domingo, 31 de março de 2019

Rumo ao final/Pedagogia EAD

    Iniciamos o último semestre do Curso de Pedagogia, rumo à formatura. Muitos desafios ainda temos pela frente nos próximos meses, talvez, os mais inquietantes. 
     
     Após dois meses de Estagio com a turma em que estava atuando, o Berçário 2, diversos aspectos vem a minha mente na preparação do TCC. Porém, a base do Projeto de Estagio é que dará forma aos meus questionamentos, pesquisando e argumentando de forma contextualizada e com a fundamentação teórica necessária. 
     O tema do meu Projeto de Estagio foi o brincar espontâneo, em crianças menores de três anos, onde foram utilizados materiais comuns e alternativos para que este  ocorresse de forma criativa. Baseando-me na premissa que é preciso pouco para a criança brincar, descobrir e aprender, sem a necessidade de brinquedos industrializados, coloridos ou,  muito menos, automatizados. Foram promovidas duas atividades diárias, com este brincar heurístico, sem quase nenhuma interferência do adulto educador, que apenas instrumentaliza o brincar, favorecendo que ocorra da forma plena. 

      Nesta concepção, a criança cria espontaneamente o seu brincar:
“Nenhuma criança brinca só para passar o tempo, sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades. O que está acontecendo com a mente da criança determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo se não a entendemos.” (FERREIRA; MISSE; BONADIO, 2004)

    Desejo que este último momento seja bem enriquecedor, fechando com chave de ouro o curso em questão.



Referências:

 FERREIRA, Carolina; MISSE, Cristina; BONADIO, Sueli. Brincar na educação infantil é coisa séria. Akrópolis, Umuarama, v. 12, n. 4, p. 222-223, out./dez. 2004.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Mundo insano

Um pouco mais de poesia, reflexão e alteridade.

O mundo não está apenas surdo.
Está cego. Mudo. Insano.
Faminto. Doente.
Os valores se vendem por trocados
Ou  por milhões.
A justiça pode ser injusta.
A verdade pode ser uma mentira.
Tudo é fake.
Ou cria-se uma verdade paralela.
O que ontem se defendia
Hoje se agride.
A flor que ontem foi plantada
Hoje é lançada fora.
As diferenças são gigantes
E o que separa as pessoas
É um profundo abismo.
Construir pontes?
O único modo de chegarmos do outro lado.
Ou destruir caminhos criados?
Qual sua escolha: o próprio umbigo
Ou braços estendidos?
Qual sua decisão?
Mundo pobre.
Almas pobres.
Ou luz?

Referências:

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Termos na escrita- 2

     Ao escrevermos um texto, uma síntese ou reflexão, é preciso analisar bem o significado das palavras e o correto emprego dos termos.
     O que não está bem claro em um texto pode gerar dúvidas e diferentes interpretações. Isto ocorre nas atividades e atribuições.
   Muitas vezes queremos dizer algo, mas acabamos criando outras interpretações.  Isto pode acontecer em um parecer descritivo, perguntas e enunciados em provas, bilhete aos pais ou mesmo trabalhos acadêmicos.
   Atualmente, nas redes sociais, podemos verificar diferentes interpretações a partir de  uma postagem, por exemplo. Desentendimentos ocorrem, com certa frequência, pois cada um interpreta a seu modo.
     Como escrevi na postagem de  25/11/2015, Termos na escrita,
http://claudiasimoneblogpead.blogspot.com/2015/11/termos-na-escrita.html há severas diferenças entre fatos reais e a forma como são escritos em sites ou jornais. Aparecem, com frequencia, meias verdades ou recortes de alguma fala, causando alvoroços desnecessários. O mundo da política é o mais prejudic  ado.
     Nestas situações, discernimento e consulta de fontes são bem vindas e necessárias.



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Infância pós-moderna -2

   Vida em movimento, contínua mudança, o ser humano em transformação.

  Estas premissas embasam o pensamento pós moderno. A velocidade do tempo nos dias de hoje não permite estagnações, crenças absolutas e nem plena confiança no que quer que seja. Nada é imutável, insubstituível ou constante. Poucas coisas são definitivas ou duradouras. Estas constatações retratam o pós modernismo, envolvendo as relações interpessoais, relações profissionais e a própria infância.  

   Segundo Bauman, a base do pós modernismo é  a inconsistência, a liquidez, o excesso, o consumismo. “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar” (BAUMAN).
     Essa é uma das frases mais famosas do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falecido em janeiro de 2017, aos 91 anos. Um líquido sofre constante mudança e não conserva sua forma por muito tempo. 
  Tudo deve ser usufruído, adquirido e mostrado. Almeja-se ser feliz agora, produzir mais para consumir mais, sem parâmetros ou sentido real. Surge, em meio a tudo isso, a pergunta: "Como educar as crianças nestes tempos líquidos?
  As crianças estão inseridas neste contexto consumista e com valores inversos. Então, como dar um norte a esta geração? Cabe à escola promover uma educação que vá além de conteúdos a serem decorados, mas que o aluno aprenda a compartilhar conhecimentos,  saiba pesquisar, pensar com autonomia, senso crítico e discernimento. E que aprendam a aprender constantemente.

