segunda-feira, 15 de junho de 2015

As diferenças sociais na escola

     Historicamente, o trabalho surgiu com a transformação da natureza pela ação humana, e seu  resultado foi apropriado por quem o idealizou, e é claro, realizou. Com o passar do tempo, o trabalho  começou a ser executado por outros, e o fruto do trabalho nas mãos de quem não realizou, mas somente idealizou.
     Começaram a surgir diferenças neste processo, pois quem executava o trabalho afastou-se do resultado e seus benefícios, perdendo, desta forma, o sentido maior de seu esforço. O trabalho, gradativamente, tornou-se mercadoria de troca, cada vez mais distante de seu significado inicial. Com isso, alguns se beneficiavam, outros cumpriam obrigações. O trabalho braçal ficou com a maioria, enquanto a minoria estipulava as regras que originou a sociedade capitalista e usufruía dos produtos.
     Os resultados geravam cada vez mais necessidades que precisavam ser supridas com mais trabalho e linhas de produção, afastando cada vez mais as classes operárias dos frutos, ou seja, o trabalhador empenhava-se em laborar em troca de alimento e sustento, enquanto que os dominantes criavam mais e mais novas necessidades. Formaram-se, assim, as classes sociais, com as maiorias trabalhadoras na base, alienadas de todo usufruto, e subindo na pirâmide, conforme mais usufruía, ou seja, os beneficiados no topo, dominando as bases.
     Deste mesmo modo, a cultura ficava nas mãos de quem podia usufruir de tudo de bom que o mundo produzia, enquanto que os assalariados contentavam-se com muito menos: o básico para uma vida digna e aceitando seus limites, não almejando alçadas  maiores. Com isso, as classes dominantes, e consequentemente abastadas, apropriaram-se do saber, da cultura, dos grandes feitos da humanidade, das artes, dando valor comercial a eles.
     A cultura em expressões máximas da beleza, como pintura, ou sensibilidade, como a música, a dança ou a literatura, ficavam ao lado de quem podia pagar este valor comercial, mais alto quanto mais original e expressivo. Paralelamente, manifestava-se a cultura popular, das classes menos favorecidas, considerada uma subcultura, “inferior”, pois pertencia aos pobres, aos excluídos e a todos os trabalhadores primários. As expressões surgiram nas artes de rua, nos porões, nas festas populares. Porém, esta divisão histórica de classes não justifica a alienação, a privação das maiores expressões da arte, da música, da literatura. O acesso deve ser igualitário, nivelando horizontes, criando possibilidades homogêneas a toda pessoa.
     O acesso à escola e educação, também ficou, historicamente, nas mãos de quem podia pagar por este bem, as classes privilegiadas da sociedade. Com isso, a plebe, ou melhor, o povo da base operária não estudavam, pois além de não poderem pagar, também “não precisavam de estudo”, conformando-se neste paradigma estabelecido.
     Com o passar dos tempos, algumas coisas mudaram, porém as classes oprimidas passaram a ser outros grupos, presentes até hoje em nossa realidade: mulheres, negros, índios, portadores de necessidades especiais, entre outros tantos excluídos.
     Até que ponto continuamos perpetuando estas diferenciações no cotidiano escolar? De que forma damos continuidade a estas inversões, favorecendo “os detentores do saber e da cultura”(temos alunos de uma melhor condição social, econômica e cultural que outros) e menosprezando o aluno humilde, pobre e à margem da cultura em sua realidade existencial. Quando elogiamos sempre o aluno limpinho, branco, filho de pais “importantes”, estamos perpetuando, inconscientemente, esta problemática social. Claro que podemos elogiar seus feitos, mas o aluno sujinho, pobre, negro (ou qualquer que seja sua característica erradamente exclusiva), também deve ter as mesmas condições de obter sucesso nos seus feitos, com possibilidades iguais de êxito e merecedor de reconhecimento.
     Na prática das escolas, têm-se visto, ora camuflada, ora escancaradamente exposta esta situação, com alunos sendo tratados de forma desigual, ofensiva e desmerecidamente. Toda criança, ou aluno, tem direito à educação de qualidade, acesso à cultura e condições de desenvolver todo seu potencial, com o apoio necessário para sanar deficiências que infelizmente surgem de sua condição social desfavorecida neste contexto capitalista de sobrevivência egoísta e injusta.
      Como eu, professora, posso contribuir para mudar essa realidade em minha escola? Fazendo um trabalho onde prevaleça a igualdade, a solidariedade e a justiça.

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