segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Meu conceito de criança


  As crianças podem ser definidas baseando-se por três conceitos - modos de compreender e dimensionar a infância.

  Alguns conceituam como selvagem, pois a criança é um ser menos evoluído, menos desenvolvido e que necessita uma explicação. É vista como algo particular que já fomos e a imortalidade do seu futuro imanente; uma comunidade estável e previsível que todos fizeram parte um dia.

   Para outros a infância é natural, pois ser criança é normal e a convivência com elas é natural. A mudança de fase vem marcada por ritos de passagem, cerimônias ou apenas vem com significados ideológicos. A criança é um ser que vai maturando, conforme o desenvolvimento biológico e cognitivo.

  Sob outro ponto de vista, a criança é um ser social, visto que a infância é uma fase da vida que a criança -tábua rasa - se prepara para a convivência futura, para tornar-se um ser cultural e credível.

  A minha prática pedagógica está orientada pelo conceito da criança NATURAL, pois as vejo como pessoas que estão conhecendo o mundo, e nós, como adultos educadores, temos que guiá-los para que o seu desenvolvimento seja integral.
  Devemos favorecer o crescimento saudável, estimular as suas potencialidades e prover meios para que possam aprender, bem como estimular as capacidades cognitivas. Mas, acima de tudo, permitir que brinquem, explorem o ambiente, construam conhecimentos, interajam com os demais.


  Penso que a infância é uma riquíssima etapa da vida e existem sim, ritos de mudança criados pela sociedade. Ao sair da educação infantil fazemos uma formatura, o primeiro rito de passagem. Depois, vão surgindo outras cerimônias, algumas religiosas, que anunciam uma nova etapa.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Desenvolvimento da linguagem


   Uma das fases mais bonitas da vida de uma criança é quando ela começa a falar. Como pais ou educadores ficamos encantados ao ouvirmos as primeiras sílabas e segmentos fonéticos de uma palavra.
  
  Como trabalho com crianças em torno de dois anos, presencio diariamente estes avanços e vejo a alegria deles por conseguirem expressar verbalmente o nome dos colegas, algo que desejam ou mesmo um desagrado.
  Hoje pela manhã um menino falava "zés, zés" e ele sorria, chamando seu colega Moisés. Da mesma forma, dizer "é" para concordar com algo que eu digo, ou "ka ne", solicitando mais um pedacinho de carne no almoço. Aos poucos vão reproduzindo os sons e articulando as sílabas para se comunicarem.
   
  Saber acompanhar e estimular conforme a fase da criança é um dos grandes e maravilhosos desafios do professor de educação infantil. 
  Procuro sempre conversar muito com as crianças para que aprendam novas palavrinhas e a fala correta, mas sem interferir corrigindo, para que o aprendizado ocorra naturalmente. Geralmente concordo ou indago o que disseram, repetindo na fala certa.
 


 Mais tarde, no maternal, irão começar a se interessar pelo nome, pela escrita das palavras, gradualmente. Por enquanto ofereço revistas e folders para folhearem, fazemos leitura visual de livros e leio histórias para eles, mostrando as páginas.

  Com certeza são aprendizados significativos para o desenvolvimento da linguagem, em todo um mundo para conhecer e explorar.

domingo, 1 de novembro de 2015

Infância soft


  Desde sempre me chamou a atenção as imagens lindas de bebês fofos em revistas para mães. As capas já traziam a imagem de um lindo bebê, geralmente loirinho, de enormes olhos claros, redondinho, limpo, provavelmente cheiroso e muito amado.
   Obviamente que a imagem soft da capa era o apelo comercial para a compra da revista, pois toda mamãe deseja que seu bebê seja assim, um fofo, saudável e com todos os encantos possíveis. Como que a revista venderia seus exemplares com um bebê comum, com brotoejas ou subnutrido, por exemplo, sem a aura leve e delicada?
  Nos anos 50 e 60 já circulavam revistas do gênero, e minha mãe guardava alguns exemplares, e desde aquela época os bebês já eram retratados desta forma. Haviam propagandas de produtos com desenhos ou fotos de carinhas adoráveis e fofas.                                                                                  .anos 50
   A idealização da infância é cultural e faz parte do sonho de toda mulher que tem um filho, focando o lado meigo e ocultando as imperfeições, as deficiências, carências e desencantos da maternidade.
   A infância soft divulgada pela mídia é a supressão da necessidade que o ser humano tem de resgatar algo que há muito deixou para trás: a doçura e a inocência de um tempo lúdico e imaculado, irreversível em sua vida, frente a realidade da vida adulta.
  Soft remete à leveza e a infância é um porto seguro emocional onde o ser humano encontra o alento para enfrentar as asperezas do cotidiano.
bebê soft



