quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Matemática para os pequenos


A reflexão de como realizo atividades envolvendo noções de matemática na educação infantil, especificamente com os menores, ocorre a partir da premissa de que o lúdico deve permear toda intervenção pedagógica.
Citemos o exemplo de uma atividade simples que faz parte do dia a dia:
     - “Como nadam os patinhos na lagoa? “Assim: de dois em dois” (mostrando os dedos), respondem as crianças. Esta conversação se refere a uma lúdica indagação sobre quantidades e organização espacial, em uma turma de berçário 2.
     A canção “Dois patinhos” pode ser cantada na hora de iniciar uma caminhada em duplas, ou na organização da turma para ir ao refeitório, por exemplo. A canção é assim: "Os patinhos na lagoa nadam de dois em dois, de dois em dois... nadam de três em três... nada de quatro em quatro... nadam todos juntos..." Nesta brincadeira as crianças são os patinhos e dar a mão ao colega significa que vão nadar junto.
    Esta simples e corriqueira atividade reflete o quanto é sutil o fazer pedagógico em tão tenra idade. A assimilação de conceitos matemáticos básicos pode começar ali, na rotina de um berçário. Da mesma forma, por exemplo, a canção "Três palavrinhas" faz com que pensem um pouco mais: "Três palavrinhas só, eu aprendi de cor: Deus é amor - três palavrinhas só!" Nesta oração as crianças precisam organizar mentalmente as três palavras e coordenar com os gestos de enumerar com os dedos.
    As primeiras noções espaciais e de lateralidade também podem ser construídas ludicamente, como com a brincadeira do barquinho que vai “pra lá e pra cá”, onde a criança segura as mãos da professora e coloca os pezinhos sobre os pés dela e esta movimenta em direções variadas, enfatizando o pra lá (longe) e pra cá (próximo a ela).

     Estes são singelos exemplos de atividades cotidianas envolvendo o ensino da matemática em crianças tão pequenas. Do mesmo modo, jogos com material alternativo e blocos ou peças de encaixe são utilizados largamente. As sementinhas são lançadas na mente das crianças, que aguardam novos desafios para construções maiores, que com o passar dos dias, irão se estruturar. 






quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Kindergarten

    
     Hoje se comemora o Dia das Crianças. A maioria dos professores trabalha com crianças, destas, muitas na educação infantil.  

     Sabe-se que a criança passou  a ser valorizada e tratada como pessoa em potencial há pouco tempo, se analisarmos a história. Anteriormente, as crianças limitavam-se a serem "adultos em miniatura", brincando em volta da cozinha, na "barra da saia" das mães ou serviçais. No século XIX começou-se a perceber a criança como ser que precisava de educação específica para a idade. 

    A infância, a partir de então, começou a ser objeto de estudo de muitos pedagogos, psicólogos e outros estudiosos. Um destes foi o pedagogo alemão Fiedrich Froebel, o criador do JARDIM DE INFÂNCIA, o "Kindergarten". Froebel é considerado o maior reformulador educacional do século XIX, pois com seu pensamento crítico, desenvolveu uma educação diferenciada, com o uso de brinquedos, materiais alternativos (tão em voga na atualidade), para a percepção sensorial, e depois, consequentemente, ampliar movimentos com o próprio corpo. 



    
      Podemos, segundo Frank Carvalho, constatar que:
 "Em sua filosofia educacional, no Kindergarten as crianças eram consideradas plantinhas de um jardim, cujo jardineiro seria o professor (influência de Pestalozzi). A criança se expressaria através das atividades de percepção sensorial, da linguagem e do brinquedo. A linguagem oral se associaria à natureza e à vida." 
     Neste Dia das Crianças, que saibamos dar valor a criança que está se desenvolvendo, conhecendo o mundo, socializando-se e interagindo, pois é dependente de nós, adultos educadores, mas grandiosa em todo seu potencial.



Referencias:
                  Carvalho, Frank Viana. Filosofando. Blog (11 de outubro de 1911). 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Conhecer o mundo

     Conhecer o mundo em volta é um dos objetivos que estabelecemos na educação infantil, baseado no eixo Natureza e sociedade, dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). Mas o que significa conhecer o mundo quando trabalhamos com berçários?

