domingo, 23 de agosto de 2015

Processo de construção do Workshop


     O primeiro semestre do curso de Pedagogia Ead estava chegando ao final, era hora de preparar a apresentação do workshop para avaliar os aprendizados. Um certo temor tomou conta de mim, afinal seria a primeira vez que iria fazer, e não sabia como proceder.
     Em meio a conteúdos e tarefas das interdisciplinas a serem concluídas e a realização da síntese reflexiva, era necessário preparar a apresentação. Decidi fazer uma associação da minha prática docente com elementos importantes presentes nas interdisciplinas que fizeram mais sentido no período, dentro da realidade de minha escola, a EMEI Estrelinhas do Recanto.
     Selecionei algumas fotos que correspondiam ao que queria transmitir e montei o trabalho no Power Point. Retratei minhas aprendizagens através de tópicos que abrangeram todas as interdisciplinas.
     Seguem os tópicos e os comentários sobre os mesmos, na apresentação:

# VIVÊNCIAS... Fazendo uma relação entre a prática docente e os aprendizados do semestre

     O primeiro semestre no curso de Pedagogia, modalidade à distância, trouxe muitos desafios, mudanças na rotina, domínio de novas tecnologias, muitas leituras, participação em fóruns de discussão e reflexões, com a proposta de fazer uma relação da prática  docente com  as aprendizagens das interdisciplinas...


#Novos aprendizados /Abordagens sutis e cuidados necessários...

     A realidade de uma escola infantil  exige muita atenção e cuidado com os pequenos,  visando o bem estar e o desenvolvimento integral. Os projetos e conteúdos são direcionados à pouca idade  das crianças, sempre  realizados  de forma lúdica. As avaliações ocorrem mediante a observação, em forma de parecer descritivo.

#Uma nova visão  sobre a educação...  

     ...surgiu a partir dos conhecimentos adquiridos  no semestre, resultando em uma  perspectiva  mais  crítica do fazer pedagógico e da própria escola
.
# Multidisciplinaridade e centros de interesse

     A educação infantil é essencialmente multidisciplinar, pois a criança  aprende a conhecer o mundo brincando, na interação com o meio e na integração com seus colegas.  Todos os momentos são oportunidades de aprendizado e o professor deve estar atento aos interesses das  crianças, para que  sejam significativos.

#Projeto Político Pedagógico... e a realidade brasileira



     Estabelecendo relações: inclusão social  e mesmas oportunidades  à todas crianças, independente das diferenças  sociais, econômicas, étnicas  e culturais, para a formação da cidadania.

#Aspectos sociais...


   ... Devem ser analisados, pois o conhecimento da realidade de nossos alunos nos aproxima e humaniza a escola. É dever da escola  criar um ambiente de igualdade e valorização das  diferenças,  respeitando a cultura e os saberes dos alunos, proporcionando a visualização de novas perspectivas de vida e elevando a auto-estima.







#Corporeidade:

     Desta  forma  fazemos  a interação  corpo/cérebro/mente, assimilando informações  através dos sentidos. O contato físico, a afetividade, as experiências  sensoriais  fazem parte  do cotidiano  de uma escola infantil, pois deste modo  estabelecem contato com o mundo exterior, criam vínculos  afetivos  e se desenvolvem de forma sadia e mais felizes.

#A autonomia e a construção do conhecimento...

     ... Em nosso processo de aprender, nos conduzem a um mundo de descobertas e possibilidades. Tanto professores como alunos  estão em constante aprendizado, uns com os outros, com suas  diferenças e peculiaridades, mas todos o constroem com  vivências significativas  e muito empenho.


# As experiências, a prática docente e os aprendizados...


     Estão interligados  pela vontade de evoluir,  de realizar um trabalho fundamentado em bases mais sólidas, na promoção da autonomia, na valorização do ser humano e no ideal de um mundo mais justo e igualitário.


terça-feira, 23 de junho de 2015

Pedagogia da autonomia - parte 2: práticas docentes

       O conceito de autonomia, segundo Paulo Freire, é possibilitar ao aluno pensar por si próprio, que se dá no aprender, na construção de seu conhecimento, de forma crítica e consciente.
      Para Paulo Freire a relação aluno/professor é importante no sentido de que um não existe sem o outro. O professor só ensina, de fato, se o aluno consegue, além de entender, reelaborar e refazer seu conhecimento.
      O aluno, neste processo de construção do conhecimento, traz saberes anteriores à sala de aula, partindo destes para novos. Questões do interesse do aluno devem ser problematizadas para que ele aprenda a pensar por si, sem seguir padrões e sistemas. O aluno deve ter a liberdade de pensar e de reestruturar seus pensamentos, para a construção de uma nova realidade, humanamente, com a consciência de toda desigualdade social do mundo em que está inserido e interagir, sujeito do tempo e da história.
     Em minha realidade como professora de educação infantil a pedagogia da autonomia de Paulo Freire se reflete no respeito que tenho por meus alunos. Embora muito pequenos, já podem tomar algumas decisões  que sinalizam a formação da autonomia. Em pequenos atos do cotidiano, são induzidos a pensar onde deixaram seus pertences, por exemplo, ou refletir sobre determinada atitude do grupo, situação ou mesmo observações do tempo, da rotina e brincadeiras. Todos são igualmente indagados e levados a pensar sobre determinados assuntos.
     As crianças, entre um e dois anos, necessitam de orientação, de parâmetros que definam uma linha que os caracteriza na escola. Ainda são pequenos para entender e optar entre o certo ou o errado, o bom ou ruim, o perigoso ou não, mas o professor deve guiá-los para que observem, distingam, aprendam pela experiência e sejam sujeitos de suas atitudes.
      Para que construam a sua autonomia, as crianças podem ser estimuladas a questionar, observar, retratar situações de seu ponto de vista, com a devida expressão oral que a idade lhes permite. Começam a ter autonomia inicialmente com seus pertences, como tirar o calçado, guardar os brinquedos, segurar os talheres ou o copo. A partir de pequenas atitudes, as maiores começam a fazer sentido e acontecerem, desde que sejam dadas as condições para favorecer esta autonomia. 

Pedagogia da autonomia - parte 1


      Em seu livro “A pedagogia da autonomia”, Paulo Freire traz à discussão diversos aspectos referentes ao trabalho do professor, as bases que a docência se apoia e a interação com os alunos.
     Sempre à frente com seu pensamento e suas práticas, Paulo Freire é referência de ética, dignidade, responsabilidade social e coerência. Como ninguém, conseguiu ver o que realmente faz sentido no ato de ensinar, a importância da relação aluno/professor e de promover a autonomia e a crítica. Trouxe à tona a questão da desigualdade e exclusão para com os grupos oprimidos e menos favorecidos da sociedade, defendendo a educação de qualidade para todos e a humanização do ensino.
      Lendo sua obra percebi a grandeza e a responsabilidade que é o ato de ensinar. Ninguém apenas passa conteúdos, o professor tem à sua frente alunos distintos, numa troca de saberes. O professor só ensina realmente se o aluno não só aprende, mas reelabora e refaz este aprendizado, significando-o. Por isso a docência exige muitas precondições fundamentais.

     A docência exige metodologia, com certa rigorosidade, comprometimento, pesquisa, ética, espírito crítico, corporificar o que acredita, estar aberto ao novo, ao diálogo, respeitar as diferenças, valorizando a identidade cultural de seus alunos. Ensinar envolve ajudar o aluno a construir seu conhecimento, promovendo a autonomia, com bom senso, alegria, paciência, tolerância, em relações de parceria com o educando. Saber ouvir o aluno, respeitar e valorizá-lo como pessoa em formação, que pode intervir no mundo e construir o futuro.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Escola, cultura e novos saberes

       Dentro de uma escola convivem diferentes pessoas, cada uma com sua história pessoal, sua origem, seu contexto sociocultural, suas maneiras de ver a vida e suas formas de pensar. Compartilham o mesmo ambiente alunos, professores, serventes, diretor, merendeira ou mais funcionários. Pais também fazem parte da comunidade escolar, do lado de fora, mas relativamente inseridos na vida escolar dos filhos.
    A realidade de cada um é diferente e é preciso encontrar o denominador comum entre todas as partes. Acredito que seja o processo ensino/aprendizagem que media todo este conjunto de pessoas, pois enfim, o que se espera de uma escola é a aquisição de conhecimento.
     Os saberes repassados pelos professores aos alunos fazem parte da cultura geral, pois a sociedade os considera importantes e quer manter esta continuidade. Mas não é só disso que vive a escola. O aluno participa de diversas atividades, de grupos de estudo, de pesquisa, de laboratórios, de eventos culturais, esportes, entre outros. Ele aprende valores, regras de convivência e respeitar as diferenças, os outros em suas funções e espera também ser respeitado.
    Cada uma destas pessoas tem um saber, um talento, conhecimentos prévios, a sua bagagem cultural. E esta cultura se junta com as outras e constrói-se uma nova cultura. Do mesmo modo, a vida que conhecemos é diferente da vida de outros, com uma realidade que os condiciona a ser de um jeito ou outro. Como então compreender a todos, e esperar que cada um entenda as aulas do mesmo jeito? Como olhar para alunos diferentes e ver dentro de suas mentes tantas outras perspectivas?
    Pessoas tão diferentes convivem, partilham mesmos conteúdos na sala de aula, com diferentes recursos, mas produzem uma cultura heterogênea, juntando o que aprendem na escola com o que já adquiriram em casa, nos meios de comunicação, na internet, nas suas experiências, até mesmo nas ruas ou no submundo, infelizmente.
      Cada pessoa constrói sua própria condição de existência no plano de cultura do meio em que está inserida, trazendo tudo que faz parte de seu mundo consigo, e assim, reelaborando o seu existir.

sábado, 20 de junho de 2015

Relações cérebro/mente e corporeidade

          
         A relação existente entre o corpo e o cérebro determina nosso existir no mundo. Seja nos movimentos, no pensar, sentir, criar ou agir.
      O cérebro humano é um complexo de neurônios e conexões comparado a um motor, que pode ser muito potente ou limitado. Para organizar tudo que deseja fazer, o cérebro se expande, na medida dos estímulos recebidos.
       O corpo recebe informações do meio externo, principalmente através da visão, mas também de outros receptores, como o tato ou a audição. Estas informações, ao se conectarem com os sensores do nosso corpo, são enviadas ao cérebro, que por sua vez determina automaticamente uma resposta. Assim produz uma ação imediata, do receptor ao cérebro e este de volta ao corpo, estabelecendo, por conseguinte, a memória do ato registrado. Muitas memórias criam uma teia de conhecimento assimilado e que vão se ampliando sob mais estímulos e exercícios de memória.
      A corporeidade pode ser usada para fazer surtir efeitos mais relevantes sobre o aprendizado de estudantes, por exemplo. O professor pode fazer uso de sensações variadas, técnicas alternando visão e audição, dinâmicas que juntam os cinco sentidos na exploração do meio, proporcionar maior contato do corpo com os objetos estudados, se assim requer.
       Os potenciais das crianças, e de toda pessoa, podem ser despertados de seu estado inativo e desenvolvidos plenamente, com exercícios que unem a corporeidade, em suas receptações, com o cérebro, seja a mente ou o emocional, pois tudo parte do grande computador que está dentro de nós.
        Fazendo uma comparação com meu trabalho na EMEI, junto à turma do Berçário 2,  a corporeidade se faz presente a todo instante, pois cada novo aprendizado é primeiro receptado, seja em contato físico, com o toque, a proximidade, o olhar, o cheiro, o som. Depois passa por uma assimilação, num estágio que determina se é bom ou ruim, agradável, ou mesmo confiável aos pequenos. Por meio de repetições as crianças criam um esquema físico e mental que acaba por criar a memorização.

       Desta forma, a corporeidade é usada em toda e qualquer prática com as crianças, pois é desta maneira que incorporam as informações que se transformam em sinais, e por sua vez em conhecimentos. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A construção do conhecimento no Berçário

                     
     A construção do conhecimento é a base do meu fazer pedagógico, como forma de aprender, conhecer e interagir com o mundo.
      Trabalho em uma EMEI que atende crianças de quatro meses a três anos de idade, e atualmente atuo com a turma do Berçário 2a, ou seja, são crianças muito pequenas, de 12 a 18 meses.
    As crianças nesta fase estão começando a caminhar, a comer sozinhas e a falar. Pedagogicamente, procuro estimular o desenvolvimento de forma lúdica, com intervenções ou permeando a rotina, que torna a relação aluno-professor bastante próxima.
     De forma alguma as crianças são “tábuas rasas”, a serem “preenchidas” com conhecimentos, como pressupõe a teoria empírica, e também suas capacidades não  estão condicionadas a fatores externos ou hereditários, para serem “moldadas” pelo meio em que vivem, como considera o Apriorismo, como teoria epistemológica.
    As crianças são inteligentes por natureza, com conhecimentos que trazem consigo desde o nascimento, com cada situação nova apresentada, com suas famílias, com sua ida à creche ainda bebês, cada processo de avanço no desenvolvimento biológico, motor e cognitivo. Ao chegarem ao Berçário 2, já possuem muitos conhecimentos, mesmo que sutis e inconscientes, mas que que são bases para novos e mais desafiadores, seja no desenvolvimento da oralidade, na motricidade, nos reflexos, nos movimentos corporais, nas capacidades físicas desenvolvidas.
     As crianças já se socializaram, compartilham brinquedos, entendem o que a professora diz, mostram interesse por coisas novas que instigam seu desenvolvimento, como brincadeiras, canções gesticuladas, andar com motocas, subir no escorregador mais alto, a própria autonomia que surge com a destreza adquirida ao segurar os talheres, por exemplo.
    À medida que constroem conhecimentos, desenvolvem suas capacidades e adquirem mais autonomia, parto para intervenções mais desafiadoras, cada vez mais ousadas. Faço conversações que induzam a falar, quando ainda apenas articulam sílabas, avançando para palavrinhas, nomeações ou a identificação dos colegas e de objetos, com noções de lateralidade. As canções passam a serem coordenadas com gestos e palmas, e depois com imitações. As brincadeiras corporais, onde segurar a mão do colega era um desafio passam a ser de roda, com um grupinho maior. Aprendem a esperar a vez, a ter uma ideia de sequencia temporal, passam a almejar alçadas maiores, que exige planejar, atenta ao estágio em que se encontram.
 
  
     Através da concepção do Construtivismo, organizo as atividades que irão assegurar a construção do conhecimento dos pequenos, enfatizando vários aspectos na gama de possibilidades que podem ser apresentadas, de forma interdisciplinar, dinâmica e lúdica, como pede a ação pedagógica para esta faixa etária.











terça-feira, 16 de junho de 2015

Dificuldades no processo da assimilação e construção do aprendizado.


       A ciência tem cada vez mais se aproximado da educação, identificando e buscando soluções para problemas de aprendizado.
      Muitas crianças tem dificuldade de memorização, de prestar atenção e registrar mentalmente o que foi falado em aula. Mostram-se alheias, dispersas, ora hiperativas ou com o pensamento a vagar longe, "flutuando".
      Na educação infantil percebo algumas crianças com muita dificuldade de silenciar, de parar um pouco. Também vejo, em minha escola, crianças que não participam das atividades propostas pela professora, alheias ao que acontece em sua volta, isoladas em um "universo" particular.
Pela experiência e pelo conhecimento adquirido em cursos de formação, procuramos deixar a criança isolada tranquila em seu "mundo", sem forçar a participação, mas incentivando a fazer parte do grupo, das rodinhas e outras brincadeiras. Palavras de estímulo tornam-se importantes, canções em nomeia-se os colegas, despertam nestas crianças a percepção de "existirem para os outros, para a turma", de estarem aí, presentes. Geralmente é apenas timidez ou temperamento introvertido, mas sem esquecer a existência de casos mais extremos de isolamento, que requer acompanhamento.

        As crianças hiperativas necessitam de uma dose extra de atenção e paciência, pois agitam todo o grupo e frequentemente mudamos o que planejamos para a aula, pois passamos muito tempo em função de um ou dois alunos. Torna-se difícil "sossegar" tais crianças, pois sempre estão correndo, pulando e tem dificuldade para seguir as regrinhas e os combinados. 
        Algumas crianças tem um comportamento agressivo, com tendência para bater, morder ou empurrar os colegas. Estas crianças geralmente tem alguma coisa incomodando em casa, refletindo, desta forma, no seu modo de agir na escola,  suas angústias. Outras tem, sim,  maior agressividade  a ser diagnosticada por um médico neurologista ou psicólogo.
        Quanto ao aprendizado, com certeza, muitos fatores influenciam a assimilação, como por exemplo, poucas horas de sono, má alimentação, ambiente barulhento em suas casas, com muito som alto, TV ligada o tempo todo, pois ela não consegue se aquietar com facilidade. Problemas familiares, com disputas, agressões verbais(ou mesmo físicas), falta de carinho e atenção, comprometem a auto-estima, a concentração e o aprendizado torna-se lento, senão crítico.
        Em minhas práticas pedagógicas gosto de inicialmente acalmar as crianças, fazê-las olhar para mim, e dizer a elas o que vamos fazer, falando que será muito boa a atividade e que irão gostar muito. Geralmente ficam mais atentos, curiosos e interessados na atividade. Procuro sempre conhecer a ;;;história pessoal de cada criança, seus medos, dramas e aflições e saber do contexto em que vivem em suas casas, se tem irmãos, o que fazem e brincam.
       A Neuroeducação e a psicologia vem abrindo portas para o conhecimento do que se passa no processo da aprendizagem, para orientar e oportunizar a assimilação, a acomodação e efetivamente, equilibrar os conhecimentos adquiridos, citando Piaget, com o que já foi registrado, construindo, assim, o aprendizado.