A erotização infantil


   Dos anos 80 para cá muitas mudanças ocorreram na sociedade e as crianças passaram a serem consumidoras e objetos de consumo. Pseudo-valores passaram a serem incorporados, em nome da modernidade dos tempos.
Nos anos 80 era assim - capa de disco infantil

   Nunca antes na história a criança teve esse papel, num panorama cultural que valoriza a sensualidade e o culto ao corpo, visando o consumo desenfreado, fomentando o desejo de possuir e os prazeres imediatos.
  A imagem da criança deixou de ser representada pela pureza e ingenuidade, passando a ser pela sensualidade, charme e liberdade. Muitos comerciais de televisão, anúncios em revistas e outros veículos de comunicação mostram crianças erotizadas, maquiadas, de salto alto e fazendo 'caras e bocas'.
  A infancia nem sempre teve a valorização que tem hoje, sendo suprimida por séculos, com a criança convivendo com os adultos sem nenhuma preocupação com direitos ou o que estava assimilando. Muitos consideravam as crianças "adultos em miniatura". 
  Os casos conhecidos de abuso sexual se proliferam e nunca se falou tanto em pedofilia e pornografia infantil. Os direitos das crianças começaram a serem analisados e muitas bandeiras foram erguidas com o intuito de preservar  a ingenuidade infantil. De certa forma, uma contradição - se defende a pureza infantil e se erotiza o universo da criança.
  A imagem da menina de hoje está cada vez mais exposta e os crimes acontecendo até dento de casa.   O apelo sensual começa cada vez mais cedo, matando a criança interior e deixando uma lacuna no desenvolvimento saudável desta fase da vida.

Muito se vê nas escolas, com crianças maquiadas, roupas inadequadas, cuecas saindo da calça, meninas ainda, mas sensualizando nos corredores e redes sociais. 

  A nova mentalidade dos anos 80 e 90 criou toda uma ideia de liberdade e novos conceitos, fez emergir uma criança erotizada  precocemente e roubou-lhe sua característica principal, a inocência.


                                                                   
                                                                       
                                                   



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Os primórdios e os interesses da escolarização

   Analisando a escolarização sob a perspectiva histórica, em seus primórdios, utilizando a leitura A MAQUINARIA ESCOLAR -http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo2/historia-infancias/maquinaria/- como referencia, posso destacar alguns tópicos, que descreverei a seguir.

Escola como instituição

   Somente a partir de meados do século XX a escola, para as classes populares, tornou-se publica, obrigatória e gratuita, sob o poder do Estado, em vista de manter as crianças na escola entre seis e dezesseis anos, afastando-as do trabalho infantil.

Interesses envolvidos

  Durante o Renascimento os homens da Igreja e os moralistas desejavam continuar com seu prestígio e poder frente as monarquias e novas formas administrativas.



  Formaram-se inúmeras congregações religiosas, com internatos e seminários, tornando-se necessário que pessoas fossem instruídas nos moldes do catolicismo, ou protestantes, e os princípios, desta forma, conservados.
A criança pobre seria ‘domesticada’ desde a tenra idade e iria seguir sua vida nos princípios e normas da religião, de acordo com a moral imposta, sendo objetos de dominação.

                                            

                                            Estrutura física

  A escola, desde os primórdios, no Renascimento, se constituiu em espaço fechado para isolar o aprendiz dos adultos e prazeres do mundo e suas influencias nocivas. Os meninos, além de aprender a ler e escrever, aprendiam os preceitos cristãos e a levar uma vida de retidão, visando desenvolver algum ofício no futuro, serem sacerdotes ou professores, conforme a inclinação de cada um. Obviamente que os conteúdos, para estes alunos, eram limitados, ficando longe das línguas, literaturas e esportes que distinguiam a categoria social. As carteiras enfileiradas definiam limites e promoviam o isolamento, necessários a disciplina e a ordem.



As pedagogias 

  Os castigos físicos aos poucos foram substituídos por um tratamento mais amoroso, principalmente pelos jesuítas. O aluno era estimulado a estudar, além de se tornar um cristão exemplar.


Aos poucos percebe-se a necessidade de graduar o aluno e separar conforme a idade, inteligência e condição.
As aulas passaram a ser no quadrado da sala, com atividades intensas e exercícios escritos, onde o aluno tinha deveres a cumprir, sem questionar. Os alunos passaram a prestar exames e participar de debates públicos, na presença de familiares, com ênfase no mérito individual e na busca do êxito escolar.

