sexta-feira, 13 de abril de 2018

Intérprete de sonhos

    Sou professora de crianças bem pequenas, ou seja, uma pessoa que convive diariamente com olhinhos luminosos e corações puros.
    Que eu possa deixar em suas vidas as marcas da afetividade, da livre expressão, da espontaneidade, da exploração, das possibilidades e tentativas, sem se apegarem  ao resultado final, mas à alegria e ao prazer do processo de cada atividade. 
    Eu gostaria que as crianças crescessem alegres, livres, espontâneas e criativas. Que seus potenciais fossem amplamente desenvolvidos e que eu seja aquela professora que um dia abriu amorosamente as janelinhas da alma para verem o mundo. 
   Como disse Ruben Alves: 


Referencias da imagem:


domingo, 8 de abril de 2018

EJA no Brasil: funções e desafios

     A Educação de Jovens e Adultos no Brasil tem função reparadora, equalizadora e qualificadora. 
    Historicamente, temos um país com déficit educacional, com crianças e adolescentes que deixaram de ir à escola por diversos motivos, como distância, más condições de vida, repetições constantes, mas principalmente para começar a trabalhar, ajudando, assim, a renda familiar, e muitas vezes, não sendo possível conciliar com o estudo. A escola democrática está a favor de todos, permitindo o direito fundamental da educação, partindo do princípio da igualdade e da liberdade. A Educação de Jovens e adultos tem a função de trazer estas pessoas para a escola, resgatando,oportunizando e possibilitando o uso de políticas sociais, para completa cidadania, e desta forma, cumprindo sua função reparadora.
     Além dos jovens que abandonaram a escola, mesmo sem desejar fazê-lo, o EJA é a oportunidade de equalizar as oportunidades à migrantes, encarcerados ou qualquer pessoa que esteja à margem do sistema educacional. Deste modo, pode-se afirmar que o EJA tem função equalizadora.
      A Educação de Jovens e Adultos, com sua função qualificadora, proporciona ao indivíduo retomar seu potencial, sua autoestima, desenvolver suas habilidades, ampliar competências já adquiridas e possibilitar avançar para outros níveis de estudo, aumentando seu crescimento pessoal e profissional.
     A Educação de Jovens e Adultos é uma promessa, instrumento e meio que agrega valor, conhecimento e oportunidades à vida das pessoas, melhorando-a e qualificando-a em diversos aspectos, como cidadãos conscientes, atualizados e, assim,favorecendo que sejamos todos parte de uma sociedade educada para o universalismo, a solidariedade, a igualdade e a diversidade.
    Os desafios hoje, no Brasil, em relação à Educação de Jovens e Adultos são, entre outros, a discriminação que, não raro, sofre a pessoa que se encontra não alfabetizada ou com o estudo incompleto, o que faz com que quem faz EJA seja estereotipada, como inferior ou incapaz. Vivemos em um mundo capitalista que enaltece a meritocracia na busca novas oportunidades de trabalho e crescimento profissional, social ou econômico. 
     Muitas vezes o EJA é visto como inclusão social, mas vai muito mais além deste pressuposto. È oportunidade e direito de todo cidadão, independente do que lhe ocorreu em sua trajetória de vida escolar. O indivíduo que procura o EJA muitas vezes já sofreu por marginalidade social.
    Torna-se necessário que o EJA seja encarado como proposta educacional e não somente como projeto econômico e social.

Referências:

PARECER CNE/CEB 11/2000 - HOMOLOGADO
Despacho do Ministro em 7/6/2000, publicado no Diário Oficial da União de 9/6/2000, Seção 1e, p. 15.

VerResolução CNE/CEB 1/2000, publicada no Diário Oficial da União de 19/7/2000, Seção 1, p. 18.




domingo, 1 de abril de 2018

Memória das Tecnologias na Escola


     Fui apresentada às tecnologias rudimentares da escola nos anos 1970, onde a folha mimeografada foi o protagonista nas memórias, pois vinha com o cheiro inesquecível do álcool usado na impressão.



     Naquele tempo, a Educação Infantil era limitada ao Jardim e Pré-escola, o famoso “prezinho“, lugar onde conhecemos pela primeira vez o lápis, a borracha, o apontador, o quadro negro, o giz e o apontador, as canetinhas, giz de cera e lápis de cor, a massa de modelar e a tinta têmpera. Dificilmente se desenhava, mas se coloria muito, em folhas mimeografadas, cartilhas ou carimbos aplicados no caderno. 
     Histórias eram ouvidas em toca discos e às vezes era levado um rádio gravador para a escola. O hino Nacional era cantado ao som de toca-discos. Nos anos iniciais assistíamos slides manual, pequenos, que eram colocados em um mini-projetor.  Recebiam-se cartilhas do governo, onde eram feitas as atividades. Também se podia se ouvir música em fones de ouvido.
Toca discos

    Fazia-se uso de papel carbono para reproduzir desenhos. Usava-se caderno de caligrafia, folhas quadriculadas e caderno de desenho. Quando havia algo importante, os registros eram feitos com máquina fotográfica manual, com filmes as serem revelados. Pesquisava-se em enciclopédias em visitas constantes à biblioteca.