Referências:
Bauman, Zygmunt. Tempos líquidos. Rio de Janeiro. Editora Jorge Zahar. 2007.

Kerber,Cláudia Simone. Infância pós-moderna. Aprendizados. 2015. Acesso ao blog:
http://claudiasimoneblogpead.blogspot.com/2015/10/infancia-pos-moderna.html


sábado, 24 de novembro de 2018

Simplesmente... brincar!

     O brincar pode ser simples e espontâneo. Para brincar não é preciso brinquedos caros, nem coloridos, nem sonoros. Para brincar e promover uma infância feliz e cheia de aprendizados, basta deixar a criança explorar livremente o mundo em volta, oportunizando a manipulação de objetos diversos e o contato com a natureza.
     Esta percepção norteia o projeto Brincar sem brinquedo, desenvolvido com minha turma de berçário, no estágio supervisionado.

    Tenho defendido que para que aconteça o brincar na escola não são necessários grandes investimentos financeiros, nem adquirir muitos brinquedos industrializados, geralmente excessivamente coloridos e barulhentos. Também defendo a ideia de que estar em contato com a natureza favorece aprendizados, e que esta pode ser levada para dentro do espaço escolar. 
    Em meus momentos pedagógicos tenho enaltecido e quase que exclusivamente, o uso de materiais alternativos, ou seja, o não-convencional, o descartável, o rústico, o simples e de uso cotidiano. Seguem-se brincadeiras que exploram tacos de madeira, cuias de chimarrão, potes plásticos, talheres, pneus, elásticos, bolas de retalhos, minhocas de meia, galões de água, caixas de ovos, entre tantos outros recursos. A natureza também oferece matéria prima para rasgaduras, como cascas de árvore e folhas, como a da bananeira, quando seca, por exemplo. Do mesmo modo, podem explorar sementes como de funcho na haste da planta, ou galhos secos e pinhas de pinheiro. 
      
   Este brincar se assemelha com o de nossa infância, que era mais espontâneo e tínhamos que criar nossas brincadeiras, com pouco acesso aos brinquedos industrializados. Penso que é possível fazer um resgate deste cenário nostálgico, da cozinha de nossas avós ou do quintal de casa, sob uma árvore, brincando na terra e com o que tínhamos a disposição. Isto não significa que tenhamos que anular o brincar contemporâneo, mas aliar ao simples espontâneo. Este brincar heurístico (derivado do grego eurisko: descobrir ou alcançar a compreensão de algo.) conecta com a natureza, fonte de criatividade, e com o próprio eu da criança, pois ela passa a ser protagonista de suas brincadeiras, conhecendo, inventando e transformando, por meio da sua imaginação criadora.

    “Os brinquedos chamados heurísticos proporcionam à criança a possibilidade de explorar objetos simples do dia a dia de forma que possam ter a oportunidade de expandir suas ideias, sua criatividade, suas percepções sobre o mundo e suas sensações.” (Lacerda)
     Posso relembrar como era minha infância, e fazer associações em minha prática docente, visando aproximar o brincar simples ao complexo mundo industrializado de hoje: 
    “Na minha infância, nos idos anos 1970, as brincadeiras eram simples, rústicas, no pátio de casa ou da escola, nas árvores do matinho aos fundos, na escada, no sótão ou no porão, onde podíamos ser crianças com liberdade e imaginação... Como foi rica minha infância, pois me foi dada a oportunidade de criar, interagir no meio em que vivia, explorar os espaços da casa e da escola e ser criança, plenamente! Feliz de quem olha pra trás, no tempo, e vê lá, uma criançafeliz!” (http://claudiasimoneblogpead.blogspot.com/2015/11/brincando-e-resgatando-crianca-interior.html)
    Acredito que é possível proporcionar às crianças das escolas infantis um contato maior com a natureza e com objetos e materiais simples, pois somos mediadores, cabendo a nós tornar isto realidade: resgatar a simplicidade das coisas, transformando em ricos aprendizados.

Referências:

Lacerda, Mariana. Brinquedos heurísticos: incentivo acessível para o brincar natural. Na pracinha. 2016. Acesso em: http://napracinha.com.br/2016/12/brinquedos-heuristicos-incentivo-acessivel-para-o-brincar-natural/

sábado, 17 de novembro de 2018

Kindergarten - oportunizando aprendizados

O que a criança pequena precisa para aprender brincando, espontaneamente? Como oportunizar um brincar simples, mas que desenvolva diversos aspectos? 