 O Professor 

   Inicialmente eram religiosos, e depois profissionais do Magistério, com o início da Escola Normal que estava incumbida de formá-los. Do professor era esperada uma conduta exemplar, dentro de rígidos padrões morais. O professor não detinha apenas o saber, mas técnicas de domínio de e domesticação. Os professores eram oriundos de classes intermediárias e admiravam a burguesia e seus valores. O professor recebia baixa remuneração, pois seu ofício era comparado a um sacerdócio, cheio de virtudes e além dos bens materiais.

Escola como instrumento de mudança  

  A partir da institucionalização da escola, esta passou a ser agente de transformação da sociedade, porém novamente subjugados ao poder de higienistas, filantropos e reformadores sociais, os novos moralizadores das massas. Era necessário manter a classe trabalhadora conformada, sem lutas sociais a fim de preservar a estabilidade política. A base da educação era o autoritarismo e a exigência da disciplina e da submissão do aluno ao professor, geralmente um representante do Estado, um servidor público, com cargo de respeito.
















quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Desvendando a mente humana


  
   O conhecimento de certos conceitos da Psicologia torna-se muito útil para compreendermos o que se passa no nosso interior e ajudar a entender um pouco mais os outros. A partir das teorias freudianas podemos trabalhar o autoconhecimento, que é libertador e promove a paz consigo mesmo de muitas questões perturbadoras.
  Trabalhando com crianças no cotidiano escolar, muitas vezes percebemos atitudes agressivas, perturbações emocionais, distúrbios, dificuldades cognitivas e de relacionamento e problemas diversos envolvendo a autoestima das crianças. 
   Sabemos que o inconsciente da pessoa rege muitas ações em nossa vida e que geralmente não compreendemos. O inconsciente é como “uma outra pessoa” dentro de nós e não a conhecemos ou lembramos, pois sua estada ocorreu muito cedo, na infância ou mesmo no útero materno.
  Quantas emoções assimiladas, traumas sofridos, afeto negado, sensações diversas de rejeição, abandono ou desamor fazem parte do inconsciente. Mas podem se manifestar ao longo da vida em forma de timidez excessiva, agressividade, melancolia, tristeza profunda, síndromes variadas e surtos, doenças psicossomáticas, entre outros exemplos.
    Do mesmo modo, a compreensão de aspectos da mente, como o impetuoso ID ou o rígido SUPEREGO comandando o nosso EGO, nos permite também o entendimento da luta interna que tantas vezes travamos.      
  Outro aspecto importante na promoção do autoconhecimento são os mecanismos de defesa, pois frequentemente ocorrem situações em que agimos de forma estranha, ou seja, fazemos  uso destes sem percebermos. Quantas vezes negamos situações ou fatos, não aceitando uma realidade, por exemplo. Ou racionalizamos uma situação e depois acreditamos na inverdade que nós mesmos construímos ou projetamos para outra pessoa.
   Com certeza as teorias e conceitos de Freud abriram as portas da mente humana, para conhecer, entender e agir de uma forma mais coerente e afetuosa consigo e com os outros. O estudo da mente abriu não só as portas, mas as asas do conhecimento sobre o ser humano.                                                                                    


sábado, 17 de outubro de 2015

História coletiva



   Sempre gostei de inventar histórias para as crianças nas turmas em que atuei, na educação infantil. Na interdisciplina Seminário Integrador II, surgiu a proposta da HISTÓRIA COLETIVA, com os participantes tendo que continuar o texto que a colega anterior escreveu, dando nexo ao que foi iniciado. 
    Ao longo dos anos, escrevi alguns livros artesanais, para menores de 5 anos, que deixei na biblioteca da Escola para compartilharem.


   Também costumo montar um livrinho para as crianças, unindo um tema trabalhado com algumas atividades artísticas e motoras, como pinturas ou rasgadura, por exemplo. Geralmente invento uma história que será a base dos trabalhos e utilizo as atividades para complementar. 
    Agora estou trabalhando o tema Diversidade, e confeccionei uma boneca de pano negra, com o cabelo trançado. Esta boneca visita a casa das crianças e junto vai uma história com lacunas a serem preenchidas pelos pais, como por exemplo, quais brincadeiras seu filho realizou com ela, ou a descrição física. 
   Esta história é interativa, e no final do ciclo escreverei uma única história, juntando os elementos apresentados, com o objetivo de mostrar ás crianças (e pais) o valor e o respeito pelas diferenças e como podemos conviver bem, no caso, uma menina negra, de cabelo diferente do que costumam ver. Tirei algumas fotos das crianças brincando com ela, que depois irei incluir no livrinho.
    
   Por já gostar de histórias infantis escolhi o tema COMÉDIA, na História Coletiva, ao ver o início do texto.
    A história fala de um macaco chamado Simão, que percebe, apavorado, seu rabo todo pelado... um bom "pano pra manga", com certeza!