Pesquisa em enciclopédias na biblioteca escolar
      Com o passar dos anos, as folhas mimeografadas foram substituídas pelas cópias xerocadas. Passamos a manipular tabelas periódicas, fichas de leitura, calculadoras. Podíamos, vez ou outra, assistir filmes em fitas VHS no vídeo-cassete. Fotos começaram a serem feitas em câmeras digitais.
     Ao retornar à universidade, muitos anos depois, em plena era da Internet, encontrei outro cenário: as folhas xerocadas podem ser lidas na tela do computador ou note book, em plataformas digitais.
     Em vez de copiar Xerox, baixamos no computador. Celulares são largamente utilizados, por serem versáteis e o levarmos junto aonde vamos, tirando fotos, acessando redes sociais e pesquisando on line. Assistimos aulas em Power Point em projetor. 
     O acesso à informação se tornou instantâneo na era do Wi fi, mas em muitas escolas públicas ainda não passa de um projeto. O aluno traz consigo dispositivos tecnológicos que manipula brilhantemente, mas nas escolas ainda se usa o velho caderno, caneta e quadro negro. Nem todas escolas possuem salas de multi-meios ou oferece oficinas de informática, ou mesmo tem Wi fi, para ser usado em aula. 
     O professor deve, na medida do possível, fazer uso de recursos digitais para manter o interesse do aluno e fazer com que utilize as facilidades de pesquisa e aprendizado que os tempos atuais proporcionam.





domingo, 25 de março de 2018

Aquisição da linguagem

     Como acontece a aquisição da linguagem na criança pequena?

   Trabalhando há anos com Berçário posso afirmar que a criança tem potencialmente o necessário para se comunicar, a não ser que apresente dificuldades como não ouvir (surda) ou autismo, por exemplo. Descartadas estas possibilidades, será progressivo o desenvolvimento da linguagem. Começa com balbucios, a partir de sons e fonemas que ela consegue produzir. Ao ouvir os sons do ambiente ela dirige seu olhar e atenção aos mesmos, percebendo que o mundo é sonoro.

     A criança pequena vê que os outros ao seu redor produzem sons com os lábios, comunicando algo, e ela, automaticamente, tenta reproduzir. Faz uma verdadeira "leitura labial" de quem se aproxima. Que felicidade conseguir reproduzir e comunicar o que deseja ou desagrada! 
   Quando a criança é estimulada a desenvolver a oralidade, mais facilmente irá compreender o mundo em volta e conseguirá se expressar. Em questão de tempo, surgem sílabas e palavras curtas e, com o avanço, começará a ampliar o vocabulário.
   Portanto, torna-se essencial que quem estiver com os bebês observe seu desenvolvimento e estimule, com conversas, canções e histórias, ou mesmo repetições silábicas lúdicas que ajudarão a consolidar novos aprendizados. Como exemplo, o versinho:

 "Chove chuva molhadinha
Chove chuva sem parar
Chove chuva molhadinha
Vai chover até parar."

Estas repetições prendem a atenção dos pequenos que além de acharem engraçado, querem reproduzir.

Coisas de outro planeta

     
     Na interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação fomos convidadas a pensar em uma escola em outro planeta...
     Mas e se esta escola fosse aqui? Seria tão utópico assim? O que falta para que a escola ideal se torne realidade?

     Apresentei, conforme solicitava a atividade, as características da escola do outro planeta:

-Interativa: troca de saberes;
-Tecnológica: totalmente equipada, ao alcance de todos, ágil e interessante;
-Colaborativa: todos terão voz e vez, participação da comunidade escolar;
-Dinâmica, prática e baseada na realidade do aluno;
-Lugar de convivência, de integração e socialização;
-Com espaços planejados para as diferentes práticas e aprendizados, como laboratórios, sala de artes, bibliotecas, espaços lúdicos, espaços para esportes, área verde, refeitório, cinema, horta, entre outros;
-As turmas serão por nível de aprendizado, sem idade cronológica;
-A escola irá ensinar o aluno a pensar, a ser e a fazer."

