quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Curiosidade infantil

     
     Uma das grandes características da infância é a curiosidade. Muitas vezes confundimos curiosidade com peraltice ou intromissão, não raro dizendo: “Joãozinho, deixa de ser curioso!” Sem querer estamos minando um dos maiores portais do conhecimento.
     Ser curioso é desejar tudo ver e tudo saber. A curiosidade move o pensamento a procurar uma resposta, mas às vezes, antes de completada, já surge outra e mais outra indagação. O que seria da humanidade se não fossem os curiosos? Talvez não tivessem descoberto a penicilina, ou a lâmpada, ou mesmo continuaríamos achando que voar é somente para pássaros.
     Uma criança saudável é naturalmente curiosa: quer saber de onde vem o som, quem está falando no telefone e como foi parar lá dentro, porque cai água do céu, porque o sol é amarelo, porque as formigas caminham juntas, porque, porque, por que... E vão além: como se faz isso, como se faz aquilo, onde tem isso, quando aquilo lá...
    A curiosidade é inerente ao ser humano e por ela vamos além, buscando respostas e atravessando as fronteiras do que é conhecido. Estimular a curiosidade infantil, incentivando e promovendo experiências é, além de um prazer enorme, fomentar que novos cientistas e questionadores surjam. Assim como Einstein, Galileu, Pasteur, Santos Dumont ou Da Vinci foram guiados pela curiosidade, nossos alunos também podem seguir seus desejos de ver e de saber. E, por conseguinte,  com suas aguçadas visões de mundo, fazer suas vidas muito mais incríveis.




sábado, 5 de novembro de 2016

Matemática lúdica


   As operações aritméticas que se iniciam nos primeiros anos do ensino fundamental podem ser estruturadas cognitivamente na educação infantil, pois a criança pequena já constrói as bases em seu dia a dia nas brincadeiras e interação com os colegas.
   As estruturas mentais vão se erguendo a partir de experiências espontâneas e atividades orientadas por um adulto, no caso um professor, que pode desafiar os alunos a fazer raciocínios matemáticos e realizar as primeiras operações, de forma simples e contextualizada no que ele está fazendo.
   Como trabalho com crianças de dois anos de idade, percebo a adição e a subtração nas brincadeiras mais cotidianas e em canções ou histórias. Obviamente que nesta idade não sabem o que significa 1 + 1 ou 3 - 1, por exemplo, mas ludicamente fazem estas operações.
   Posso citar como exemplo quando estão tomando o café da manhã e ofereço uma rodelinha de banana. Quando comeram o pedaço, ofereço mais dizendo mais um.  Ao comer a segunda rodela digo “O Paulo comeu duas bananas”, mostrando com os dedos. Do mesmo modo quando coloco vários gomos de bergamota na frente da criança, digo: “O Caio tem um monte de bergamota!” Ao comer um digo: “O Caio tem um gomo a menos... menos um...” até que comeu todos e exclamo “Onde estão os gomos da bergamota que tinha aqui?”, claro que vão dizer “Caio comeu”, mas digo “O caio tinha um monte de bergamota e agora não tem mais. Ele comeu todos.” Pode ser simples? Pode sim ser extramente simplório o modo de trabalhar matemática com os pequenos, mas já elaboram esquemas mentais, embora rudimentares, mas efetivos.
   Quando brincam sempre tem uma criança que recolhe todos os carrinhos, por exemplo, embaixo do braço e no colo, não deixando muitos disponíveis para os outros, causando desentendimentos entre os pequenos, pois vai “tomando” todos os brinquedos. Nestas situações aproveito e digo: “Nossa, o Moisés tem um monte de carrinhos e os colegas não tem nenhum pra brincar. Vamos dar um para cada um?” Sugiro que o aluno distribua os carrinhos, um para cada aluno, e no fim, quando distribui, todos ficam felizes. Digo então: ‘Viva! O Moisés tinha um monte e agora cada criança tem um.”
   Nas canções e histórias acentuo as operações aritméticas mentais, como na canção “Cinco patinhos” da Xuxa, onde percebem as quantidades nos dedos, que representam os patinhos, e à medida que a mamãe constata a falta de um, diminui o número de patinhos.
   Os materiais alternativos são grandes aliados das construções operacionais, pois podemos usar tampinhas de garrafas pet coloridas, por exemplo, para fazer jogos de adição e subtração.

 “Experiências mostram que o uso de material variado contribui para a   aquisição dos conceitos, portanto todos os materiais disponíveis podem ser usados pelo professor, começando desde tampas de garrafas e pedrinhas...” (Bittar,  Freitas e Pais)

    Um exemplo seria um jogo com dado, que também pode ser de material reciclado, grande e colorido, muitas tampas coloridas, fundos de garrafas pet para armazenar as tampinhas. Joga-se o dado e digamos que Lucas tira o um, então pode pegar uma tampinha. Marcos pega cinco então pode pegar cinco tampinhas. Podem-se fazer duas ou três rodadas e no final soma-se a quantidade de tampinhas de cada um. Vence quem juntou mais tampinhas. Provavelmente os menores não irão enfatizar a quantidade numérica, mas a quantidade em termos de volume, o “montinho” maior de tampas. Crianças do jardim, por exemplo, já irão compreender, mas no berçário ou maternal irão associar mais com muito, o que não deixa de ser uma pré-operação.
   Penso que o professor da educação infantil acompanha o crescimento e o desenvolvimento das crianças, então cabe a ele perceber como a criança está construindo as noções matemáticas e onde utiliza, no dia a dia. Para tanto, precisa ter a sensibilidade de perceber onde ela se manifesta e onde pode aproveitar o momento para fazer uma intervenção, com o intuito de dar significado a toda experiência dos pequenos.
   Do mesmo modo, deve fazer uso de inúmeros recursos práticos e criativos para elaborar estratégias de adquirir conhecimento, de forma lúdica e construtiva. 


Referencias
   Bittar, Marilena. Freitas, José Luiz Magalhães de. Pais, Luiz Carlos.Técnicas e Tecnologias no Trabalho com as Operações Aritméticas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Em: A matemática em sala de aula. Editora Penso. 2013.
                                      

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Fronteiras: vida e morte

  
  Estando em tempo de Finados, cabe a reflexão sobre vida e morte. O tema, particularmente interessante, vem à mente especialmente nesta época. Não por coincidência, faço parte do grupo do Projeto de Aprendizagem "Existe vida após a morte?". 

  Este é um tema que me chama a atenção, talvez por ter presenciado a morte de familiares ainda jovem ou pela mera, mas aguçada, curiosidade acerca destes assuntos. 


    No Projeto de Aprendizagem Existe vida após a morte, questionamos se e o quê existe após o último suspiro, biologicamente falando. Iniciamos nossa investigação com as premissas: "O que é vida", "O que é morte" e "Existe vida após a morte?", pois uma leva à outra, complementando a resposta com novas indagações. Ou seja, por mais que busquemos uma resposta, existem apenas suposições, crenças, "certezas" pessoais e dúvidas incontáveis.
   A Biologia explica a morte física como o cessar das funções vitais no organismo vivo, constatado principalmente pela parada cardíaca e/ou respiratória e morte cerebral. Sabemos o destino do corpo físico, perecível como toda matéria orgânica, mas a mente inquieta não se contenta com a finitude e busca, através dos milênios, um algo a mais que ultrapasse esta fronteira.

   Desde os tempos mais remotos, o ser humano busca a transcendência, almejando ansiosamente por um motivo maior, uma força ou ser superior que permitiria que a morte não fosse o fim, mas uma passagem, uma transição que asseguraria a não finitude de tudo que somos. Pode-se justificar o desejo de uma vida além-túmulo, pois nesta vida fazemos planos, criamos laços afetivos, desenvolvemos nosso intelecto, aperfeiçoamos habilidades e talentos, superamos adversidades, fraquezas, mazelas físicas e emocionais, e arduamente aprendemos lições valiosas como "o segredo da felicidade" (ou mesmo da infelicidade), portanto, seria muito "justo" se tudo continuasse... Que decepção tem o ser humano, ao olhar sua vida inteira, e ver que tudo se acaba!
  No Projeto de Aprendizagem "Existe vida após a morte", procuramos estabelecer um paralelo entre o que dizem algumas religiões acerca do assunto, uma vez que todas estão calcadas nesta fronteira desconhecida e instigante que é a morte. Do mesmo modo, procuramos ser realistas, analisando inicialmente a visão da ciência sobre a vida e a morte, para partirmos do que é comprovado para o que é suposto, sempre dentro da lógica do conhecido para o desconhecido.
    Outra questão que o dia de Finados nos faz pensar, como professores, é sobre como tratamos do assunto  morte com as crianças, como respondemos suas perguntas e como separamos o que é fato do que é crença. A questão da morte é frequentemente respondida com respostas falsas e ilusórias, mascarando a realidade com o intuito de poupar as crianças, quando na verdade, é tão natural quanto nascer ou crescer, fazendo parte do ciclo da vida. Porém temos estes meandros justamente porque dentro de nós mesmos estas questões não estão bem esclarecidas e temos, inconscientemente, medo, fobia ou  insegurança ao tratar o assunto. A sensação que se tem é que ao falar em morte vamos atrair tristeza ou mesmo, de forma supersticiosa, ela mesma. A morte pode ser trabalhada com os pequenos sob diversos aspectos, seja pelo lado da ciência, das questões sociais de tempo e passado, da religiosidade e principalmente, pelo lado existencial, das emoções e relações interpessoais. 
   O Projeto "Existe vida após a morte?" ainda está em fase de elaboração, mas já em vias de argumentar as inquietantes perguntas: "Existirá algo (no caso, vida, e de que forma) quando atravessarmos a "porta" final? O que será de nós? Aonde vamos?" Porém não haveremos de responder "sim, existe vida!", mas "talvez...", decepcionando, novamente, quem anseia por uma resposta conclusiva e segura da maior dúvida da humanidade.


  Como disse o dramaturgo grego Eurípedes, ainda na Antiguidade, "Quem sabe dizer se a vida não é o que chamam de morte e a morte não é o que chamam de vida?"



Referências: 



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O tempo e o espaço no universo da criança


"Como a criança pequena compreende o passado? Como ela lida e constrói a noção de tempo? Como percebe o espaço geográfico?"


  Para responder à questão que me move, penso que atingiremos os objetivos trabalhando os conceitos de hoje, ontem e amanhã. Acredito que inicialmente temos que fazer a criança compreender o dia de hoje, depois recordar o que fez no dia de ontem, antes de dormir e de voltar à escolinha. A noite pode ser o referencial que irá separar um dia do outro, pelo fato de ser escuro, de dormirmos e estarmos em casa. O amanhã é construído da mesma maneira: depois que dormir e acordar novamente. Por isso é tão importante a rotina na educação infantil.
   Os finais de semana também confundem um pouco os pequenos e dois dias seguidos é outra assimilação de tempo. O mesmo se dá em períodos maiores, como as férias.
  À medida que a criança cresce, os conceitos temporais vão se acomodando e ela passa a compreender melhor, frequentemente acompanhado de perguntas como: "quando você vem de novo, hoje ou amanhã? "ou formulações como "Nas férias vou na casa da avó (domingo)." O processo de elaboração de tempo passa por estas suposições até que compreendam melhor e daí, então, entendam espaços de tempo maior, como uma semana, por exemplo (de segunda até os dois dias em casa e aí de novo na escola). Na verdade eles precisam muito destes referenciais da sua rotina.
   Após esta compreensão podemos trabalhar o tempo passado, usando termos simples como algo que aconteceu "há muitos dias atrás", ou "muito, muito, mas muito tempo atrás", ou "quando vocês ainda eram bebês bem pequenos." 
   A assimilação de um tempo relativamente maior  exige um pouco mais de estruturação mental, onde podemos falar que "quando o vovô era bem pequeno", por exemplo. 



   Da mesma forma, assim se estabelecem as primeiras noções espaciais, pois identificam inicialmente pequenos espaços que frequentam, como a casa, a sua sala de aula, a igreja, o pátio, o ônibus que percorre um longo caminho.
 Torna-se interessante fazer a criança pequena observar a cor da sua casa, o tamanho da escola, o que vê no caminho, como praças, padarias e outros lugares ou pontos de referência. Assim consegue fazer conexões de perto e longe e perceber que o mundo é vasto e cheio de coisas diferentes e interessantes.
   Como sugestão de atividade de percepção tempo-espacial com os pequenos, está uma bela conversação de como é sua casa, o que tem dentro e fora dela, se demora pra chegar na escola ou se é "logo ali". Também realizar mini passeios no entorno da escola para perceberem de qual direção vem quando chegam na escola.


 Penso que trabalhar com os pequenos as questões de tempo e espaço começam com a nossa percepção da realidade simples que eles vivenciam e são familiares. Fazer comparações do tamanho da sala com a escola, corrida de quem chega primeiro no outro lado do pátio, observar de que lado a mamãe vem buscar, se da frente ou da rua lateral, conversar sobre o que a criança fez no final de semana e aonde foi, entre outras, são propostas extremamente eficazes para darmos início às construções mentais de tempo e espaço. 
   
   Aos poucos a criança compreende que pertence a uma linha do tempo, com os dias antes e os dias que vem depois do momento presente, assim como começa a perceber o mundo e aonde está inserida geograficamente, mesmo que seus limites fiquem no espaço escola-casa-praça-casa da avó-supermercado, etc. Mas é o bastante para darmos o primeiro passo.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Ciências na escola

     Promover o estudo das Ciências Naturais na escola é...


   ...Fomentar a busca do conhecimento da natureza, apreciando e valorizando o mundo natural.  É testemunhar  o fascínio pelo novo, pelo desconhecido, buscando respostas.
    É estimular a curiosidade, a vontade de saber como as coisas são, vivem ou como funcionam na natureza. É experimentar, é comprovar, é despertar a criança que de tudo quer saber o porquê.


  Por estas razões, acredito que sempre haverão olhinhos atentos e fascinados ante um peixinho no aquário, com suas barbatanas pra lá e pra cá... Que sempre haverá um grupinho alvoroçado ao redor de um formigueiro no pátio da escola... Ou virando um besouro de cabeça para baixo, que fica esperneando sem parar... 
    O mundo natural é incrível, ainda mais para os pequenos, que acolhem amorosamente seres minúsculos nos bolsos... Conversam com tartarugas, pacientemente observando sua caminhada... Ou mesmo plantam feijões em bolotas de algodão.



   Despertar a busca de conhecimento da natureza, fazendo experimentações e constatações, é prazeroso para o professor e muito mais para o aluno. 
Assim é a infância. Assim o maravilhar-se. Assim os aprendizados. E assim continuamos a adorar Ciências na escola.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Matemática para os pequenos


A reflexão de como realizo atividades envolvendo noções de matemática na educação infantil, especificamente com os menores, ocorre a partir da premissa de que o lúdico deve permear toda intervenção pedagógica.
Citemos o exemplo de uma atividade simples que faz parte do dia a dia:
     - “Como nadam os patinhos na lagoa? “Assim: de dois em dois” (mostrando os dedos), respondem as crianças. Esta conversação se refere a uma lúdica indagação sobre quantidades e organização espacial, em uma turma de berçário 2.
     A canção “Dois patinhos” pode ser cantada na hora de iniciar uma caminhada em duplas, ou na organização da turma para ir ao refeitório, por exemplo. A canção é assim: "Os patinhos na lagoa nadam de dois em dois, de dois em dois... nadam de três em três... nada de quatro em quatro... nadam todos juntos..." Nesta brincadeira as crianças são os patinhos e dar a mão ao colega significa que vão nadar junto.
    Esta simples e corriqueira atividade reflete o quanto é sutil o fazer pedagógico em tão tenra idade. A assimilação de conceitos matemáticos básicos pode começar ali, na rotina de um berçário. Da mesma forma, por exemplo, a canção "Três palavrinhas" faz com que pensem um pouco mais: "Três palavrinhas só, eu aprendi de cor: Deus é amor - três palavrinhas só!" Nesta oração as crianças precisam organizar mentalmente as três palavras e coordenar com os gestos de enumerar com os dedos.
    As primeiras noções espaciais e de lateralidade também podem ser construídas ludicamente, como com a brincadeira do barquinho que vai “pra lá e pra cá”, onde a criança segura as mãos da professora e coloca os pezinhos sobre os pés dela e esta movimenta em direções variadas, enfatizando o pra lá (longe) e pra cá (próximo a ela).

     Estes são singelos exemplos de atividades cotidianas envolvendo o ensino da matemática em crianças tão pequenas. Do mesmo modo, jogos com material alternativo e blocos ou peças de encaixe são utilizados largamente. As sementinhas são lançadas na mente das crianças, que aguardam novos desafios para construções maiores, que com o passar dos dias, irão se estruturar. 






quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Kindergarten

    
     Hoje se comemora o Dia das Crianças. A maioria dos professores trabalha com crianças, destas, muitas na educação infantil.  

     Sabe-se que a criança passou  a ser valorizada e tratada como pessoa em potencial há pouco tempo, se analisarmos a história. Anteriormente, as crianças limitavam-se a serem "adultos em miniatura", brincando em volta da cozinha, na "barra da saia" das mães ou serviçais. No século XIX começou-se a perceber a criança como ser que precisava de educação específica para a idade. 

    A infância, a partir de então, começou a ser objeto de estudo de muitos pedagogos, psicólogos e outros estudiosos. Um destes foi o pedagogo alemão Fiedrich Froebel, o criador do JARDIM DE INFÂNCIA, o "Kindergarten". Froebel é considerado o maior reformulador educacional do século XIX, pois com seu pensamento crítico, desenvolveu uma educação diferenciada, com o uso de brinquedos, materiais alternativos (tão em voga na atualidade), para a percepção sensorial, e depois, consequentemente, ampliar movimentos com o próprio corpo. 



    
      Podemos, segundo Frank Carvalho, constatar que:
 "Em sua filosofia educacional, no Kindergarten as crianças eram consideradas plantinhas de um jardim, cujo jardineiro seria o professor (influência de Pestalozzi). A criança se expressaria através das atividades de percepção sensorial, da linguagem e do brinquedo. A linguagem oral se associaria à natureza e à vida." 
     Neste Dia das Crianças, que saibamos dar valor a criança que está se desenvolvendo, conhecendo o mundo, socializando-se e interagindo, pois é dependente de nós, adultos educadores, mas grandiosa em todo seu potencial.



Referencias:
                  Carvalho, Frank Viana. Filosofando. Blog (11 de outubro de 1911).