        Em 2016, na postagem Kindergarten, escrevi sobre o tema: 
     “Sabe-se que a criança passou  a ser valorizada e tratada como pessoa em potencial há pouco tempo, se analisarmos a história. Anteriormente, as crianças limitavam-se a serem "adultos em miniatura", brincando em volta da cozinha, na "barra da saia" das mães ou serviçais. No século XIX começou-se a perceber a criança como ser que precisava de educação específica para a idade. A infância, a partir de então, começou a ser objeto de estudo de muitos pedagogos, psicólogos e outros estudiosos.” http://claudiasimoneblogpead.blogspot.com/2016/10/kindergarten_12.html
     
        A cada dia percebo mais como é fantástico o brincar, que é preciso pouco para deixar uma criança feliz, com brincadeiras simples, se divertindo e aprendendo.
     No Projeto BRINCAR SEM BRINQUEDO, tenho defendido a ideia que é possível um brincar simples e espontâneo, sem brinquedos industrializados, fomentando a curiosidade e impulsionando a criatividade das crianças. 
     Realizamos, esta semana, uma brincadeira com elásticos largos e resistentes, onde amarrei  nas colunas do hall da escola e fiz uma espécie de labirinto, onde puderam passar entre as fitas, explorando a elasticidade e assim, criando possibilidades de brincar. 
     Outra atividade foi a confecção de minhocas de pano, usando meias de nylon velhas, e a pintura da semana ficou por conta de frascos de desodorante roll on, que enchi com tinta, e realizaram pinturas com os mesmos, misturando cores e fazendo descobertas.
     A brincadeira que mais empolgou foi com a confecção de trenzinhos com caixas de papelão, unidas com cordas, onde puderam, além de puxar, encher com bolas coloridas e brinquedos, classificando e selecionando volumes e quantidades em cada espaço. 
     Na escola, devemos oportunizar que a criança explore materiais e crie brincadeiras, assim como desde a criação dos jardins de infância, os "Kindergartens", de Froebel:
   “Froebel foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo, a atividade lúdica, a apreender o significado da família nas relações humanas. Idealizou recursos sistematizados para as crianças se expressarem: blocos de construção que eram utilizados pelas crianças em suas atividades criadoras, papel, papelão, argila e serragem.”(Portal Educação)
   Brincar é uma experiência fundamental da infância, que  proporciona grandes aprendizados. Segundo Vigotsky, “...Na medida em que cresce, a criança impõe ao objeto um significado. O exercício do simbolismo ocorre justamente quando o significado fica em primeiro plano. Do ponto de desenvolvimento da criança, a brincadeira traz vantagens sociais, cognitivas e afetivas.” (Portal Educação)

Referencias: 
Teóricos Sobre Educação e Ideias Sobre o Brincar.  Portal Educação.

domingo, 11 de novembro de 2018

Gaiolas X Asas

     Chegando à metade do estagio, já posso perceber o que o Projeto Brincar sem brinquedo significa na rotina e na vida das crianças.  Já estabelecemos um novo jeito de brincar, onde os brinquedos industrializados perderam espaço e os materiais alternativos são motivo de interações, brincadeiras e aprendizados. Estamos criando um hábito saudável de explorar o simples. Simples no sentido de oferecer subsídios da criança criar sua brincadeira, explorar o meio e os materiais, fazer descobertas, mais criativamente do que oferecendo um brinquedo pronto.

   
    Gosto muito da frase de Rubem Alves: “Há escolas que são gaiolas e escolas que são asas”. 
    Transponho este pensamento para o professor, pois temos que possibilitar que nossas crianças voem, descubram suas capacidades, desenvolvam habilidades e conheçam o mundo Temos que oportunizar um brincar livre para que a criança seja a protagonista de seu aprendizado, dando liberdade para explorar, descobrir, construir e aprender.


Surge o questionamento: somos aqueles (professores) que armam o alçapão para pegar os "pássaros" afim de colocar em gaiolas      para aprenderem somente o que queremos que aprendam e se "comportem" adequadamente, sem sair das grades imaginárias que traçamos? Ou propiciamos que abram as asas, gradativamente, e lancem voo, para conhecerem o céu do conhecimento,       com  a liberdade de pensarem por suas próprias mentes, interagindo e questionando o mundo em volta?”

    O Projeto Brincar sem brinquedo  vem ao encontro do que Rubem Alves sugere: permitir que a criança descubra o mundo, por sua própria investigação, e o professor apenas instrumentaliza esse fazer.





 Referencias:

ALVES, Rubem. Gaiolas ou asas. In: ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002.