Historicamente, o trabalho surgiu com a transformação da natureza pela ação humana, e seu resultado foi apropriado por quem o idealizou, e é claro, realizou. Com o
passar do tempo, o trabalho começou a
ser executado por outros, e o fruto do trabalho nas mãos de quem não realizou,
mas somente idealizou.
Começaram a
surgir diferenças neste processo, pois quem executava o trabalho afastou-se do
resultado e seus benefícios, perdendo, desta forma, o sentido maior de seu
esforço. O trabalho, gradativamente, tornou-se mercadoria de troca, cada vez
mais distante de seu significado inicial. Com isso, alguns se beneficiavam,
outros cumpriam obrigações. O trabalho braçal ficou com a maioria, enquanto a
minoria estipulava as regras que originou a sociedade capitalista e usufruía
dos produtos.
Os
resultados geravam cada vez mais necessidades que precisavam ser supridas com
mais trabalho e linhas de produção, afastando cada vez mais as classes
operárias dos frutos, ou seja, o trabalhador empenhava-se em laborar em troca de
alimento e sustento, enquanto que os dominantes criavam mais e mais novas
necessidades. Formaram-se, assim, as classes sociais, com as maiorias
trabalhadoras na base, alienadas de todo usufruto, e subindo na pirâmide,
conforme mais usufruía, ou seja, os beneficiados no topo, dominando as bases.
Deste mesmo
modo, a cultura ficava nas mãos de quem podia usufruir de tudo de bom que o
mundo produzia, enquanto que os assalariados contentavam-se com muito menos: o
básico para uma vida digna e aceitando seus limites, não almejando alçadas maiores. Com isso, as classes dominantes, e
consequentemente abastadas, apropriaram-se do saber, da cultura, dos grandes
feitos da humanidade, das artes, dando valor comercial a eles.
A cultura em
expressões máximas da beleza, como pintura, ou sensibilidade, como a música, a
dança ou a literatura, ficavam ao lado de quem podia pagar este valor
comercial, mais alto quanto mais original e expressivo. Paralelamente,
manifestava-se a cultura popular, das classes menos favorecidas, considerada
uma subcultura, “inferior”, pois pertencia aos pobres, aos excluídos e a todos
os trabalhadores primários. As expressões surgiram nas artes de rua, nos porões,
nas festas populares. Porém, esta
divisão histórica de classes não justifica a alienação, a privação das maiores
expressões da arte, da música, da literatura. O acesso deve ser igualitário,
nivelando horizontes, criando possibilidades homogêneas a toda pessoa.
O acesso à
escola e educação, também ficou, historicamente, nas mãos de quem podia pagar
por este bem, as classes privilegiadas da sociedade. Com isso, a plebe, ou
melhor, o povo da base operária não estudavam, pois além de não poderem pagar,
também “não precisavam de estudo”, conformando-se neste paradigma estabelecido.
Com o passar
dos tempos, algumas coisas mudaram, porém as classes oprimidas passaram a ser
outros grupos, presentes até hoje em nossa realidade: mulheres, negros, índios,
portadores de necessidades especiais, entre outros tantos excluídos.
Até que ponto
continuamos perpetuando estas diferenciações no cotidiano escolar? De que forma
damos continuidade a estas inversões, favorecendo “os detentores do saber e da
cultura”(temos alunos de uma melhor condição social, econômica e cultural que
outros) e menosprezando o aluno humilde, pobre e à margem da cultura em sua
realidade existencial. Quando
elogiamos sempre o aluno limpinho, branco, filho de pais “importantes”, estamos
perpetuando, inconscientemente, esta problemática social. Claro que podemos
elogiar seus feitos, mas o aluno sujinho, pobre, negro (ou qualquer que seja
sua característica erradamente exclusiva), também deve ter as mesmas condições
de obter sucesso nos seus feitos, com possibilidades iguais de êxito e
merecedor de reconhecimento.
Na prática
das escolas, têm-se visto, ora camuflada, ora escancaradamente exposta esta
situação, com alunos sendo tratados de forma desigual, ofensiva e
desmerecidamente. Toda
criança, ou aluno, tem direito à educação de qualidade, acesso à cultura e
condições de desenvolver todo seu potencial, com o apoio necessário para sanar
deficiências que infelizmente surgem de sua condição social desfavorecida neste
contexto capitalista de sobrevivência egoísta e injusta.
Como eu,
professora, posso contribuir para mudar essa realidade em minha escola? Fazendo um trabalho onde prevaleça a igualdade, a solidariedade e a justiça.
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