da religiosidade e principalmente, pelo lado existencial, das emoções e relações interpessoais. 
   O Projeto "Existe vida após a morte?" ainda está em fase de elaboração, mas já em vias de argumentar as inquietantes perguntas: "Existirá algo (no caso, vida, e de que forma) quando atravessarmos a "porta" final? O que será de nós? Aonde vamos?" Porém não haveremos de responder "sim, existe vida!", mas "talvez...", decepcionando, novamente, quem anseia por uma resposta conclusiva e segura da maior dúvida da humanidade.


  Como disse o dramaturgo grego Eurípedes, ainda na Antiguidade, "Quem sabe dizer se a vida não é o que chamam de morte e a morte não é o que chamam de vida?"



Referências: 



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O tempo e o espaço no universo da criança


"Como a criança pequena compreende o passado? Como ela lida e constrói a noção de tempo? Como percebe o espaço geográfico?"


  Para responder à questão que me move, penso que atingiremos os objetivos trabalhando os conceitos de hoje, ontem e amanhã. Acredito que inicialmente temos que fazer a criança compreender o dia de hoje, depois recordar o que fez no dia de ontem, antes de dormir e de voltar à escolinha. A noite pode ser o referencial que irá separar um dia do outro, pelo fato de ser escuro, de dormirmos e estarmos em casa. O amanhã é construído da mesma maneira: depois que dormir e acordar novamente. Por isso é tão importante a rotina na educação infantil.
   Os finais de semana também confundem um pouco os pequenos e dois dias seguidos é outra assimilação de tempo. O mesmo se dá em períodos maiores, como as férias.
  À medida que a criança cresce, os conceitos temporais vão se acomodando e ela passa a compreender melhor, frequentemente acompanhado de perguntas como: "quando você vem de novo, hoje ou amanhã? "ou formulações como "Nas férias vou na casa da avó (domingo)." O processo de elaboração de tempo passa por estas suposições até que compreendam melhor e daí, então, entendam espaços de tempo maior, como uma semana, por exemplo (de segunda até os dois dias em casa e aí de novo na escola). Na verdade eles precisam muito destes referenciais da sua rotina.
   Após esta compreensão podemos trabalhar o tempo passado, usando termos simples como algo que aconteceu "há muitos dias atrás", ou "muito, muito, mas muito tempo atrás", ou "quando vocês ainda eram bebês bem pequenos." 
   A assimilação de um tempo relativamente maior  exige um pouco mais de estruturação mental, onde podemos falar que "quando o vovô era bem pequeno", por exemplo. 



   Da mesma forma, assim se estabelecem as primeiras noções espaciais, pois identificam inicialmente pequenos espaços que frequentam, como a casa, a sua sala de aula, a igreja, o pátio, o ônibus que percorre um longo caminho.
 Torna-se interessante fazer a criança pequena observar a cor da sua casa, o tamanho da escola, o que vê no caminho, como praças, padarias e outros lugares ou pontos de referência. Assim consegue fazer conexões de perto e longe e perceber que o mundo é vasto e cheio de coisas diferentes e interessantes.
   Como sugestão de atividade de percepção tempo-espacial com os pequenos, está uma bela conversação de como é sua casa, o que tem dentro e fora dela, se demora pra chegar na escola ou se é "logo ali". Também realizar mini passeios no entorno da escola para perceberem de qual direção vem quando chegam na escola.


 Penso que trabalhar com os pequenos as questões de tempo e espaço começam com a nossa percepção da realidade simples que eles vivenciam e são familiares. Fazer comparações do tamanho da sala com a escola, corrida de quem chega primeiro no outro lado do pátio, observar de que lado a mamãe vem buscar, se da frente ou da rua lateral, conversar sobre o que a criança fez no final de semana e aonde foi, entre outras, são propostas extremamente eficazes para darmos início às construções mentais de tempo e espaço. 
   
   Aos poucos a criança compreende que pertence a uma linha do tempo, com os dias antes e os dias que vem depois do momento presente, assim como começa a perceber o mundo e aonde está inserida geograficamente, mesmo que seus limites fiquem no espaço escola-casa-praça-casa da avó-supermercado, etc. Mas é o bastante para darmos o primeiro passo.