     A vida da criança menor de dois anos é um desabrochar contínuo em diversos sentidos: ela descobre-se como sendo independente da mãe, o que ocorre gradativamente com o desmame, os primeiros passos, o contato com outras pessoas, a ida à escola, alimentando-se sozinha, entre outros avanços. normais nesta fase. Quando ela começa a engatinhar, já explora o ambiente, o espaço físico, percebe a temperatura, os sons, os objetos e que o movimento que realiza pode levá-la cada vez mais longe. Quando passa a caminhar, a exploração do ambiente vira uma festa, pois toda descoberta é motivo de imensa alegria. Muitas vezes foge dos pais ou educadores, mas com o intuito de desafiar, mostrando do que é capaz.
     A manipulação de objetos faz com que perceba as formas, a textura, as possibilidades de brincar com eles. A interação com os outros, adultos ou crianças, faz com que se torne um ser social, que respeita combinados e compreende seus limites. O desenvolvimento da coordenação torna a criança cada vez mais autônoma, facilitando avanços em outras áreas. 
     Como professora de berçário II, procuro realizar passeios curtos pelas ruas do entorno da escola, para ver outras casas, apreciar a natureza, conversar com algumas pessoas, e mesmo olhar as galinhas do vizinho, por exemplo. Os passeios também servem para compreenderem normas e manter os combinados, como não largar a cobrinha que seguram.
     Com o desenvolvimento físico, motor e cognitivo, posso pensar em fazer um passeio maior, com um meio de transporte para um outro lugar, como um parque, um campo de futebol ou um prédio histórico, por exemplo. Claro que em função da pouca idade e suas limitações, torna-se necessário o acompanhamento de uma ou duas monitoras, mas pode-se agendar um dia especial para estas atividades.
      Penso que conhecer o mundo na fase de berçário II, em torno de dois anos de idade, é perceber que existe ao redor de si um vasto universo de coisas, pessoas, animais, sons, cheiros, cercas e muros, mas também, portas abertas para o novo e toda sua grandiosidade. E que ela faz parte disto tudo.

Gaiolas ou asas


     Rubem Alves, professor e escritor mineiro, deixou-nos a célebre frase: "Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas", e a partir desta máxima, começamos a observar melhor nossa forma de ensinar, com pensamento crítico sobre nosso papel na educação.


      Surge o questionamento: somos aqueles (professores) que armam o alçapão para pegar os "pássaros" afim de colocar em gaiolas para aprenderem somente o que queremos que aprendam e se "comportem" adequadamente, sem sair das grades imaginárias que traçamos? Ou propiciamos que abram as asas, gradativamente, e lancem voo, para conhecerem o céu do conhecimento, com a liberdade de pensarem por suas próprias mentes, interagindo e questionando o mundo em volta?
     Quem e como somos, afinal? Como é minha postura frente aos conteúdos que tenho que passar, quanto permito a manifestação em sala de aula, quanto possibilito que descubram por eles mesmos as verdades deste mundo? O quanto estimulo os menores, na educação infantil, para que acreditem em si, nas suas capacidades e desenvolvam seu potencial, a autonomia, a descoberta de suas possibilidades, sem podar iniciativas, por mais corriqueiras que pareçam?
      Penso que a partir da percepção de "ser gaiola" ou de "ser asa", como comparou Rubem Alves, cada professor, em sua escola, deve refletir sobre sua prática e buscar, ao máximo, aproximar-se do ideal de dar asas aos seus alunos, para que aprendam por si mesmos, com a figura do decente como um orientador amoroso, ensinando manobras, rotas, mapas e propondo atividades que permitam ao aluno fazer suas próprias descobertas e construções.

Referências:
ALVES, Rubem. Gaiolas ou asas. In: ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 29-32.


                                                                                                                                                                                                                    

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Orgulho de ser gaúcho

      O orgulho de ser gaúcho é um sentimento cultivado em nosso Estado pelo seu povo, passado de geração em geração, alimentado pelos Centros tradicionalistas e valorizado em nossas escolas.
     Nestas últimas semanas temos avivado este sentimento em nossas escolas, como na EMEI onde trabalho, através de canções, danças, versinhos, atividades pedagógicas, passeios a Centros de Tradição para assistir apresentações, mateada, churrasco, cavalgada (com cavalinhos de pau) e estimulamos o uso de trajes típicos nestes dias.
     Como o público alvo são crianças bem pequenas, até os três anos de idade, as atividades são simples, porém o sentimento de orgulho de ser gaúcho é transmitido em cada proposta, conversação ou explanação sobre o Dia do Gaúcho. Ainda não compreendem a história do Rio Grande do Sul, nem sabem o que é um Estado, por exemplo, e por isso que procuramos representar, e apresentar, a cultura gaúcha para os pequenos. Desta forma, fomentamos o gosto pelas tradições e um sentimento caloroso por tudo que envolve esta questão. Realizamos nossas atividades lembrando o que o cantor e compositor Nico Fagundes eternizou em seus versos: 
    " ...Ouve o canto gauchesco e brasileiro,
    desta terra que eu amei desde guri...
     ...E nos olhos vou levar o encantamento,
    desta terra que eu amei com devoção..."
   A função da escola é justamente esta: além de passar conteúdos, enriquecer a vida e a cultura do aluno, passando valores e conhecimento que levará consigo em sua formação. Pequenos gaúchinhos estão conhecendo e valorizando suas raízes, de seu povo e sua terra.

Referencias:
Fagundes, Nico. Canto alegretense.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Professores brilhantes

 Assistindo o horário político de televisão, constatei que alguns professores lançaram candidatura e fazem seu breve pronunciamento. Chamou minha atenção o fato de intitularem-se "Professor José", Professora Maria", Professor este ou aquele.
 Nos demais canditados aparece somente o nome, ou um apelido acompanhando. Fiquei, então, pensando: qual é o diferencial do professor para as demais profissões? Até porque é raro ouvirmos "Mecânico tal", Doutora tal", ou no máximo "Paulo, da saúde", por exemplo.
  Acredito que ser professor ainda tem status positivo e diferenciado na sociedade. Talvez não status sócio-econômico, mas de valores, de integridade, de respeito e diferencial cultural, pois ele, o professor, é aquela pessoa que passa estas noções aos mais novos. 
  Muitos professores  serão lembrados, ao longo de nossa vida, não pela roupa usada ou pelo carro que tiveram, mas pelo brilho pessoal e por sua importância em nossa formação. Alguns serão eternos em nossa memória, principalmente aqueles que apostaram na gente: os que incentivaram nas horas de desânimo, abriram nossa mente para o mundo, ensinaram para a vida e cobraram nosso esforço.
  Por isso que acrescentar a palavra Professor sempre será a distinção na sociedade, com uma valorização muitas vezes velada, mas real. Pois "Professores brilhantes ensinam para uma profissão. professores fascinantes ensinam para a vida."(Augusto Cury)

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Pátria amada, Brasil


   Encontrei-me, semana passada, em uma situação que me deixou pensativa: o que fazer de atividade para o Dia da Independência, com crianças de dois anos de idade?
   A dúvida nem era a atividade em si, mas o contexto em que se encontra o país nos dias atuais. Como iria retratar o Brasil, o verde-amarelo, o patriotismo, a mensagem que iria passar. O que eu diria aos pequenos sobre ser brasileiro.

  Passadas as Olimpíadas, o que refere ao país é, de modo geral, controverso, obscuro, crítico e até grotesco. Como irei fomentar na nova geração o orgulho pela Pátria? Como explicarei que o país é um "impávido colosso", ou que "um filho teu não foge à luta", como nos diz o Hino Nacional, pois qual é a luta? Qual a grandeza deste país em que vivem e nasceram? 
  Os valores em relação ao patriotismo e ao orgulho nacional há muito mudaram, frente as turbulências dos últimos meses, ou anos. Como relacionar as cores do país às riquezas, sem ser hipócrita ou levantar bandeiras? Limitar o verde-amarelo à jogos da Seleção ou Olimpíadas é, no mínimo, ofuscar o povo, a cultura, as regiões e a história.
   Em meio à estes questionamentos, surgiu a ideia de começar do zero, levando em consideração a pouca idade e desconhecimento das crianças sobre os problemas sócio-econômicos ou políticos do país. 
   Fiz, então, um quadro mural com a bandeira do Brasil e sobre ela, fantoches de meninos e meninas, vestindo roupinhas verde-amarelas e com a foto do rosto de cada um. A frase que torna o mural objeto de questionamento: NÓS SOMOS O FUTURO DO BRASIL!
   E agora? A quem cabe definir o Brasil que começa agora, nos berçários deste país?
   A frase levou à outra, que pintei na porta de vidro que dá entrada ao hall da escola: O FUTURO PASSA POR AQUI: FORMANDO O PAÍS DO AMANHÃ!
   Ou seja, uma pergunta leva a outra, que nos leva à reflexão. Nem sempre as respostas são imediatas, mas construídas ao longo da jornada.