   

Será que esta escola idealizada é tão de "outro planeta", que só existe em nossa imaginação? Perguntas são, algumas vezes, mais importantes que respostas...

domingo, 18 de março de 2018

O aluno que queremos – cidadão de amanhã



     O que vemos, infelizmente, em muitas escolas, nas práticas docentes? Vemos alunos passivos, acatando sem questionar ou participar, as informações que são repassadas pelo professor, em um sistema arcaico de ensino, sem uso de tecnologias e temas de interesse dos alunos.
      Embora considerada arcaica, esta metodologia de ensino ainda é largamente empregada nas salas de aula, justificada por ser mais prática (não é necessário levar em conta a opinião do aluno), em uma forma de manter o centro de atenção no professor, o grande “protagonista” do ensino. Nestas salas de aula o silencio impera, necessário à concentração exigida em monólogos. A passividade do aluno evita distrações, conversas paralelas e conflitos de opinião. Ou seja, quanto menos o aluno participar, melhor, pois basta que ele preste atenção, assimile as informações e grave as mais relevantes para firmar o aprendizado.

     O que vemos são alunos engaiolados em um sistema de ensino que aprisiona e corta as asas, impedindo voos maiores. Para o sistema, alunos que voam são perigosos e dão trabalho. Não somente ao sistema escolar, mas da sociedade como um todo. 
     Rubem Alves nos lembra de que a escola tem que incentivar o voo dos alunos, libertando da gaiola que os insere: 

     “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.” (RUBEM ALVES)

     Defendemos uma escola democrática, onde seja incentivada a participação dos alunos, com a prática pedagógica partindo de seus centros de interesse, orientada pela curiosidade e desejo de saber. Porém, segundo Fernando Becker, não se desmonta um modelo pedagógico arcaico apenas com críticas, sejam psicológicas ou sociológicas, mas deve-se fomentar a crítica epistemológica na formação docente. O professor deve se questionar o que seu método pedagógico irá fomentar:

     “Para enfrentar este desafio, o professor deveria responder, antes, a seguinte questão: que cidadão ele gostaria que seu aluno seja? Um aluno dócil, cumpridor de ordens, sem perguntar pelo significado das mesmas, ou um indivíduo pensante, crítico que, perante cada encruzilhada prática ou teórica, pára e reflete, perguntando-se sobre o significado de suas ações futuras e,progressivamente, das ações do coletivo onde ele se insere?” (FERNANDO BECKER)


     Torna-se necessário refletir uma vez mais sobre a nossa própria prática docente, se estamos encorajando o voo ou cortando asas, monopolizando nosso falar ou possibilitando o aluno de buscar o conhecimento e construir aprendizados, com criticidade ou apenas reproduzindo padrões de ensino-aprendizado. Perguntas surgem não somente para obter respostas, mas para levantar outras que irão nos inquietar e assim, qualificar e ampliar nosso próprio aprendizado.



Referencias:
-ALVES, Rubem. Gaiolas e asas. Disponível em http://www.rubemalves.com.br/gaiolaseasas.htm

-BECKER, FERNANDO. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. https://pt.slideshare.net/msabba/becker-epistemologias

- ESCOLA Democrática. 2010. (3 min.), color. Publicado por Andrea Trigueiro no You Tube. Disponível em: <https://www.youtube.com/results?search_query=escola+democratica>.









domingo, 11 de março de 2018

Eixo VII: "o semestre"

     Iniciando mais um semestre... ou melhor, "o semestre"! Chamarei o Eixo VII de "o semestre" pois entramos na reta final do curso, em termos de interdisciplinas e conteúdos programados.


    "O semestre" vem com ares de "Ufa! Já cheguei até aqui!", pois não pensem que foi fácil conciliar (com saúde e disposição) escola, família, estudo e, particularmente, horas cansativas em ônibus interurbano.
     "O semestre" traz também o sentimento de superação, coragem e vitória, pois iniciei o curso aos 45 anos de idade, quando muitas mulheres já "ancoraram" o barco e se conformam com suas vidas, seu trabalho e rotina.
   "O semestre" também vai exigir mais, pois muito conhecimento já foi construído e somos desafiadas cada vez mais, aptas a qualificar nossa prática, a escrita e a reflexão.
     Que apreciemos esta estrada que chama-se "reta final", pois o mais importante não é só chegar, mas saber que somos capazes de remover as pedras do caminho, seguir fortalecidas e colher as flores que cresceram durante o percurso.



"Há flores no meu caminho. Elas estão por toda parte. Porém invisíveis aos olhos apressados pelo cotidiano. Ao ver flores no caminho o barulho da rotina faz silêncio e é possível escutar os pássaros louvando á vida."   Viviane Andrade
Referências: